{"id":7128,"date":"2024-07-09T06:28:01","date_gmt":"2024-07-09T05:28:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7128"},"modified":"2024-07-09T06:28:02","modified_gmt":"2024-07-09T05:28:02","slug":"tecnologia-reutilizada-para-sondar-novas-regioes-da-atmosfera-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/07\/09\/tecnologia-reutilizada-para-sondar-novas-regioes-da-atmosfera-de-marte\/","title":{"rendered":"Tecnologia reutilizada para sondar novas regi\u00f5es da atmosfera de Marte"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.imperial.ac.uk\/ImageCropToolT4\/imageTool\/uploaded-images\/newseventsimage_1720181380453_mainnews2012_x4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"706\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o-1024x706.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7129\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o-1024x706.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o-300x207.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o-768x530.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o-110x75.jpg 110w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ECcbvraF_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem que exemplifica uma oculta\u00e7\u00e3o m\u00fatua de r\u00e1dio entre as duas naves espaciais em \u00f3rbita de Marte.\nCr\u00e9dito: Col\u00e9gio Imperial de Londres<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma antena da sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) ganhou uma nova vida, ajudando os investigadores a se debru\u00e7ar na atmosfera marciana como nunca antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reutilizando este equipamento, uma equipa mediu partes da atmosfera marciana que anteriormente eram imposs\u00edveis de sondar. Isto inclui \u00e1reas que podem bloquear os sinais de r\u00e1dio se n\u00e3o forem devidamente consideradas &#8211; cruciais para futuras miss\u00f5es tripuladas a Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados das primeiras 83 medi\u00e7\u00f5es, analisadas por investigadores do Col\u00e9gio Imperial de Londres e por colegas da ESA, foram publicados na revista Radio Science.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para tal, a ExoMars TGO associou-se a outra nave espacial da ESA que orbita o Planeta Vermelho: a Mars Express. As duas naves mant\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio, de modo que quando uma passa por tr\u00e1s do planeta, as ondas de r\u00e1dio atravessam as camadas mais profundas da atmosfera marciana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Altera\u00e7\u00f5es na refratividade da atmosfera &#8211; a forma como esta dobra as ondas de r\u00e1dio &#8211; provocam mudan\u00e7as min\u00fasculas, mas detet\u00e1veis, nas frequ\u00eancias de r\u00e1dio recebidas pela nave espacial. Ao analisar esta mudan\u00e7a, os cientistas podem determinar a densidade da atmosfera inferior e a densidade de eletr\u00f5es na ionosfera &#8211; uma camada superior carregada da atmosfera. A t\u00e9cnica chama-se oculta\u00e7\u00e3o m\u00fatua de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor principal do estudo, Jacob Parrott, estudante de doutoramento do Departamento de F\u00edsica da institui\u00e7\u00e3o inglesa, afirmou: &#8220;Os sistemas da Mars Express e da ExoMars TGO n\u00e3o foram inicialmente concebidos para este efeito &#8211; as antenas de r\u00e1dio que utiliz\u00e1mos foram concebidas para a comunica\u00e7\u00e3o entre orbitadores e rovers \u00e0 superf\u00edcie do planeta. Tivemos de as reprogramar durante o voo para realizar esta nova ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta t\u00e9cnica inovadora pode vir a ser um fator de mudan\u00e7a para futuras miss\u00f5es, provando que a oculta\u00e7\u00e3o m\u00fatua de r\u00e1dio entre duas naves espaciais em \u00f3rbita \u00e9 uma forma econ\u00f3mica de extrair mais valor cient\u00edfico do equipamento existente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trabalho de equipa de sonho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anteriormente, a oculta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio era efetuada utilizando a liga\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio de um orbitador marciano a grandes esta\u00e7\u00f5es terrestres na Terra. O sinal de r\u00e1dio do orbitador era monitorizado \u00e0 medida que a nave espacial se &#8220;instalava&#8221; (era ocultada) atr\u00e1s de Marte, o que significa que o sinal passava atrav\u00e9s das camadas da atmosfera do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A utiliza\u00e7\u00e3o de duas naves em \u00f3rbita para efetuar esta medi\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 uma forma comum de investigar a atmosfera terrestre: milhares de medi\u00e7\u00f5es deste tipo ocorrem entre sat\u00e9lites de navega\u00e7\u00e3o global, sendo os dados que fornecem utilizados para monitoriza\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e previs\u00e3o meteorol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, este m\u00e9todo s\u00f3 tinha sido utilizado em Marte tr\u00eas vezes antes, pela NASA em 2007 como demonstra\u00e7\u00e3o de hardware. A nova utiliza\u00e7\u00e3o pelas duas naves espaciais da ESA marca a primeira vez que esta t\u00e9cnica foi aplicada rotineiramente noutro planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora que a sua viabilidade foi comprovada, os cientistas e engenheiros por detr\u00e1s do trabalho est\u00e3o a estudar a forma de expandir a utiliza\u00e7\u00e3o desta t\u00e9cnica em futuras miss\u00f5es a Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coautor do estudo, Dr. Colin Wilson, cientista do projeto ExoMars TGO e Mars Express da ESA, afirmou: &#8220;A ESA demonstrou agora a viabilidade desta t\u00e9cnica, que poder\u00e1 ser transformadora para a ci\u00eancia de Marte no futuro. Existem atualmente sete naves espaciais em \u00f3rbita de Marte; \u00e0 medida que o n\u00famero de naves espaciais aumenta, como acontecer\u00e1 nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, o n\u00famero de oportunidades de oculta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio aumenta rapidamente. Por conseguinte, esta t\u00e9cnica ser\u00e1 uma ferramenta cada vez mais importante para estudar Marte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais medi\u00e7\u00f5es, mais conhecimentos<\/strong><br><br>A oculta\u00e7\u00e3o entre naves espaciais permite efetuar mais medi\u00e7\u00f5es e sondar novas regi\u00f5es da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que as medi\u00e7\u00f5es convencionais de oculta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio em Marte envolvem uma liga\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio a uma esta\u00e7\u00e3o terrestre na Terra, o local de medi\u00e7\u00e3o \u00e9 fixo em rela\u00e7\u00e3o ao lento movimento da Terra. Isto dificulta a capta\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as globais em Marte, uma vez que os investigadores est\u00e3o frequentemente a olhar para os mesmos pontos. Para al\u00e9m disso, este m\u00e9todo s\u00f3 pode recolher amostras perto do p\u00f4r e do nascer do Sol, devido \u00e0 proximidade da Terra ao Sol, limitando a nossa vis\u00e3o da atmosfera de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a r\u00e1dio oculta\u00e7\u00e3o tradicional sofre de &#8220;esta\u00e7\u00f5es de oculta\u00e7\u00e3o&#8221;, em que as medi\u00e7\u00f5es s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis durante alguns meses por ano devido \u00e0 \u00f3rbita da nave espacial. Por exemplo, a Mars Express s\u00f3 p\u00f4de efetuar a oculta\u00e7\u00e3o r\u00e1dio durante dois meses em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A oculta\u00e7\u00e3o m\u00fatua de r\u00e1dio ultrapassa estes problemas, permitindo pela primeira vez aos investigadores explorar toda a profundidade da ionosfera de Marte ao meio-dia e \u00e0 meia-noite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imperial.ac.uk\/news\/254654\/repurposed-technology-used-probe-regions-mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Col\u00e9gio Imperial de Londres (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2023RS007873\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Radio Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ExoMars TGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exploration.esa.int\/mars\/46124-mission-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ExoMars_Trace_Gas_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Express:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem que exemplifica uma oculta\u00e7\u00e3o m\u00fatua de r\u00e1dio entre as duas naves espaciais em \u00f3rbita de Marte. 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