{"id":7187,"date":"2024-08-02T06:16:14","date_gmt":"2024-08-02T05:16:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7187"},"modified":"2024-08-02T06:17:16","modified_gmt":"2024-08-02T05:17:16","slug":"a-rotacao-de-uma-estrela-proxima-surpreende-os-astronomos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/02\/a-rotacao-de-uma-estrela-proxima-surpreende-os-astronomos\/","title":{"rendered":"A rota\u00e7\u00e3o de uma estrela pr\u00f3xima surpreende os astr\u00f3nomos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7188\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/J4ORHuwY_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A estrela vizinha V889 Herculis gira mais depressa a uma latitude de cerca de 40 graus.\nCr\u00e9dito: Jani N\u00e4rhi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Astr\u00f3nomos da Universidade de Hels\u00ednquia descobriram que o perfil de rota\u00e7\u00e3o de uma estrela pr\u00f3xima, V889 Herculis, difere consideravelmente do do Sol. A observa\u00e7\u00e3o fornece informa\u00e7\u00f5es sobre a astrof\u00edsica estelar fundamental e ajuda a compreender a atividade solar, as suas manchas e erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sol gira mais rapidamente no equador, ao passo que a rota\u00e7\u00e3o abranda nas latitudes mais elevadas e \u00e9 mais lenta nas regi\u00f5es polares. Mas uma estrela vizinha semelhante ao Sol, V889 Herculis, a cerca de 115 anos-luz de dist\u00e2ncia na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de H\u00e9rcules, gira mais depressa a uma latitude de cerca de 40 graus, enquanto que tanto o equador como as regi\u00f5es polares giram mais lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi observado um perfil de rota\u00e7\u00e3o semelhante em nenhuma outra estrela. O resultado \u00e9 espantoso porque a rota\u00e7\u00e3o estelar tem sido considerada um par\u00e2metro f\u00edsico fundamental bem compreendido, mas tal perfil rotacional n\u00e3o foi previsto nem mesmo em simula\u00e7\u00f5es computacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aplic\u00e1mos uma t\u00e9cnica estat\u00edstica recentemente desenvolvida aos dados de uma estrela conhecida que tem sido estudada na Universidade de Hels\u00ednquia h\u00e1 anos. N\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera de ver tais anomalias na rota\u00e7\u00e3o estelar. As anomalias no perfil de rota\u00e7\u00e3o de V889 Herculis indicam que a nossa compreens\u00e3o da din\u00e2mica estelar e dos d\u00ednamos magn\u00e9ticos \u00e9 insuficiente&#8221;, explica o investigador Mikko Tuomi, que coordenou a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Din\u00e2mica de uma bola de plasma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estrela alvo, V889 Herculis, \u00e9 muito parecida com um jovem Sol, contando uma hist\u00f3ria sobre a hist\u00f3ria e a evolu\u00e7\u00e3o da nossa estrela. Tuomi salienta que \u00e9 crucial compreender a astrof\u00edsica estelar para, por exemplo, prever fen\u00f3menos induzidos pela atividade na superf\u00edcie solar, como manchas e erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas s\u00e3o estruturas esf\u00e9ricas onde a mat\u00e9ria se encontra no estado de plasma, constitu\u00eddo por part\u00edculas carregadas. S\u00e3o objetos din\u00e2micos que se encontram num equil\u00edbrio entre a press\u00e3o gerada pelas rea\u00e7\u00f5es nucleares nos seus n\u00facleos e a sua pr\u00f3pria gravidade. Ao contr\u00e1rio de muitos planetas, n\u00e3o t\u00eam superf\u00edcies s\u00f3lidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A rota\u00e7\u00e3o estelar n\u00e3o \u00e9 constante em todas as latitudes &#8211; um efeito conhecido como rota\u00e7\u00e3o diferencial. \u00c9 causado pelo facto de o plasma quente subir \u00e0 superf\u00edcie da estrela atrav\u00e9s de um fen\u00f3meno chamado convec\u00e7\u00e3o, que por sua vez tem um efeito na rota\u00e7\u00e3o local. Isto porque o momento angular tem de ser conservado e a convec\u00e7\u00e3o ocorre perpendicularmente ao eixo de rota\u00e7\u00e3o perto do equador, ao passo que \u00e9 paralela ao eixo perto dos polos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, muitos factores como a massa estelar, a idade, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o e o campo magn\u00e9tico t\u00eam efeitos sobre a rota\u00e7\u00e3o e d\u00e3o origem a varia\u00e7\u00f5es nos perfis de rota\u00e7\u00e3o diferenciais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um m\u00e9todo estat\u00edstico para determinar o perfil de rota\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Thomas Hackman, docente de astronomia, que participou na investiga\u00e7\u00e3o, explica que o Sol tem sido a \u00fanica estrela para a qual tem sido poss\u00edvel estudar o perfil de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A rota\u00e7\u00e3o diferencial estelar \u00e9 um factor crucial que tem um efeito na atividade magn\u00e9tica das estrelas. O m\u00e9todo que desenvolvemos abre uma nova janela para o funcionamento interno de outras estrelas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos do Departamento de F\u00edsica de Part\u00edculas e Astrof\u00edsica da Universidade de Hels\u00ednquia determinaram o perfil rotacional de duas estrelas jovens pr\u00f3ximas aplicando uma nova modela\u00e7\u00e3o estat\u00edstica a observa\u00e7\u00f5es de brilho de longa linha de base. Os investigadores modelaram as varia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas nas observa\u00e7\u00f5es, tendo em conta as diferen\u00e7as no movimento aparente das manchas em diferentes latitudes. O movimento das manchas permitiu ent\u00e3o estimar o perfil rotacional das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda das estrelas-alvo, LQ Hydrae, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Hidra, est\u00e1 a girar como um corpo r\u00edgido &#8211; a rota\u00e7\u00e3o parece inalterada desde o equador at\u00e9 aos polos, o que indica que as diferen\u00e7as s\u00e3o muito pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio de Fairborn<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores baseiam os seus resultados nas observa\u00e7\u00f5es das estrelas alvo realizadas com o observat\u00f3rio de Fairborn. O brilho das estrelas tem sido monitorizado com telesc\u00f3pios rob\u00f3ticos h\u00e1 cerca de 30 anos, o que permite conhecer o comportamento das estrelas durante um longo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tuomi agradece o trabalho do astr\u00f3nomo s\u00e9nior Gregory Henry, da Universidade do Tennessee, EUA, que lidera a campanha de observa\u00e7\u00e3o de Fairborn.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao longo de muitos anos, o projeto de Greg tem sido extremamente valioso para compreender o comportamento de estrelas pr\u00f3ximas. Quer a motiva\u00e7\u00e3o seja estudar a rota\u00e7\u00e3o e as propriedades de estrelas jovens e ativas ou compreender a natureza de estrelas com planetas, as observa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio de Fairborn t\u00eam sido absolutamente cruciais. \u00c9 espantoso que, mesmo na era dos grandes observat\u00f3rios espaciais, possamos obter informa\u00e7\u00f5es fundamentais sobre a astrof\u00edsica estelar com pequenos telesc\u00f3pios terrestres de 40 cm&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas alvo, V889 Herculis e LQ Hydrae, s\u00e3o ambas estrelas com cerca de 50 milh\u00f5es de anos que, em muitos aspetos, se assemelham ao jovem Sol. Ambas giram muito depressa, com per\u00edodos de rota\u00e7\u00e3o de apenas cerca de um dia e meio. Por esta raz\u00e3o, as observa\u00e7\u00f5es de brilho de longa linha de base cont\u00eam muitos ciclos de rota\u00e7\u00e3o. As estrelas foram selecionadas como alvos porque s\u00e3o observadas h\u00e1 d\u00e9cadas e porque ambas t\u00eam sido estudadas ativamente na Universidade de Hels\u00ednquia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.helsinki.fi\/en\/news\/space\/rotation-nearby-star-stuns-astronomers\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Hels\u00ednquia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202449861\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>V889 Herculis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-basic?Ident=V889+Herculis&amp;submit=SIMBAD+search\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LQ Hydrae:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=LQ+Hya\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LQ_Hydrae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rota\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_rotation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de Fairborn:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.fairborninstitute.org\/astronomy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estrela vizinha V889 Herculis gira mais depressa a uma latitude de cerca de 40 graus. 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