{"id":7209,"date":"2024-08-09T06:19:16","date_gmt":"2024-08-09T05:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7209"},"modified":"2024-08-09T06:19:17","modified_gmt":"2024-08-09T05:19:17","slug":"medicoes-de-precisao-dao-pistas-sobre-a-origem-cosmica-dos-magnetares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/09\/medicoes-de-precisao-dao-pistas-sobre-a-origem-cosmica-dos-magnetares\/","title":{"rendered":"Medi\u00e7\u00f5es de precis\u00e3o d\u00e3o pistas sobre a origem c\u00f3smica dos magnetares"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"525\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o-1024x525.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7210\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o-1024x525.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o-300x154.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o-768x394.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pRSCFtyg_o.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do magnetar Swift J1818.0-1607.\nCr\u00e9dito: NSF, AUI, NRAO da NSF, S. Dagnello<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos utilizou um poderoso conjunto de radiotelesc\u00f3pios para obter novas informa\u00e7\u00f5es acerca de um magnetar com apenas algumas centenas de anos. Ao captar medi\u00e7\u00f5es precisas da posi\u00e7\u00e3o e velocidade do objeto, obtiveram novas pistas no que toca ao seu percurso de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma estrela de massa relativamente elevada entra em colapso no fim da sua vida e explode como supernova, pode deixar para tr\u00e1s uma estrela superdensa chamada estrela de neutr\u00f5es. For\u00e7as extremas durante a sua forma\u00e7\u00e3o fazem frequentemente com que as estrelas de neutr\u00f5es girem muito depressa, emitindo feixes de luz como um farol. Quando esse feixe est\u00e1 alinhado de forma a ser vis\u00edvel da Terra, a estrela \u00e9 tamb\u00e9m chamada pulsar. E, quando uma estrela de neutr\u00f5es se forma com uma rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida como um pulsar e um campo magn\u00e9tico milhares de vezes mais forte do que uma estrela de neutr\u00f5es t\u00edpica, \u00e9-lhe dada a designa\u00e7\u00e3o de magnetar. Estas estrelas t\u00eam aproximadamente o dobro da massa do nosso Sol num tamanho f\u00edsico da ordem das dezenas de quil\u00f3metros &#8211; o tamanho de uma cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de existirem muitas semelhan\u00e7as entre as estrelas de neutr\u00f5es, os pulsares e os magnetares, os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o intrigados quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que levam estas estrelas extremas a evoluir para percursos t\u00e3o distintos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma equipa de astr\u00f3nomos liderada por Hao Ding do Observat\u00f3rio Mizusawa VLBI do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), utilizou o VLBA (Very Long Baseline Array) do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) da NSF (National Science Foundation) dos EUA para determinar as caracter\u00edsticas-chave de um magnetar rec\u00e9m-descoberto com n\u00edveis de precis\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, conhecem-se 30 magnetares, mas apenas 8 deles s\u00e3o suficientemente semelhantes para serem relevantes para este estudo. Ding e a sua equipa utilizaram o VLBA da NSF durante um per\u00edodo de 3 anos para recolher dados sobre a posi\u00e7\u00e3o e sobre a velocidade do magnetar Swift J1818.0-1607, que foi descoberto no in\u00edcio de 2020. Pensa-se que Swift J1818.0-1607 seja o mais jovem descoberto at\u00e9 \u00e0 data e \u00e9 o magnetar de rota\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, completando uma em apenas 1,36 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Swift J1818.0-1607 est\u00e1 localizado na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Sagit\u00e1rio. Situado do outro lado do bojo gal\u00e1ctico central &#8211; dentro da Via L\u00e1ctea &#8211; e a apenas 22.000 anos-luz de dist\u00e2ncia, est\u00e1 relativamente pr\u00f3ximo da Terra. Perto o suficiente, de facto, para utilizar o m\u00e9todo da paralaxe para determinar com precis\u00e3o a sua localiza\u00e7\u00e3o tridimensional dentro da Gal\u00e1xia (o m\u00e9todo de paralaxe calcula a dist\u00e2ncia usando a mudan\u00e7a aparente na posi\u00e7\u00e3o de um objeto em rela\u00e7\u00e3o a objetos de fundo conhecidos e distantes).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo de vida de um magnetar \u00e9 ainda desconhecido, mas os astr\u00f3nomos estimam que Swift J1818.0-1607 tenha apenas algumas centenas de anos. As brilhantes emiss\u00f5es de raios-X de um magnetar necessitam de um mecanismo de fluxo energ\u00e9tico extremamente elevado; apenas o r\u00e1pido decaimento do seu intenso campo magn\u00e9tico pode explicar o poder por detr\u00e1s destas assinaturas espetrais. Mas este \u00e9 tamb\u00e9m um processo extremo. Para as estrelas comuns na sequ\u00eancia principal, as estrelas azuis brilhantes t\u00eam vidas muito curtas porque gastam o seu combust\u00edvel muito mais depressa do que as suas irm\u00e3s amarelas. A f\u00edsica \u00e9 diferente para os magnetares, mas \u00e9 prov\u00e1vel que eles tamb\u00e9m tenham vidas mais curtas do que os seus parentes pulsares. &#8220;Os magnetares s\u00e3o muito jovens, porque n\u00e3o podem continuar a emitir energia a este ritmo durante muito tempo&#8221;, explica Ding.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os magnetares tamb\u00e9m podem apresentar emiss\u00f5es na extremidade inferior do espetro eletromagn\u00e9tico &#8211; em comprimentos de onda de r\u00e1dio. Para estas emiss\u00f5es, a radia\u00e7\u00e3o sincrotr\u00e3o proveniente da rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do magnetar \u00e9 provavelmente a fonte de energia. Na radia\u00e7\u00e3o de sincrotr\u00e3o, o plasma que rodeia a estrela de neutr\u00f5es est\u00e1 t\u00e3o &#8220;pegado&#8221; \u00e0 superf\u00edcie da estrela que gira a uma velocidade muito pr\u00f3xima da velocidade da luz, gerando emiss\u00f5es em comprimentos de onda de r\u00e1dio. Estas emiss\u00f5es de r\u00e1dio foram depois detetadas pelo VLBA da NSF ao longo de tr\u00eas anos de observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O VLBA forneceu-nos uma resolu\u00e7\u00e3o angular soberba para medir esta min\u00fascula paralaxe&#8221;, diz Ding. &#8220;A resolu\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 incompar\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados, publicados no passado dia 6 de agosto na revista The Astrophysical Journal Letters, detalham que a paralaxe de Swift J1818.0-1607 est\u00e1 entre as mais pequenas das estrelas de neutr\u00f5es, e que a sua velocidade transversal \u00e9 a mais pequena &#8211; um novo limite inferior &#8211; entre os magnetares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A velocidade em astronomia \u00e9 mais facilmente descrita como tendo dois componentes, ou dire\u00e7\u00f5es. A sua velocidade radial descreve a rapidez com que se move ao longo da linha de vis\u00e3o, o que neste caso significa ao longo do raio da Gal\u00e1xia. Para um magnetar como Swift J1818.0-1607, localizado do outro lado do bojo central, h\u00e1 demasiado material no caminho para determinar com precis\u00e3o a velocidade radial. A velocidade transversal, por vezes chamada velocidade peculiar, descreve o movimento perpendicular ao plano da Gal\u00e1xia, e \u00e9 mais facilmente discern\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que os astr\u00f3nomos tentam compreender os processos de forma\u00e7\u00e3o que s\u00e3o comuns &#8211; e os que s\u00e3o diferentes &#8211; entre estrelas de neutr\u00f5es &#8220;normais&#8221;, pulsares e magnetares, esperam usar medi\u00e7\u00f5es precisas da velocidade transversal para ajudar a analisar as condi\u00e7\u00f5es que fazem com que uma estrela evolua por um destes tr\u00eas percursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ding diz que este estudo refor\u00e7a a teoria de que \u00e9 improv\u00e1vel que os magnetares se formem nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que os jovens pulsares, sugerindo assim que os magnetares surgem sob processos de forma\u00e7\u00e3o mais ex\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Precisamos de saber a que velocidade o magnetar estava a mover-se quando tinha acabado de nascer&#8221;, diz Ding. &#8220;O mecanismo de forma\u00e7\u00e3o dos magnetares \u00e9 ainda um mist\u00e9rio que gostar\u00edamos de compreender&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/precision-measurements-offer-clues-to-magnetars-cosmic-origin\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad5550\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2406.04674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Swift J1818.0-1607:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=Swift+J1818.0-1607\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_J1818.0%E2%80%931607\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLBA (Very Long Baseline Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/facilities\/vlba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Long_Baseline_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do magnetar Swift J1818.0-1607. 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