{"id":7131,"date":"2024-07-12T06:17:59","date_gmt":"2024-07-12T05:17:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7131"},"modified":"2024-07-12T06:18:00","modified_gmt":"2024-07-12T05:18:00","slug":"as-origens-dos-cometas-escuros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/07\/12\/as-origens-dos-cometas-escuros\/","title":{"rendered":"As origens dos cometas escuros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o-1024x574.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7132\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o-300x168.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o-768x430.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/KOQpG0OH_o.jpg 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de um cometa a flutuar pelo espa\u00e7o.\nCr\u00e9dito: Nicole Smith, ferramenta Midjourney<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com um estudo da Universidade de Michigan, at\u00e9 60% dos objetos pr\u00f3ximos da Terra poder\u00e3o ser cometas escuros, asteroides misteriosos que orbitam o Sol e que provavelmente cont\u00eam ou j\u00e1 contiveram gelo, podendo ter sido uma das vias de transporte de \u00e1gua para a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Aster Taylor, estudante de astronomia e principal autor do estudo, os resultados sugerem que os asteroides da cintura principal, uma regi\u00e3o do Sistema Solar situada entre Marte e J\u00fapiter que cont\u00e9m grande parte dos asteroides rochosos, t\u00eam gelo no subsolo, algo de que se suspeitava desde a d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m mostra um potencial percurso para a entrega de gelo no Sistema Solar pr\u00f3ximo da Terra, diz Taylor. A forma como a Terra obteve a sua \u00e1gua \u00e9 uma quest\u00e3o de longa data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o sabemos se estes cometas escuros trouxeram \u00e1gua para a Terra. N\u00e3o podemos afirmar isso. Mas podemos dizer que ainda h\u00e1 um debate sobre como exatamente a \u00e1gua da Terra chegou at\u00e9 aqui&#8221;, disse Taylor. &#8220;O trabalho que fizemos mostrou que este \u00e9 outro caminho para trazer gelo de algures do resto do Sistema Solar para o ambiente da Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o sugere ainda que um dos grandes objetos pode vir dos cometas da fam\u00edlia de J\u00fapiter, cometas cujas \u00f3rbitas os levam para perto do planeta J\u00fapiter. Os resultados da equipa foram publicados na revista Icarus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cometas escuros s\u00e3o um tanto ou quanto misteriosos porque combinam caracter\u00edsticas de asteroides e cometas. Os asteroides s\u00e3o corpos rochosos sem gelo que orbitam mais perto do Sol, normalmente dentro daquilo a que se chama a linha de gelo. Isto significa que est\u00e3o suficientemente perto do Sol para que qualquer gelo que o asteroide possa ter transportado tenha sido sublimado, transformado de gelo s\u00f3lido diretamente em g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cometas s\u00e3o corpos gelados que apresentam uma cabeleira difusa, uma nuvem que frequentemente rodeia um cometa. O gelo sublimado transporta consigo poeira, criando a nuvem. Al\u00e9m disso, os cometas t\u00eam normalmente ligeiras acelera\u00e7\u00f5es impulsionadas n\u00e3o pela gravidade, mas pela sublima\u00e7\u00e3o do gelo, chamadas acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo examinou sete cometas escuros e estima que entre 0,5% e 60% de todos os objetos pr\u00f3ximos da Terra possam ser cometas escuros, que n\u00e3o t\u00eam cabeleiras, mas t\u00eam acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais. Os investigadores sugerem tamb\u00e9m que estes cometas escuros prov\u00eam provavelmente da cintura de asteroides e, como estes cometas escuros t\u00eam acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais, os resultados do estudo sugerem que os asteroides da cintura de asteroides cont\u00eam gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensamos que estes objetos vieram da cintura de asteroides principal interna e\/ou externa, e a implica\u00e7\u00e3o disso \u00e9 que este \u00e9 outro mecanismo para levar algum gelo para o Sistema Solar interior&#8221;, disse Taylor. &#8220;Pode haver mais gelo na cintura principal interna do que pens\u00e1vamos. Pode haver mais objetos como este por a\u00ed. Esta pode ser uma fra\u00e7\u00e3o significativa da popula\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima. N\u00e3o sabemos realmente, mas temos muitas mais perguntas devido a estas descobertas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em trabalhos anteriores, uma equipa de investigadores, incluindo Taylor, identificou acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais num conjunto de objetos pr\u00f3ximos da Terra, designando-os por &#8220;cometas escuros&#8221;. Determinaram que as acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais dos cometas escuros s\u00e3o provavelmente o resultado de pequenas quantidades de gelo sublimado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No trabalho atual, Taylor e os colegas queriam descobrir de onde vinham os cometas escuros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os objetos pr\u00f3ximos da Terra n\u00e3o permanecem muito tempo nas suas \u00f3rbitas atuais porque o ambiente pr\u00f3ximo da Terra \u00e9 confuso&#8221;, disseram. &#8220;S\u00f3 permanecem no ambiente pr\u00f3ximo da Terra durante cerca de 10 milh\u00f5es de anos. Dado que o Sistema Solar \u00e9 muito mais antigo do que isso, isso significa que os objetos pr\u00f3ximos da Terra v\u00eam de algum lado &#8211; que estamos constantemente a ser alimentados com objetos pr\u00f3ximos da Terra a partir de outra fonte muito maior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para determinar a origem desta popula\u00e7\u00e3o de cometas escuros, Taylor e os seus coautores criaram modelos din\u00e2micos que atribu\u00edram acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais a objetos de diferentes popula\u00e7\u00f5es. Depois, modelaram o percurso que estes objetos seguiriam, dadas as acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais atribu\u00eddas, durante um per\u00edodo de 100.000 anos. Os investigadores observaram que muitos destes objetos acabaram onde hoje se encontram cometas escuros e descobriram que, de todas as potenciais fontes, a cintura principal de asteroides \u00e9 o local de origem mais prov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos cometas escuros, chamado 2003 RM, que passa numa \u00f3rbita el\u00edptica perto da Terra, depois vai at\u00e9 J\u00fapiter e volta a passar pela Terra, segue o mesmo caminho que seria esperado de um cometa da fam\u00edlia de J\u00fapiter, diz Taylor &#8211; ou seja, a sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 consistente com um cometa que foi impulsado para dentro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, o estudo conclui que o resto dos cometas escuros provavelmente vieram da banda interior da cintura de asteroides. Uma vez que os cometas escuros t\u00eam provavelmente gelo, isto mostra que o gelo est\u00e1 presente na cintura principal interna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, os investigadores aplicaram uma teoria previamente sugerida \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o de cometas escuros para determinar porque \u00e9 que os objetos s\u00e3o t\u00e3o pequenos e giram t\u00e3o rapidamente. Os cometas s\u00e3o estruturas rochosas unidas por gelo &#8211; imagine um cubo de gelo sujo, diz Taylor. Quando s\u00e3o impulsionados para dentro da linha de gelo do Sistema Solar, esse gelo come\u00e7a a libertar g\u00e1s. Isto provoca a acelera\u00e7\u00e3o do objeto, mas tamb\u00e9m pode fazer com que o objeto gire muito depressa &#8211; depressa o suficiente para que o objeto se parta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes peda\u00e7os tamb\u00e9m ter\u00e3o gelo sobre eles, pelo que tamb\u00e9m v\u00e3o girar cada vez mais depressa at\u00e9 se partirem em mais peda\u00e7os&#8221;, disse Taylor. &#8220;Podem continuar a fazer isto \u00e0 medida que v\u00e3o ficando cada vez mais pequenos. O que sugerimos \u00e9 que a forma de obter estes objetos pequenos e de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e9 pegar em alguns objetos maiores e parti-los em peda\u00e7os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando isto acontece, os objetos continuam a perder o seu gelo, ficam ainda mais pequenos e giram ainda mais rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores pensam que, tendo em conta que o cometa escuro maior, 2003 RM, era provavelmente um objeto de maiores dimens\u00f5es que foi expulso da cintura principal exterior, os outros seis objetos que estavam a examinar vieram provavelmente da cintura principal interior e foram formados por um objeto que tinha sido impulsionado para dentro e que depois se fragmentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/the-origins-of-dark-comets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0019103524002677\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2407.01839\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid_belt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cintura de asteroides (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Comet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/profile.cfm?Object=Comets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroides:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/asteroids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de um cometa a flutuar pelo espa\u00e7o. 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