{"id":7227,"date":"2024-08-16T06:17:09","date_gmt":"2024-08-16T05:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7227"},"modified":"2024-08-16T06:18:10","modified_gmt":"2024-08-16T05:18:10","slug":"telescopios-determinam-o-horario-do-lanche-de-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/16\/telescopios-determinam-o-horario-do-lanche-de-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Telesc\u00f3pios determinam o hor\u00e1rio do &#8220;lanche&#8221; de um buraco negro"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/chandra.si.edu\/photo\/2024\/bhsnack\/bhsnack_lg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"662\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/6iPHTnxK_o-1024x662.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7228\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/6iPHTnxK_o-1024x662.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/6iPHTnxK_o-300x194.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/6iPHTnxK_o-768x497.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/6iPHTnxK_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra uma estrela que foi parcialmente afetada por um buraco negro gigante no sistema conhecido como AT2018fyk. Os astr\u00f3nomos previram corretamente quando terminou o \u00faltimo lanche do buraco negro (detritos da estrela) e previram que o pr\u00f3ximo come\u00e7aria entre maio e agosto de 2025. Desde que a estrela sobreviva \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es, estas refei\u00e7\u00f5es dever\u00e3o ocorrer a cada 3,5 anos.\nCr\u00e9dito: NASA\/CXC\/M.Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos conseguiram prever corretamente quando \u00e9 que um buraco negro gigante terminou a sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o &#8211; e prever quando ser\u00e1 o seu pr\u00f3ximo lanche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando novos dados do Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA e do Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift, bem como do XMM-Newton da ESA, uma equipa de investigadores fez importantes progressos na compreens\u00e3o de como &#8211; e quando &#8211; este buraco negro supermassivo consome material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado baseia-se no estudo de um buraco negro supermassivo &#8211; com cerca de 50 milh\u00f5es de vezes mais massa do que o Sol &#8211; no centro de uma gal\u00e1xia situada a cerca de 860 milh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, o levantamento \u00f3tico ASAS-SN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) notou que este sistema se tinha tornado muito mais brilhante. Depois de o observarem com o NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) e Chandra, ambos da NASA, e com o XMM-Newton, os investigadores determinaram que o aumento do brilho resultou de um &#8220;evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221;, que indica que uma estrela foi completamente despeda\u00e7ada e parcialmente ingerida depois de voar demasiado perto de um buraco negro. Chamaram ao evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s AT2018fyk.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o material da estrela destru\u00edda se aproximou do buraco negro, aqueceu e produziu raios X e ultravioleta (UV). Estes sinais desvaneceram-se, sugerindo que n\u00e3o restava nada da estrela para o buraco negro digerir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, cerca de dois anos mais tarde, os raios X e a luz ultravioleta da gal\u00e1xia voltaram a ficar muito mais brilhantes. De acordo com os astr\u00f3nomos, a explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 que a estrela provavelmente sobreviveu ao agarr\u00e3o gravitacional inicial do buraco negro e depois entrou numa \u00f3rbita altamente el\u00edptica com o buraco negro. Durante a sua segunda aproxima\u00e7\u00e3o ao buraco negro, mais material foi arrancado, produzindo mais raios X e luz UV.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9a\/f4\/kSk7zklD_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9a\/f4\/kSk7zklD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os dados de AT2018fyk, pelo Chandra, podem ser vistos no canto inferior direito desta imagem \u00f3tica que mostra uma vista mais abrangente da \u00e1rea.<br>Cr\u00e9dito: raios X &#8211; NASA\/SAO\/Instituto Kavli do MIT\/D.R. Pasham; \u00f3tico &#8211; NSF\/Legacy Survey\/SDSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados foram publicados num artigo de 2023 na revista The Astrophysical Journal Letters, liderado por Thomas Wevers, do STscI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Inicialmente, pens\u00e1mos que se tratava de um caso t\u00edpico de um buraco negro que despeda\u00e7a totalmente uma estrela&#8221;, disse Wevers. &#8220;Mas, em vez disso, a estrela parece estar a viver para morrer mais um dia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base no que aprenderam sobre a estrela e a sua \u00f3rbita, Wevers e a sua equipa previram que a segunda refei\u00e7\u00e3o do buraco negro terminaria em agosto de 2023, e pediram tempo de observa\u00e7\u00e3o ao Chandra para verificar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O sinal revelador do fim deste petisco estelar seria uma queda s\u00fabita nos raios X e \u00e9 exatamente isso que vemos nas nossas observa\u00e7\u00f5es do Chandra no dia 14 de agosto de 2023&#8221;, disse Dheeraj Pasham, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), l\u00edder de um novo artigo cient\u00edfico sobre estes resultados. &#8220;Os nossos dados mostram que, em agosto do ano passado, o buraco negro estava essencialmente a limpar a boca e a afastar-se da mesa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novos dados obtidos pelo Chandra e pelo Swift ap\u00f3s a conclus\u00e3o do artigo cient\u00edfico de 2023 d\u00e3o aos investigadores uma estimativa ainda melhor do tempo que a estrela demora a completar uma \u00f3rbita e das futuras horas de refei\u00e7\u00e3o do buraco negro. Determinaram que a estrela se aproxima do buraco negro uma vez em cada tr\u00eas anos e meio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensamos que uma terceira refei\u00e7\u00e3o do buraco negro, se ainda restar alguma coisa da estrela, ter\u00e1 in\u00edcio entre maio e agosto de 2025 e durar\u00e1 quase dois anos&#8221;, disse Eric Coughlin, coautor do novo artigo, da Universidade de Syracuse, em Nova Iorque. &#8220;Provavelmente, ser\u00e1 mais um lanche do que uma refei\u00e7\u00e3o completa, porque a segunda refei\u00e7\u00e3o foi mais pequena do que a primeira e a estrela est\u00e1 a ser reduzida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores pensam que a estrela condenada tinha originalmente outra estrela como companheira \u00e0 medida que se aproximava do buraco negro. No entanto, quando o par estelar se aproximou demasiado do buraco negro, a gravidade do buraco negro separou as duas estrelas. Uma entrou em \u00f3rbita com o buraco negro e a outra foi projetada para o espa\u00e7o a grande velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A estrela condenada foi for\u00e7ada a fazer uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica de companheira &#8211; de outra estrela para um buraco negro gigante&#8221;, disse o coautor Muryel Guolo da Universidade Johns Hopkins em Baltimore. &#8220;A sua parceira estelar escapou, mas ela n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa planeia continuar a seguir AT2018fyk durante o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel para estudar o comportamento de um sistema t\u00e3o ex\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico que descreve estes resultados aparece na edi\u00e7\u00e3o mais recente da The Astrophysical Journal Letters e est\u00e1 dispon\u00edvel online.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/chandra.si.edu\/press\/24_releases\/press_081424.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/image-article\/nasa-telescopes-work-out-black-holes-snack-schedule\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad57b3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2406.18124\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AT2018fyk:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2018fyk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TNS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission\/chandra-x-ray-observatory\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/swift\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NICER:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/nicer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_Star_Interior_Composition_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Levantamento ASAS-SN:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.astronomy.ohio-state.edu\/asassn\/index.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Estatal do Ohio<\/a><br><a href=\"https:\/\/asas-sn.osu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Estatal do Ohio #2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/All_Sky_Automated_Survey_for_SuperNovae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra uma estrela que foi parcialmente afetada por um buraco negro gigante no sistema conhecido como AT2018fyk. 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