{"id":7092,"date":"2024-06-25T06:28:39","date_gmt":"2024-06-25T05:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7092"},"modified":"2024-06-25T06:28:40","modified_gmt":"2024-06-25T05:28:40","slug":"cientistas-avistam-companheiras-escondidas-de-estrelas-brilhantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/06\/25\/cientistas-avistam-companheiras-escondidas-de-estrelas-brilhantes\/","title":{"rendered":"Cientistas avistam companheiras &#8220;escondidas&#8221; de estrelas brilhantes"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2024\/06\/artist_impression_of_a_brown_dwarf_orbiting_close_to_a_bright_star\/26167012-1-eng-GB\/Artist_impression_of_a_brown_dwarf_orbiting_close_to_a_bright_star.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-1024x512.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7093\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o-1050x525.jpg 1050w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ZBQe1u7r_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de uma an\u00e3 castanha a orbitar perto de uma estrela brilhante.\nCr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o de objetos t\u00e9nues perto de estrelas brilhantes \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil. No entanto, ao combinar dados do telesc\u00f3pio espacial Gaia da ESA com o instrumento GRAVITY do ESO no solo, os cientistas conseguiram exatamente isso. Capturaram os primeiros sinais da luz de t\u00e9nues companheiras de oito estrelas luminosas, at\u00e9 agora invis\u00edveis. A t\u00e9cnica abre a possibilidade tentadora de captar imagens de planetas que orbitam perto das suas estrelas hospedeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 alguma vez tentou fotografar um pirilampo junto a um candeeiro de rua? O mais prov\u00e1vel \u00e9 que tudo o que veja na sua fotografia seja o brilho do candeeiro. Este \u00e9 o mesmo problema com que se deparam os astr\u00f3nomos que procuram estrelas t\u00e9nues e pequenas ou planetas junto a uma estrela brilhante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para resolver o problema, uma equipa internacional de astr\u00f3nomos liderada por Thomas Winterhalder, cientista do ESO, come\u00e7ou por pesquisar o cat\u00e1logo produzido pelo Gaia, que lista centenas de milhares de estrelas que se suspeita terem uma companheira. Embora os objetos companheiros n\u00e3o sejam suficientemente brilhantes para serem vistos diretamente pelo Gaia, a sua presen\u00e7a provoca pequenas oscila\u00e7\u00f5es nas trajet\u00f3rias das estrelas hospedeiras mais luminosas, que s\u00f3 o Gaia consegue medir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cat\u00e1logo de \u00f3rbitas estelares do Gaia, a equipa identificou oito estrelas que foram alvo do GRAVITY, o interfer\u00f3metro avan\u00e7ado para o infravermelho pr\u00f3ximo do VLT (Very Large Telescope) do ESO, em Cerro Paranal, no Chile. O GRAVITY combina luz infravermelha de diferentes telesc\u00f3pios para captar pequenos detalhes em objetos t\u00e9nues, numa t\u00e9cnica chamada interferometria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Jackpot<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as ao olho excecionalmente afiado e sens\u00edvel do GRAVITY, a equipa captou o sinal luminoso de todas as oito companheiras previstas, sete das quais eram previamente desconhecidas. Tr\u00eas das companheiras s\u00e3o estrelas muito pequenas e t\u00e9nues, enquanto as outras cinco s\u00e3o an\u00e3s castanhas. Estas s\u00e3o objetos celestes que se situam entre os planetas e as estrelas: mais massivas do que os planetas mais pesados, mas mais leves e mais t\u00e9nues do que as estrelas mais leves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das an\u00e3s castanhas detetadas neste estudo orbita a sua estrela hospedeira \u00e0 mesma dist\u00e2ncia que a Terra orbita o Sol. Esta \u00e9 a primeira vez que uma an\u00e3 castanha t\u00e3o pr\u00f3xima da sua estrela hospedeira pode ser captada diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Demonstr\u00e1mos que \u00e9 poss\u00edvel captar uma imagem de uma companheira t\u00e9nue, mesmo quando orbita muito perto da sua brilhante hospedeira&#8221;, explica Thomas. &#8220;Este feito real\u00e7a a not\u00e1vel sinergia entre o Gaia e o GRAVITY. S\u00f3 o Gaia pode identificar sistemas t\u00e3o \u00edntimos que albergam uma estrela e uma companheira &#8216;escondida&#8217;, e depois o GRAVITY pode assumir o controlo para obter imagens do objeto mais pequeno e mais t\u00e9nue com uma precis\u00e3o sem precedentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo anterior, os astr\u00f3nomos utilizaram os dados do Gaia e de um observat\u00f3rio terrestre diferente para captar a imagem de um exoplaneta gasoso gigante. Este planeta orbita a sua estrela hospedeira a cerca de 17 vezes a dist\u00e2ncia da Terra ao Sol, tra\u00e7ando um \u00e2ngulo no c\u00e9u consideravelmente mais largo do que a separa\u00e7\u00e3o t\u00edpica das companheiras fotografadas pelo GRAVITY neste novo resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pequenas companheiras inferidas a partir das observa\u00e7\u00f5es Gaia situam-se tipicamente em \u00e2ngulos de separa\u00e7\u00e3o min\u00fasculos, de algumas dezenas de miliarcosegundos, o que corresponde ao tamanho de uma moeda de um euro vista a 100 km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nas nossas observa\u00e7\u00f5es, os dados do Gaia atuam como uma esp\u00e9cie de placa de sinaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, continua Thomas. &#8220;A parte do c\u00e9u que podemos ver com o GRAVITY \u00e9 muito pequena, por isso precisamos de saber para onde olhar. As medi\u00e7\u00f5es precisas e sem paralelo do Gaia, no que toca aos movimentos e posi\u00e7\u00f5es das estrelas, s\u00e3o essenciais para apontar o nosso instrumento na dire\u00e7\u00e3o certa no c\u00e9u&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Equipa de sonho<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2022\/06\/gaia_observes_the_milky_way\/24305944-1-eng-GB\/Gaia_observes_the_Milky_Way.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ed\/40\/FMBgRc66_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite Gaia da ESA a observar a Via L\u00e1ctea. A imagem de fundo do c\u00e9u \u00e9 compilada a partir de dados de mais de 1,8 mil milh\u00f5es de estrelas. Mostra o brilho total e a cor das estrelas observadas pelo Gaia, divulgados como parte do EDR3 (Early Data Release 3) do Gaia em dezembro de 2020.<br>Cr\u00e9dito: sat\u00e9lite &#8211; ESA\/ATG medialab; Via L\u00e1ctea &#8211; ESA\/Gaia\/DPAC; reconhecimento &#8211; A. Moitinho<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A complementaridade do Gaia e do GRAVITY vai al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o dos dados do telesc\u00f3pio espacial para planear observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento e permitir dete\u00e7\u00f5es. Ao combinar os dois conjuntos de dados, os cientistas conseguiram &#8220;pesar&#8221; os objetos celestes individuais separadamente e distinguir a massa da estrela hospedeira e a da respetiva companheira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O GRAVITY tamb\u00e9m mediu o contraste entre a companheira e a estrela hospedeira numa s\u00e9rie de comprimentos de onda infravermelhos. Em combina\u00e7\u00e3o com as estimativas da massa, este conhecimento permitiu \u00e0 equipa avaliar a idade das companheiras. Surpreendentemente, duas das an\u00e3s castanhas revelaram-se menos luminosas do que seria de esperar dado o seu tamanho e idade. Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o pode ser o facto das pr\u00f3prias an\u00e3s terem uma companheira ainda mais pequena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c0 procura de exoplanetas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo demonstrado o poder do conjunto Gaia-GRAVITY, os cientistas est\u00e3o agora a procurar potenciais companheiros planet\u00e1rios das estrelas listadas no cat\u00e1logo Gaia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A capacidade de detetar os pequenos movimentos de pares pr\u00f3ximos no c\u00e9u \u00e9 \u00fanica para a miss\u00e3o Gaia. O pr\u00f3ximo cat\u00e1logo, que ser\u00e1 disponibilizado como parte do quarto lan\u00e7amento de dados (DR4), conter\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o ainda mais rica de estrelas com companheiras potencialmente mais pequenas&#8221;, comenta Johannes Sahlmann, cientista Gaia da ESA. &#8220;Este resultado abre novos caminhos na procura de planetas na nossa Gal\u00e1xia e promete-nos vislumbres de novos mundos distantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Gaia\/Scientists_spot_hidden_companions_of_bright_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202450018\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2403.13055\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1048863\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/gaia-space-telescope-hidden-stellar-companions\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-06-scientists-hidden-companions-bright-stars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/telescopes\/vlti.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">VLTI (ESO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/instruments\/gravity.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GRAVITY (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de uma an\u00e3 castanha a orbitar perto de uma estrela brilhante. 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