{"id":7066,"date":"2024-06-14T07:03:24","date_gmt":"2024-06-14T06:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7066"},"modified":"2024-06-14T07:03:24","modified_gmt":"2024-06-14T06:03:24","slug":"hubble-encontra-surpresas-em-torno-de-uma-estrela-que-entrou-em-erupcao-ha-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/06\/14\/hubble-encontra-surpresas-em-torno-de-uma-estrela-que-entrou-em-erupcao-ha-40-anos\/","title":{"rendered":"Hubble encontra surpresas em torno de uma estrela que entrou em erup\u00e7\u00e3o h\u00e1 40 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/opo2418a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/LxatifI5_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7067\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/LxatifI5_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/LxatifI5_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/LxatifI5_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra o sistema HM Sagittae (HM Sge), onde uma estrela an\u00e3 branca est\u00e1 a retirar material da sua companheira gigante vermelha. Isto forma um disco quente em torno da an\u00e3, que pode imprevisivelmente sofrer uma explos\u00e3o termonuclear espont\u00e2nea \u00e0 medida que o fluxo de hidrog\u00e9nio da gigante vermelha se torna mais denso e atinge um ponto de rutura. Estes &#8220;fogos de artif\u00edcio&#8221; entre estrelas companheiras s\u00e3o fascinantes para os astr\u00f3nomos, pois permitem melhor compreender a f\u00edsica e a din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o estelar em sistemas bin\u00e1rios.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, Leah Hustak (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos utilizaram novos dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), j\u00e1 reformado, bem como dados de arquivo de outras miss\u00f5es, para revisitar um dos mais estranhos sistemas estelares bin\u00e1rios da nossa Gal\u00e1xia &#8211; 40 anos depois de ter entrado em cena como uma nova brilhante e duradoura. Uma nova \u00e9 uma estrela que aumenta subitamente o seu brilho de forma tremenda e depois desvanece para a sua anterior obscuridade, normalmente em poucos meses ou anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre abril e setembro de 1975, o sistema bin\u00e1rio HM Sagittae (HM Sge) tornou-se 250 vezes mais brilhante. Ainda mais invulgar \u00e9 o facto de n\u00e3o se ter desvanecido rapidamente, como acontece normalmente com as novas, mas ter mantido a sua luminosidade durante d\u00e9cadas. Recentemente, observa\u00e7\u00f5es mostram que o sistema ficou mais quente, mas paradoxalmente desvaneceu-se um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HM Sge \u00e9 um tipo particular de estrela simbi\u00f3tica em que uma an\u00e3 branca e uma estrela companheira gigante, inchada e produtora de poeira, est\u00e3o numa \u00f3rbita exc\u00eantrica uma em torno da outra, e a an\u00e3 branca ingere o g\u00e1s que flui da estrela gigante. Esse g\u00e1s forma um disco quente e abrasador \u00e0 volta da an\u00e3 branca, que pode, de forma imprevis\u00edvel, sofrer uma explos\u00e3o termonuclear espont\u00e2nea \u00e0 medida que o fluxo de hidrog\u00e9nio da gigante se torna mais denso \u00e0 superf\u00edcie estelar at\u00e9 atingir um ponto de rutura. Estes &#8220;fogos de artif\u00edcio&#8221; entre estrelas companheiras fascinam os astr\u00f3nomos, pois permitem melhor compreender a f\u00edsica e a din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o estelar em sistemas bin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em 1975, HM Sge deixou de ser uma estrela desinteressante para se tornar algo que todos os astr\u00f3nomos da \u00e1rea cient\u00edfica estavam a observar e, a certa altura, essa onda de atividade abrandou&#8221;, disse Ravi Sankrit do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. Em 2021, Steven Goldman do STScI, Sankrit e colaboradores usaram instrumentos no Hubble e no SOFIA para ver o que tinha mudado em HM Sge nos \u00faltimos 30 anos em comprimentos de onda de luz desde o infravermelho at\u00e9 ao ultravioleta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/opo2418b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/81\/35\/cLtgl5OD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma imagem do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da estrela simbi\u00f3tica HM Sagittae. Localizada a 3400 anos-luz de dist\u00e2ncia na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Seta, \u00e9 constitu\u00edda por uma gigante vermelha e uma an\u00e3 branca companheira. As estrelas est\u00e3o demasiado pr\u00f3ximas uma da outra para serem resolvidas pelo Hubble. O material &#8220;escorre&#8221; da gigante vermelha e cai sobre a an\u00e3, tornando-a extremamente brilhante. Este sistema explodiu pela primeira vez como uma nova em 1975. A nebulosidade vermelha \u00e9 evid\u00eancia do vento estelar. A nebulosa tem cerca de um-quarto de ano-luz de di\u00e2metro.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Ravi Sankrit (STScI), Steven Goldman (STScI); processamento da imagem &#8211; Joseph DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados ultravioleta de 2021, pelo Hubble, mostraram uma forte linha de emiss\u00e3o de magn\u00e9sio altamente ionizado que n\u00e3o estava presente nos espetros publicados anteriormente em 1990. A sua presen\u00e7a mostra que a temperatura estimada da an\u00e3 branca e do disco de acre\u00e7\u00e3o aumentou de menos de 220.000\u00ba C em 1989 para mais de 250.000\u00ba C agora. A linha de magn\u00e9sio altamente ionizado \u00e9 uma das muitas observadas no espetro UV que, analisadas em conjunto, revelar\u00e3o a energia do sistema e como este mudou nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando vi pela primeira vez os novos dados&#8221;, disse Sankrit, &#8220;pensei: &#8216;Uau, isto \u00e9 o que a espetroscopia UV do Hubble pode fazer!&#8217; &#8211; \u00c9 espetacular, mesmo espetacular&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com os dados do telesc\u00f3pio a\u00e9reo SOFIA da NASA, aposentado em 2022, a equipa conseguiu detetar a \u00e1gua, o g\u00e1s e a poeira que circulam dentro e \u00e0 volta do sistema. Os dados espetrais infravermelhos mostram que a estrela gigante, que produz grandes quantidades de poeira, voltou ao seu comportamento normal apenas alguns anos ap\u00f3s a explos\u00e3o, mas tamb\u00e9m que diminui de brilho nos \u00faltimos anos, o que \u00e9 outro enigma a ser explicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o SOFIA, os astr\u00f3nomos puderam ver a \u00e1gua a mover-se a cerca de 29 quil\u00f3metros por segundo, o que suspeitam ser a velocidade de rota\u00e7\u00e3o do disco de acre\u00e7\u00e3o em torno da an\u00e3 branca. A ponte de g\u00e1s que liga a estrela gigante \u00e0 an\u00e3 branca deve ter atualmente uma extens\u00e3o de cerca de 3,2 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m tem trabalhado com a AAVSO (American Association of Variable Star Observers), para colaborar com astr\u00f3nomos amadores de todo o mundo que ajudam a manter os olhos telesc\u00f3picos em HM Sge; a sua monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua revela mudan\u00e7as que n\u00e3o foram vistas desde a sua explos\u00e3o h\u00e1 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estrelas simbi\u00f3ticas como HM Sge s\u00e3o raras na nossa Gal\u00e1xia, e testemunhar uma explos\u00e3o do tipo nova \u00e9 ainda mais raro. Este acontecimento \u00fanico \u00e9 um tesouro para os astrof\u00edsicos que se estende durante d\u00e9cadas&#8221;, disse Goldman.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/hubble-finds-surprises-around-a-star-that-erupted-40-years-ago\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-018\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad12c9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2312.01984\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1047763\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/hubble-binary-hm-sge\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-06-hubble-space-telescope-star-erupted.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2024\/06\/240610170914.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HM Sagittae:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HM_Sagittae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nova simbi\u00f3tica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Symbiotic_nova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/sofia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stratospheric_Observatory_for_Infrared_Astronomy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra o sistema HM Sagittae (HM Sge), onde uma estrela an\u00e3 branca est\u00e1 a retirar material da sua companheira gigante vermelha. 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