{"id":7191,"date":"2024-08-02T06:21:00","date_gmt":"2024-08-02T05:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7191"},"modified":"2024-08-02T06:21:00","modified_gmt":"2024-08-02T05:21:00","slug":"descoberta-de-estrelas-antigas-no-disco-fino-estelar-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/02\/descoberta-de-estrelas-antigas-no-disco-fino-estelar-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Descoberta de estrelas antigas no disco fino estelar da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/media\/images\/old_disc_Sun_old_young_rotation.original.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"974\" height=\"365\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/OQZlhoh3_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7192\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/OQZlhoh3_o.jpg 974w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/OQZlhoh3_o-300x112.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/OQZlhoh3_o-768x288.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 974px) 100vw, 974px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Movimento de rota\u00e7\u00e3o de estrelas jovens (azul) e velhas (vermelho) semelhantes ao Sol (laranja).\nCr\u00e9dito: Imagem de fundo &#8211; NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt (SSC\/Caltech)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aprendizagem de m\u00e1quina lan\u00e7ou uma nova luz sobre a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da nossa Via L\u00e1ctea: uma descoberta surpreendente no que toca \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia, recorrendo a dados da miss\u00e3o Gaia, encontrou um grande n\u00famero de estrelas antigas em \u00f3rbitas semelhantes \u00e0 do nosso Sol. Estas estrelas formaram o disco fino da Via L\u00e1ctea menos de mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, ou seja, v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos antes do que se pensava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Via L\u00e1ctea tem um grande halo, um bojo e uma barra central, um disco espesso e um disco fino. A maioria das estrelas est\u00e1 localizada no chamado disco fino da nossa Via L\u00e1ctea e segue uma rota\u00e7\u00e3o organizada em torno do centro gal\u00e1ctico. As estrelas de meia-idade, como o nosso Sol com 4,6 mil milh\u00f5es de anos, pertencem ao disco fino, que se pensa ter come\u00e7ado a formar-se h\u00e1 cerca de 8 a 10 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea \u00e9 um dos principais objetivos da arqueologia Gal\u00e1ctica. Para tal, s\u00e3o necess\u00e1rios mapas detalhados da Gal\u00e1xia que mostrem as idades, composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e movimentos das estrelas. Estes mapas, conhecidos como mapas crono-qu\u00edmico-cinem\u00e1ticos, ajudam a reconstituir a hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia. A cria\u00e7\u00e3o destes mapas detalhados \u00e9 um desafio porque requer grandes conjuntos de dados de estrelas com idades conhecidas com exatid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma abordagem comum para ultrapassar este desafio \u00e9 o estudo de estrelas muito pobres em metais, que s\u00e3o antigas e fornecem uma janela para os prim\u00f3rdios da Via L\u00e1ctea. As estrelas muito pobres em metais s\u00e3o conhecidas por serem antigas porque se encontram entre as primeiras estrelas a formar-se quando o Universo ainda era maioritariamente composto por hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio, antes de muitos dos elementos mais pesados terem sido criados e distribu\u00eddos por sucessivas gera\u00e7\u00f5es de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando um conjunto de dados da miss\u00e3o Gaia da ESA, uma equipa internacional liderada por astr\u00f3nomos do Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam estudou estrelas na vizinhan\u00e7a solar, at\u00e9 cerca de 3200 anos-luz \u00e0 volta do Sol. Descobriram um n\u00famero surpreendente de estrelas muito antigas nas \u00f3rbitas do disco fino; a maioria delas tem mais de 10 mil milh\u00f5es de anos, algumas at\u00e9 mais de 13 mil milh\u00f5es de anos. Estas estrelas antigas mostram uma grande variedade de composi\u00e7\u00f5es met\u00e1licas: algumas s\u00e3o muito pobres em metais (como esperado), enquanto outras t\u00eam o dobro do conte\u00fado met\u00e1lico do nosso muito mais jovem Sol, indicando que ocorreu um r\u00e1pido enriquecimento de metais na fase inicial da evolu\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d1\/e0\/Y8qhKPXq_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d1\/e0\/Y8qhKPXq_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8220;Pegada&#8221; da amostra Gaia utilizada no estudo, representada por contornos brancos. A regi\u00e3o vermelha mostra a localiza\u00e7\u00e3o de ~200.000 estrelas para as quais foram estimadas idades fi\u00e1veis. Cr\u00e9dito: Imagem de fundo &#8211; NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt (SSC\/Caltech)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas estrelas antigas, no disco, sugerem que a forma\u00e7\u00e3o do disco fino da Via L\u00e1ctea come\u00e7ou muito mais cedo do que se pensava, cerca de 4-5 mil milh\u00f5es de anos antes&#8221;, explica Samir Nepal do Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam e primeiro autor do artigo cient\u00edfico. &#8220;Este estudo tamb\u00e9m mostra que a nossa Gal\u00e1xia teve uma forma\u00e7\u00e3o estelar intensa nas primeiras \u00e9pocas, o que levou a um enriquecimento muito r\u00e1pido de metais nas regi\u00f5es interiores e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do disco. Esta descoberta alinha a cronologia da forma\u00e7\u00e3o do disco da Via L\u00e1ctea com a de gal\u00e1xias de alto desvio para o vermelho observadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e pelo radiotelesc\u00f3pio ALMA (Atacama Large Millimeter Array). Isto indica que os discos frios podem formar-se e estabilizar-se muito cedo na hist\u00f3ria do Universo, fornecendo novos conhecimentos sobre a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo sugere que o disco fino da Via L\u00e1ctea pode ter sido formado muito antes do que pens\u00e1vamos e que a sua forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 fortemente relacionada com o enriquecimento qu\u00edmico inicial das regi\u00f5es mais interiores da nossa Gal\u00e1xia&#8221;, explica Cristina Chiappini. &#8220;A combina\u00e7\u00e3o de dados de diferentes fontes e a aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de aprendizagem de m\u00e1quina permitiram-nos aumentar o n\u00famero de estrelas com par\u00e2metros estelares de alta qualidade, um passo fundamental para levar a nossa equipa a estas novas descobertas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 terceira publica\u00e7\u00e3o de dados da miss\u00e3o Gaia. A equipa analisou os par\u00e2metros estelares de mais de 800.000 estrelas utilizando um novo m\u00e9todo de aprendizagem de m\u00e1quina que combina informa\u00e7\u00f5es de diferentes tipos de dados para fornecer par\u00e2metros estelares melhorados e com elevada precis\u00e3o. Estas medi\u00e7\u00f5es exatas incluem a gravidade, a temperatura, o conte\u00fado met\u00e1lico, as dist\u00e2ncias, a cinem\u00e1tica e a idade das estrelas. No futuro, ser\u00e1 utilizada uma t\u00e9cnica de aprendizagem de m\u00e1quina semelhante para analisar milh\u00f5es de espetros, recolhidos pelo levantamento 4MIDABLE-LR (4MOST Milky Way Disk and Bulge Low-Resolution Survey) com o 4MOST (4-metre Multi-Object Spectroscopic Telescope), que entrar\u00e1 em funcionamento em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/news\/uralte-sterne-auf-der-milchstrasse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202449445\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2402.00561\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Metalicidade:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Metallicity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4MIDABLE-LR (4MOST Milky Way Disk and Bulge Low-Resolution Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/research\/projects\/4midable-lr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4MOST (4-metre Multi-Object Spectroscopic Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/develop\/instruments\/4MOST.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.4most.eu\/cms\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/research\/projects\/4most\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimento de rota\u00e7\u00e3o de estrelas jovens (azul) e velhas (vermelho) semelhantes ao Sol (laranja). Cr\u00e9dito: Imagem de fundo &#8211; NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt (SSC\/Caltech) A aprendizagem de m\u00e1quina lan\u00e7ou uma nova luz sobre a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da nossa Via L\u00e1ctea: uma descoberta surpreendente no que toca \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia, recorrendo a dados da miss\u00e3o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7192,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1,59],"tags":[1799,311,1250,180],"class_list":["post-7191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-4most","tag-gaia","tag-metalicidade","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7191"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7193,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7191\/revisions\/7193"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}