{"id":7090,"date":"2024-06-25T06:25:50","date_gmt":"2024-06-25T05:25:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7090"},"modified":"2024-06-25T06:25:50","modified_gmt":"2024-06-25T05:25:50","slug":"porque-e-que-os-cientistas-estao-intrigados-com-o-ar-nos-tubos-de-amostras-do-rover-perseverance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/06\/25\/porque-e-que-os-cientistas-estao-intrigados-com-o-ar-nos-tubos-de-amostras-do-rover-perseverance\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que os cientistas est\u00e3o intrigados com o ar nos tubos de amostras do rover Perseverance?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/zbudXfM.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/zbudXfM.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O rover Perseverance da NASA viu estes diabos de poeira a rodopiar pela superf\u00edcie de Marte no dia 20 de julho de 2021. Os cientistas querem estudar o ar aprisionado em amostras que est\u00e3o a ser recolhidas em tubos met\u00e1licos pelo Perseverance. Essas amostras de ar poder\u00e3o ajud\u00e1-los a compreender melhor a atmosfera marciana.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os cientistas atmosf\u00e9ricos ficam um pouco mais entusiasmados com cada amostra rochosa que o rover Perseverance da NASA sela nos seus tubos de tit\u00e2nio, que est\u00e3o a ser recolhidos para eventual entrega \u00e0 Terra como parte da campanha MSR (Mars Sample Return). At\u00e9 \u00e0 data, foram recolhidas vinte e quatro amostras.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dessas amostras consiste em n\u00facleos de rocha ou reg\u00f3lito (rocha quebrada e poeira) que podem revelar informa\u00e7\u00f5es importantes sobre a hist\u00f3ria do planeta e se a vida microbiana esteve presente h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Mas alguns cientistas est\u00e3o igualmente entusiasmados com a perspetiva de estudar, nos tubos, o ar no espa\u00e7o extra \u00e0 volta do material rochoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Querem saber mais sobre a atmosfera marciana, que \u00e9 composta maioritariamente por di\u00f3xido de carbono, mas que tamb\u00e9m pode incluir vest\u00edgios de outros gases que podem ter existido desde a forma\u00e7\u00e3o do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As amostras do ar de Marte dir-nos-\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 mais sobre o clima e sobre a atmosfera atuais, mas tamb\u00e9m sobre como tem mudado ao longo do tempo&#8221;, disse Brandi Carrier, cientista planet\u00e1ria do JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;Ajudar-nos-\u00e1 a compreender como climas diferentes do nosso evoluem&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b5\/de\/wFan2Z3k_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b5\/de\/wFan2Z3k_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra um n\u00facleo de rocha, com o tamanho aproximado de um peda\u00e7o de giz, num tubo de amostra alojado na broca do rover Perseverance da NASA. Assim que o rover sela o tubo, o ar fica preso no espa\u00e7o extra &#8211; visto aqui no pequeno espa\u00e7o vazio por cima da rocha.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/ASU\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>O valor do &#8220;espa\u00e7o vazio&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as amostras que podem ser trazidas para a Terra est\u00e1 um tubo cheio apenas com g\u00e1s, colocado na superf\u00edcie marciana como parte de um dep\u00f3sito de amostras. Mas a maior parte do g\u00e1s da cole\u00e7\u00e3o do rover est\u00e1 no espa\u00e7o vazio das amostras rochosas. Estas s\u00e3o \u00fanicas porque o g\u00e1s estar\u00e1 a interagir com o material rochoso no interior dos tubos durante anos antes das amostras poderem ser abertas e analisadas em laborat\u00f3rios na Terra. O que os cientistas recolherem destas amostras vai dar uma ideia da quantidade de vapor de \u00e1gua que paira perto da superf\u00edcie marciana, um factor que determina a raz\u00e3o pela qual o gelo se forma onde se forma no planeta e como o ciclo da \u00e1gua em Marte tem evolu\u00eddo ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m querem compreender melhor os gases vestigiais no ar de Marte. Os mais fascinantes, do ponto de vista cient\u00edfico, seriam a dete\u00e7\u00e3o de gases nobres (como o n\u00e9on, o \u00e1rgon e o x\u00e9non), que s\u00e3o t\u00e3o pouco reativos que podem ter estado presentes, inalterados na atmosfera, desde a sua forma\u00e7\u00e3o h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Se forem capturados, esses gases podem revelar se Marte come\u00e7ou com uma atmosfera (o antigo Marte tinha uma atmosfera muito mais espessa do que a atual, mas os cientistas n\u00e3o t\u00eam a certeza se esta esteve sempre presente ou se se desenvolveu mais tarde). H\u00e1 tamb\u00e9m grandes quest\u00f5es sobre a compara\u00e7\u00e3o entre a atmosfera antiga do planeta e a da Terra primitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o espa\u00e7o vazio permitiria avaliar o tamanho e a toxicidade das part\u00edculas de poeira &#8211; informa\u00e7\u00e3o que ajudar\u00e1 os futuros astronautas em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As amostras de g\u00e1s t\u00eam muito para oferecer aos cientistas de Marte&#8221;, disse Justin Simon, geoqu\u00edmico do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, que faz parte de um grupo de mais de uma d\u00fazia de especialistas internacionais que ajudam a decidir quais as amostras que o rover deve recolher. &#8220;At\u00e9 os cientistas que n\u00e3o estudam Marte estariam interessados, porque isso vai lan\u00e7ar luz sobre a forma como os planetas se formam e evoluem.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c5\/97\/zYT9JFfW_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c5\/97\/zYT9JFfW_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um tubo selado contendo uma amostra da superf\u00edcie marciana recolhida pelo rover Perseverance da NASA, depois de ter sido depositado com outros tubos num &#8220;dep\u00f3sito de amostras&#8221;. Outros tubos de amostras, cheios, est\u00e3o armazenados no interior do rover.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Amostras de ar da Apollo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, um grupo de investigadores planet\u00e1rios, incluindo cientistas da NASA, estudou o ar trazido da Lua num contentor de a\u00e7o pelos astronautas da Apollo 17, cerca de 50 anos antes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas pensam que a Lua n\u00e3o tem ar, mas tem uma atmosfera muito t\u00e9nue que interage com as rochas da superf\u00edcie lunar ao longo do tempo&#8221;, disse Simon, que estuda uma variedade de amostras planet\u00e1rias no Centro Espacial Johnson. &#8220;Isto inclui os gases nobres que saem do interior da Lua e se acumulam na superf\u00edcie lunar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como a equipa de Simon extraiu o g\u00e1s para estudo \u00e9 semelhante ao que poderia ser feito com as amostras de ar do rover Perseverance. Primeiro, colocaram o recipiente fechado numa caixa herm\u00e9tica. Depois, perfuraram o a\u00e7o com uma agulha para extrair o g\u00e1s para uma &#8220;armadilha fria&#8221; &#8211; essencialmente um tubo em forma de U que se estende para um l\u00edquido, como o azoto, com um ponto de congela\u00e7\u00e3o baixo. Ao alterar a temperatura do l\u00edquido, os cientistas capturaram alguns dos gases com pontos de congela\u00e7\u00e3o mais baixos no fundo da armadilha fria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existem talvez 25 laborat\u00f3rios no mundo que manipulam gases desta forma&#8221;, disse Simon. Para al\u00e9m de ser utilizada para estudar a origem de materiais planet\u00e1rios, esta abordagem pode ser aplicada a gases de fontes termais e aos emitidos pelas paredes de vulc\u00f5es ativos, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que essas fontes fornecem muito mais g\u00e1s do que o Perseverance tem nos seus tubos de amostragem. Mas se um \u00fanico tubo n\u00e3o contiver g\u00e1s suficiente para uma determinada experi\u00eancia, os cientistas de Marte podem combinar gases de v\u00e1rios tubos para obter uma amostra agregada maior &#8211; mais uma forma de o espa\u00e7o vazio oferecer uma oportunidade b\u00f3nus para a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/mars-2020-perseverance\/perseverance-rover\/why-scientists-are-intrigued-by-air-in-nasas-mars-sample-tubes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/mars-2020-perseverance\/mars-rock-samples\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ As amostras marcianas do Perseverance (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/167489\/its-not-just-rocks-scientists-want-samples-marss-atmosphere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-06-scientists-intrigued-air-nasa-mars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/nasa-mars-sample-return-atmosphere-air-perseverance-1851553415\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Perseverance:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mars2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mars2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MSR (Mars Sample Return):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/msr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Human_and_Robotic_Exploration\/Exploration\/Mars_sample_return\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nasamars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAMars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_sample-return_mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rover Perseverance da NASA viu estes diabos de poeira a rodopiar pela superf\u00edcie de Marte no dia 20 de julho de 2021. 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