{"id":7075,"date":"2024-06-18T06:59:39","date_gmt":"2024-06-18T05:59:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7075"},"modified":"2024-06-18T06:59:44","modified_gmt":"2024-06-18T05:59:44","slug":"tess-observa-diretamente-pela-primeira-vez-o-mais-pequeno-de-um-par-de-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/06\/18\/tess-observa-diretamente-pela-primeira-vez-o-mais-pequeno-de-um-par-de-buracos-negros\/","title":{"rendered":"TESS observa diretamente, pela primeira vez, o mais pequeno de um par de buracos negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"495\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o-1024x495.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7076\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o-1024x495.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o-300x145.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o-768x371.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o-1536x742.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/tJWgXt8Y_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os buracos negros em \u00f3rbita um do outro. Ambos os buracos negros t\u00eam jatos associados: o maior com uma cor avermelhada e o mais pequeno com um jato de cor amarelada. Normalmente, apenas pode ser visto o jato avermelhado, mas durante o per\u00edodo de 12 horas de dia 12 de novembro de 2021, o jato mais pequeno dominou e deu um sinal direto do buraco negro mais pequeno, tendo sido observado pela primeira vez.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt (IPAC) &#038; M. Mugrauer (Instituto Astrof\u00edsicao da Universidade de Jena)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rios grupos de investiga\u00e7\u00e3o internacionais j\u00e1 confirmaram a teoria de que existem dois buracos negros no centro da distante gal\u00e1xia OJ 287, sugerida pela primeira vez por astr\u00f3nomos da Universidade de Turku, na Finl\u00e2ndia. Um novo estudo mostra que observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite, efetuadas em 2021, revelaram pela primeira vez o buraco negro mais pequeno do par.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, o ca\u00e7ador de exoplanetas da NASA foi apontado para a gal\u00e1xia OJ 287 para ajudar os astr\u00f3nomos a confirmar a teoria inicialmente proposta por investigadores da Universidade de Turku, na Finl\u00e2ndia, de dois buracos negros no centro da gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) foi concebido para descobrir milhares de exoplanetas em \u00f3rbita das estrelas an\u00e3s mais brilhantes do c\u00e9u. O TESS est\u00e1 a encontrar planetas que v\u00e3o desde pequenos mundos rochosos a planetas gigantes, mostrando a diversidade de planetas na nossa Gal\u00e1xia. At\u00e9 agora, encontrou 410 exoplanetas confirmados ou &#8220;novos mundos&#8221; em torno de outras estrelas que n\u00e3o o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, o TESS passou v\u00e1rias semanas a estudar outro tipo de sistema, uma gal\u00e1xia distante chamada OJ 287. Os investigadores encontraram evid\u00eancias indiretas de que um buraco negro muito massivo, em OJ 287, est\u00e1 a orbitar um buraco negro gigante 100 vezes maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para verificar a exist\u00eancia do buraco negro mais pequeno, o TESS monitorizou o brilho do buraco negro prim\u00e1rio e o jato a ele associado. A observa\u00e7\u00e3o direta do buraco negro mais pequeno, a orbitar o maior, \u00e9 muito dif\u00edcil, mas a sua presen\u00e7a foi revelada aos investigadores por uma s\u00fabita explos\u00e3o de brilho. Este tipo de evento nunca tinha sido observado em OJ 287, mas o investigador Pauli Pihajoki, da Universidade de Turku, na Finl\u00e2ndia, previu o acontecimento na sua tese de doutoramento j\u00e1 em 2014. De acordo com a sua disserta\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3ximo surto deveria ter lugar no final de 2021 e, na altura, v\u00e1rios sat\u00e9lites e telesc\u00f3pios estavam focados no objeto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/apps.utu.fi\/media\/tiedotteet\/Figure1._Flaring.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e9\/3d\/NwyrDIwp_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A explos\u00e3o observada aparece como um forte aumento na curva de luz das observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite, mostrando como um objeto de outra forma consistentemente fraco brilha repentina e acentuadamente. No canto superior, a erup\u00e7\u00e3o observada \u00e9 mostrada com mais pormenor. A quantidade de luz emitida na explos\u00e3o \u00e9 equivalente ao brilho de cerca de 100 gal\u00e1xias.<br>Cr\u00e9dito: Kishore et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sat\u00e9lite TESS detetou a esperada erup\u00e7\u00e3o no dia 12 de novembro de 2021, \u00e0s 2 horas da manh\u00e3 (GMT), e as observa\u00e7\u00f5es foram recentemente publicadas num estudo de Shubham Kishore, Alok Gupta (ARIES, ou Aryabhatta Research Institute of Observational Sciences, na \u00cdndia) e Paul Wiita (TCNJ, ou The College of New Jersey, nos EUA). O evento durou apenas 12 horas. Esta curta dura\u00e7\u00e3o mostra que \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar uma explos\u00e3o de grande brilho, a menos que o seu momento seja conhecido com anteced\u00eancia. Neste caso, a teoria dos investigadores de Turku provou estar correta e o TESS foi direcionado para OJ 287 no momento certo. A descoberta foi tamb\u00e9m confirmada pelo telesc\u00f3pio Swift da NASA, que tamb\u00e9m estava apontado para o mesmo alvo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, uma grande colabora\u00e7\u00e3o internacional liderada por Staszek Zola da Universidade Jaguel\u00f3nica em Crac\u00f3via, Pol\u00f3nia, detetou o mesmo evento utilizando telesc\u00f3pios em diferentes partes da Terra, de modo a que fosse sempre noite, pelo menos numa das localiza\u00e7\u00f5es dos telesc\u00f3pios, durante toda a dura\u00e7\u00e3o do dia. Adicionalmente, um grupo da Universidade de Boston, nos EUA, liderado por Svetlana Jorstad e outros observadores, confirmou a descoberta estudando a polariza\u00e7\u00e3o da luz antes e depois da erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo que combina todas as observa\u00e7\u00f5es anteriores, o professor Mauri Valtonen e a sua equipa de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Turku mostraram que a explos\u00e3o de luz de 12 horas veio do buraco negro mais pequeno em \u00f3rbita e dos seus arredores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A r\u00e1pida explos\u00e3o de brilho ocorre quando o buraco negro mais pequeno &#8220;engole&#8221; uma grande fatia do disco de acre\u00e7\u00e3o que rodeia o buraco negro maior, transformando-o num jato de g\u00e1s. O jato do buraco negro mais pequeno \u00e9 ent\u00e3o mais brilhante do que o do buraco negro maior durante cerca de doze horas. Isto torna a cor de OJ 287 menos avermelhada, ou amarela, em vez do vermelho normal. Ap\u00f3s a explos\u00e3o, a cor vermelha regressa. A cor amarela indica que, durante o per\u00edodo de 12 horas, estamos a ver a luz do buraco negro mais pequeno. Os mesmos resultados podem ser inferidos a partir de outras caracter\u00edsticas da luz emitida por OJ287 durante o mesmo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Portanto, podemos agora dizer que &#8216;vimos&#8217; um buraco negro em \u00f3rbita pela primeira vez, da mesma forma que podemos dizer que o TESS viu planetas em \u00f3rbita de outras estrelas. E tal como acontece com os planetas, \u00e9 extremamente dif\u00edcil obter uma imagem direta do buraco negro mais pequeno. De facto, devido \u00e0 grande dist\u00e2ncia de OJ 287, que \u00e9 de cerca de quatro mil milh\u00f5es de anos-luz, levar\u00e1 provavelmente muito tempo at\u00e9 que os nossos m\u00e9todos de observa\u00e7\u00e3o se tenham desenvolvido o suficiente para captar uma imagem at\u00e9 do buraco negro maior&#8221;, diz o professor Valtonen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No entanto, o buraco negro mais pequeno poder\u00e1 em breve revelar a sua exist\u00eancia de outras formas, uma vez que se espera que emita ondas gravitacionais nano-Hertz. As ondas gravitacionais de OJ 287 devem ser detet\u00e1veis nos pr\u00f3ximos anos por PTAs (pulsar timing arrays)&#8221;, diz A. Gopakumar do TIFR (Tata Institute of Fundamental Research), na \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.utu.fi\/en\/news\/press-release\/nasas-planet-hunter-satellite-observes-smaller-object-in-a-black-hole-pair\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Turku (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad4d9b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2405.08627\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad0b80\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Kishore et al. (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.02368\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico por Kishore et al. (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OJ 287:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/OJ_287\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PTA (pulsar timing array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar_timing_array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/swift\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os buracos negros em \u00f3rbita um do outro. 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