{"id":7194,"date":"2024-08-02T06:23:39","date_gmt":"2024-08-02T05:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7194"},"modified":"2024-08-02T06:24:31","modified_gmt":"2024-08-02T05:24:31","slug":"missao-dart-lanca-nova-luz-sobre-o-sistema-de-asteroides-que-teve-como-alvo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/02\/missao-dart-lanca-nova-luz-sobre-o-sistema-de-asteroides-que-teve-como-alvo\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o DART lan\u00e7a nova luz sobre o sistema de asteroides que teve como alvo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"213\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-1024x213.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7195\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-1024x213.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-300x62.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-768x160.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-1536x319.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1ZYjCTI8_o-2048x426.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As v\u00e1rias caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas observadas em Didymos ajudaram os investigadores a contar a hist\u00f3ria das origens do objeto. A crista triangular do asteroide (primeiro painel a contar da esquerda), e a chamada regi\u00e3o lisa, e a sua prov\u00e1vel regi\u00e3o mais antiga e \u00e1spera das &#8220;terras altas&#8221; (segundo painel a contar da esquerda) podem ser explicadas atrav\u00e9s de uma combina\u00e7\u00e3o de processos de declive controlados pela eleva\u00e7\u00e3o (terceiro painel a contar da esquerda). O quarto painel mostra os efeitos da rutura por acelera\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o a que Didymos ter\u00e1 sido submetido para formar Dimorphos.\nCr\u00e9dito: Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins\/Olivier Barnouin<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao estudar os dados recolhidos pela miss\u00e3o DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que em 2022 enviou uma nave espacial para colidir intencionalmente com Dimorphos, a lua do asteroide Didymos, a sua equipa cient\u00edfica descobriu novas informa\u00e7\u00f5es sobre as origens do asteroide bin\u00e1rio e porque \u00e9 que a nave espacial DART foi t\u00e3o eficaz em mudar a \u00f3rbita de Dimorphos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cinco artigos cient\u00edficos recentemente publicados na revista Nature Communications, a equipa explorou a geologia do sistema, que inclui a lua Dimorphos e o asteroide principal Didymos, para caracterizar a sua origem e evolu\u00e7\u00e3o e restringir as suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas descobertas d\u00e3o-nos novos conhecimentos sobre as formas como os asteroides podem mudar ao longo do tempo&#8221;, disse Thomas Statler, cientista principal para os Pequenos Corpos do Sistema Solar na sede da NASA em Washington. &#8220;Isto \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para compreender os objetos pr\u00f3ximos da Terra, que s\u00e3o o foco da defesa planet\u00e1ria, mas tamb\u00e9m para a nossa capacidade de ler a hist\u00f3ria do nosso Sistema Solar a partir destes remanescentes da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Esta \u00e9 apenas uma parte da riqueza de novos conhecimentos que ganh\u00e1mos com a DART&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olivier Barnouin e Ronald-Louis Ballouz, do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, lideraram um estudo que analisou a geologia de ambos os asteroides e retirou conclus\u00f5es sobre os materiais da sua superf\u00edcie e propriedades interiores. A partir de imagens captadas pela DART e pelo cubesat LICIACube que a acompanhou &#8211; uma contribui\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Espacial Italiana -, a equipa observou a topografia do asteroide mais pequeno Dimorphos, que apresentava rochas de v\u00e1rios tamanhos. Em compara\u00e7\u00e3o, o asteroide maior, Didymos, era mais liso a eleva\u00e7\u00f5es mais baixas, embora rochoso a eleva\u00e7\u00f5es maiores, com mais crateras do que Dimorphos. Os autores deduziram que Dimorphos provavelmente se desprendeu de Didymos durante um grande evento de perda de massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 processos naturais que podem acelerar a rota\u00e7\u00e3o de asteroides pequenos, e h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que estes processos podem ser respons\u00e1veis pela remodela\u00e7\u00e3o destes corpos ou mesmo por for\u00e7ar a expuls\u00e3o de material das suas superf\u00edcies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise sugeriu que tanto Didymos como Dimorphos t\u00eam caracter\u00edsticas de superf\u00edcie fracas, o que levou a equipa a postular que Didymos tem uma idade de superf\u00edcie 40-130 vezes mais antiga do que Dimorphos, com a primeira estimada em 12,5 milh\u00f5es de anos e a segunda com menos de 300.000 anos. A baixa resist\u00eancia da superf\u00edcie de Dimorphos contribuiu provavelmente para o impacto significativo da DART na sua \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As imagens e dados que a DART recolheu no sistema Didymos proporcionaram uma oportunidade \u00fanica para um olhar geol\u00f3gico e \u00edntimo de um sistema asteroidal bin\u00e1rio na vizinhan\u00e7a da Terra&#8221;, disse Barnouin. &#8220;S\u00f3 a partir destas imagens conseguimos inferir uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es acerca das propriedades geof\u00edsicas de Didymos e Dimorphos e expandir o nosso conhecimento sobre a forma\u00e7\u00e3o destes dois asteroides. Tamb\u00e9m compreendemos melhor porque \u00e9 que a DART foi t\u00e3o eficaz a mover Dimorphos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maurizio Pajola, do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica) em Roma, e coautores lideraram um artigo que comparou as formas e tamanhos dos v\u00e1rios pedregulhos e os seus padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o nas superf\u00edcies dos dois asteroides. Determinaram que as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de Dimorphos indicam que se formou por fases, provavelmente de material herdado do seu asteroide progenitor Didymos. Esta conclus\u00e3o refor\u00e7a a teoria prevalente de que alguns asteroides bin\u00e1rios surgem de restos de um asteroide prim\u00e1rio maior que se acumulam numa nova lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alice Lucchetti, tamb\u00e9m do INAF, e colegas descobriram que a fadiga t\u00e9rmica &#8211; o enfraquecimento gradual e a quebra de um material causada pelo calor &#8211; pode separar rapidamente pedregulhos na superf\u00edcie de Dimorphos, gerando linhas de superf\u00edcie e alterando as caracter\u00edsticas f\u00edsicas deste tipo de asteroide mais rapidamente do que se pensava. A miss\u00e3o DART foi provavelmente a primeira observa\u00e7\u00e3o de um fen\u00f3meno deste tipo neste g\u00e9nero de asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Supervisionado pela investigadora Naomi Murdoch do ISAE-SUPAERO (Institut sup\u00e9rieur de l&#8217;a\u00e9ronautique et de l&#8217;espace) em Toulouse, Fran\u00e7a, e colegas, um trabalho liderado pelas estudantes Jeanne Bigot e Pauline Lombardo determinou que a capacidade de suporte de Didymos &#8211; a capacidade da superf\u00edcie para suportar cargas aplicadas &#8211; \u00e9 pelo menos 1000 vezes inferior \u00e0 da areia seca da Terra ou do solo lunar. Este \u00e9 considerado um par\u00e2metro importante para compreender e prever a resposta de uma superf\u00edcie, incluindo para efeitos de desloca\u00e7\u00e3o de um asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Colas Robin, tamb\u00e9m do ISAE-SUPAERO, e os seus coautores analisaram as rochas da superf\u00edcie de Dimorphos, comparando-as com as de outros asteroides tipo &#8220;pilha de escombros&#8221;, incluindo Itokawa, Ryugu e Bennu. Os investigadores descobriram que as rochas partilhavam caracter\u00edsticas semelhantes, sugerindo que todos estes tipos de asteroides se formaram e evolu\u00edram de modo semelhante. A equipa tamb\u00e9m notou que a natureza alongada das rochas em torno do local de impacto da DART implica que foram provavelmente formadas atrav\u00e9s de processamento de impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas descobertas mais recentes formam uma vis\u00e3o mais robusta das origens do sistema Didymos e contribuem para a compreens\u00e3o de como estes corpos planet\u00e1rios se formaram. Enquanto a miss\u00e3o Hera da ESA se prepara para revisitar o local de colis\u00e3o da DART em 2026, para analisar melhor as consequ\u00eancias do primeiro teste de defesa planet\u00e1ria de sempre, esta investiga\u00e7\u00e3o fornece uma s\u00e9rie de testes para o que a Hera ir\u00e1 encontrar e contribui para as miss\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o atuais e futuras, refor\u00e7ando simultaneamente as capacidades de defesa planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"NASA DART - asteroid Didymos growth of its equatorial ridge and Dimorphos formation\" width=\"618\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8DbdljPrhMw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/dart\/nasas-dart-mission-sheds-new-light-on-target-binary-asteroid-system\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\/Glimpses_of_Hera_s_target_asteroids_inspire_new_science\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jhuapl.edu\/news\/news-releases\/240730-new-papers-published-nature-communications-detail-dart-findings\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-50146-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Barnouin et al. (Nature Communications)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-50148-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Pajola et al. (Nature Communications)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-50145-y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Luchhetti et al. (Nature Communications)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-50149-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Bigot et al. (Nature Communications)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-50147-w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Robin et al. (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/dart-asteroid-mission-didymos-dimorphos-age-origins\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/dart-spacecraft-drops-new-data-on-redirected-asteroids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-07-dart-mission-binary-asteroid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/asteroid-didymos-dimorphos-defend-earth-impact-1931991\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fadiga t\u00e9rmica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Thermo-mechanical_fatigue\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Capacidade de suporte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Bearing_capacity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/dart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dart.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o Hera:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.heramission.space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hera_(space_mission)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As v\u00e1rias caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas observadas em Didymos ajudaram os investigadores a contar a hist\u00f3ria das origens do objeto. 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