{"id":7252,"date":"2024-08-30T06:10:14","date_gmt":"2024-08-30T05:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7252"},"modified":"2024-08-30T06:10:15","modified_gmt":"2024-08-30T05:10:15","slug":"as-medicoes-da-new-horizons-lancam-uma-nova-luz-sobre-a-escuridao-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/30\/as-medicoes-da-new-horizons-lancam-uma-nova-luz-sobre-a-escuridao-do-universo\/","title":{"rendered":"As medi\u00e7\u00f5es da New Horizons lan\u00e7am uma nova luz sobre a escurid\u00e3o do Universo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/large\/ann24023a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FaiciQdD_o-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7253\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FaiciQdD_o-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FaiciQdD_o-300x201.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FaiciQdD_o-768x513.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FaiciQdD_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica da nave espacial New Horizons da NASA tendo como pano de fundo o espa\u00e7o profundo. A mais de 7,3 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra, a New Horizons est\u00e1 a atravessar uma regi\u00e3o do Sistema Solar suficientemente afastada do Sol para oferecer os c\u00e9us mais escuros dispon\u00edveis a qualquer telesc\u00f3pio existente &#8211; e para proporcionar um ponto de observa\u00e7\u00e3o \u00fanico a partir do qual se pode medir o brilho global do Universo distante.\nCr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/SwRI\/Serge Brunier\/Marc Postman\/Dan Durda<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qu\u00e3o escuro \u00e9 o espa\u00e7o profundo? Os astr\u00f3nomos podem ter finalmente respondido a esta pergunta de longa data, tirando partido das capacidades e da posi\u00e7\u00e3o distante da nave espacial New Horizons da NASA, fazendo as medi\u00e7\u00f5es diretas mais precisas de sempre da quantidade total de luz que o Universo gera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 18 anos ap\u00f3s o seu lan\u00e7amento e nove anos ap\u00f3s a sua hist\u00f3rica explora\u00e7\u00e3o de Plut\u00e3o, a New Horizons encontra-se a mais de 7,3 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra, numa regi\u00e3o do Sistema Solar suficientemente afastada do Sol para oferecer os c\u00e9us mais escuros dispon\u00edveis a qualquer telesc\u00f3pio existente &#8211; e para proporcionar um ponto de observa\u00e7\u00e3o \u00fanico a partir do qual se pode medir o brilho global do Universo distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se erguermos a nossa m\u00e3o no espa\u00e7o profundo, quanta luz brilha nela?&#8221;, pergunta Marc Postman, astr\u00f3nomo do STScI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, EUA, e autor principal de um novo artigo cient\u00edfico sobre a investiga\u00e7\u00e3o publicado na revista The Astrophysical Journal. &#8220;Temos agora uma boa ideia de qu\u00e3o realmente escuro o espa\u00e7o \u00e9. Os resultados mostram que a grande maioria da luz vis\u00edvel que recebemos do Universo foi gerada pelas gal\u00e1xias. \u00c9 importante notar que tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de n\u00edveis significativos de luz produzida por fontes que n\u00e3o s\u00e3o atualmente conhecidas pelos astr\u00f3nomos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas resolvem um enigma que tem deixado os cientistas perplexos desde a d\u00e9cada de 1960, quando os astr\u00f3nomos Arno Penzias e Robert Wilson descobriram que o espa\u00e7o \u00e9 permeado por uma forte radia\u00e7\u00e3o de micro-ondas, que se previa ser um remanescente da forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Universo. Este resultado levou a que lhes fosse atribu\u00eddo o Pr\u00e9mio Nobel. Posteriormente, os astr\u00f3nomos descobriram tamb\u00e9m a exist\u00eancia da radia\u00e7\u00e3o de fundo c\u00f3smico em raios X, raios gama e radia\u00e7\u00e3o infravermelha que tamb\u00e9m preenche o c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o do fundo de luz &#8220;comum&#8221; (ou vis\u00edvel) &#8211; mais formalmente designado por fundo c\u00f3smico \u00f3tico &#8211; proporcionou uma forma de somar toda a luz gerada pelas gal\u00e1xias ao longo da vida do Universo, antes do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb poderem ver diretamente as t\u00e9nues gal\u00e1xias de fundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na era dos telesc\u00f3pios Hubble e James Webb, os astr\u00f3nomos medem o fundo c\u00f3smico \u00f3tico para detetar a luz que pode ter origem de outras fontes que n\u00e3o as gal\u00e1xias conhecidas. Mas medir a emiss\u00e3o total de luz do Universo \u00e9 extremamente dif\u00edcil a partir da Terra ou de qualquer ponto do Sistema Solar interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os cientistas t\u00eam tentado repetidamente medi-la diretamente, mas na nossa parte do Sistema Solar h\u00e1 demasiada luz solar e poeira interplanet\u00e1ria refletida, que dispersa a luz num nevoeiro que obscurece a luz t\u00e9nue do Universo distante&#8221;, disse Tod Lauer, coinvestigador da New Horizons, astr\u00f3nomo do NOIRLab da NSF (National Science Foundation) em Tucson, no estado norte-americano do Arizona, e coautor do novo artigo cient\u00edfico. &#8220;Todas as tentativas de medir a for\u00e7a do fundo c\u00f3smico \u00f3tico a partir do Sistema Solar interior sofrem de grandes incertezas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que entra a New Horizons, que est\u00e1 a milhares de milh\u00f5es de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia dos planetas, agora na Cintura de Kuiper e a caminho do espa\u00e7o interestelar. No final do ver\u00e3o passado, a uma dist\u00e2ncia 57 vezes superior \u00e0 da Terra em rela\u00e7\u00e3o ao Sol, a New Horizons fez uma varredura do Universo com o seu instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), recolhendo duas d\u00fazias de campos separados [de imagem]. O LORRI foi intencionalmente protegido do Sol pelo corpo principal da nave espacial &#8211; impedindo que mesmo a luz mais t\u00e9nue do Sol entrasse diretamente na c\u00e2mara sens\u00edvel &#8211; e os campos-alvo foram posicionados longe do disco brilhante e do n\u00facleo da Via L\u00e1ctea, bem como das estrelas brilhantes mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os observadores da New Horizons utilizaram outros dados, obtidos no infravermelho distante pela miss\u00e3o Planck da ESA, de campos com uma gama de densidade de poeira para calibrar o n\u00edvel dessas emiss\u00f5es no infravermelho distante ao n\u00edvel da luz vis\u00edvel comum. Isto permitiu-lhes prever com precis\u00e3o e corrigir a presen\u00e7a de luz da Via L\u00e1ctea dispersa pela poeira nas imagens do fundo c\u00f3smico \u00f3tico &#8211; uma t\u00e9cnica que n\u00e3o estava dispon\u00edvel durante um teste de observa\u00e7\u00e3o realizado em 2021 com a New Horizons, no qual subestimaram a quantidade de luz dispersa pela poeira e sobrestimaram o excesso de luz do pr\u00f3prio Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas desta vez, depois de contabilizar todas as fontes de luz conhecidas, como estrelas de fundo e luz espalhada por finas nuvens de poeira dentro da Gal\u00e1xia, a nossa Via L\u00e1ctea, os investigadores descobriram que o n\u00edvel restante de luz vis\u00edvel era totalmente consistente com a intensidade da luz gerada por todas as gal\u00e1xias nos \u00faltimos 12,6 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A interpreta\u00e7\u00e3o mais simples \u00e9 que o fundo c\u00f3smico \u00f3tico \u00e9 completamente devido \u00e0s gal\u00e1xias&#8221;, disse Lauer. &#8220;Olhando para fora das gal\u00e1xias, encontramos escurid\u00e3o e nada mais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este trabalho recentemente publicado \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o importante para a cosmologia fundamental e \u00e9 algo que s\u00f3 poderia ser feito com uma nave espacial distante como a New Horizons&#8221;, disse o investigador principal da New Horizons, Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, Colorado, EUA. &#8220;E mostra que a nossa atual miss\u00e3o alargada est\u00e1 a dar importantes contributos cient\u00edficos muito para al\u00e9m da inten\u00e7\u00e3o original desta miss\u00e3o planet\u00e1ria concebida para fazer as primeiras explora\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas de Plut\u00e3o e dos objetos da Cintura de Kuiper&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lan\u00e7ada em janeiro de 2006, a New Horizons fez o reconhecimento hist\u00f3rico de Plut\u00e3o e das suas luas em julho de 2015, antes de dar \u00e0 humanidade o seu primeiro olhar de perto de um bloco de constru\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria e objeto da Cintura de Kuiper, de nome Arrokoth, em janeiro de 2019. A New Horizons est\u00e1 agora na sua segunda miss\u00e3o estendida, captando imagens de objetos distantes da Cintura de Kuiper, caracterizando a heliosfera exterior do Sol e fazendo importantes observa\u00e7\u00f5es astrof\u00edsicas a partir do seu ponto de vista inigual\u00e1vel nas regi\u00f5es mais distantes do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pluto.jhuapl.edu\/News-Center\/News-Article.php?page=20240828\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ JHUAPL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-029\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/announcements\/ann24023\/\">\/\/ NOIRlab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad5ffc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2407.06273\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>New Horizons:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/new-horizons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/pluto.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasanewhorizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Horizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o art\u00edstica da nave espacial New Horizons da NASA tendo como pano de fundo o espa\u00e7o profundo. 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