{"id":7054,"date":"2024-06-11T06:18:02","date_gmt":"2024-06-11T05:18:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7054"},"modified":"2024-06-11T06:18:02","modified_gmt":"2024-06-11T05:18:02","slug":"simulacoes-diminuem-o-entusiasmo-em-relacao-a-agua-liquida-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/06\/11\/simulacoes-diminuem-o-entusiasmo-em-relacao-a-agua-liquida-em-marte\/","title":{"rendered":"Simula\u00e7\u00f5es diminuem o entusiasmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua l\u00edquida em Marte"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA24763.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/2a\/3c\/EEZ6BDfB_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem obtida pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) mostra camadas de gelo no polo sul de Marte.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona\/JHU<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores de Cornell forneceram uma explica\u00e7\u00e3o simples e compreensiva &#8211; se bem que menos dram\u00e1tica &#8211; para os reflexos brilhantes de radar inicialmente interpretados como \u00e1gua l\u00edquida sob a calote de gelo no polo sul de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas simula\u00e7\u00f5es mostram que pequenas varia\u00e7\u00f5es nas camadas de \u00e1gua gelada &#8211; demasiado subtis para serem resolvidas pelos instrumentos de radar de penetra\u00e7\u00e3o no solo &#8211; podem causar interfer\u00eancia construtiva entre as ondas de radar. Esta interfer\u00eancia pode produzir reflex\u00f5es cuja intensidade e variabilidade coincidem com as observa\u00e7\u00f5es efetuadas at\u00e9 \u00e0 data &#8211; n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea que se prop\u00f5e ser \u00e1gua l\u00edquida, mas tamb\u00e9m nos chamados dep\u00f3sitos de camadas do polo sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conclus\u00f5es baseiam-se em simula\u00e7\u00f5es de 10.000 cen\u00e1rios de camadas e, para cada um, 1000 varia\u00e7\u00f5es na espessura das camadas de gelo e no teor de poeira &#8211; mas nenhuma das condi\u00e7\u00f5es invulgares ou materiais ex\u00f3ticos que seriam necess\u00e1rios para a exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o posso dizer que seja imposs\u00edvel que exista \u00e1gua l\u00edquida &#8216;l\u00e1 em baixo&#8217;, mas estamos a mostrar que h\u00e1 formas muito mais simples de obter a mesma observa\u00e7\u00e3o sem ter de ir t\u00e3o longe, usando mecanismos e materiais que j\u00e1 sabemos que existem&#8221;, disse Daniel Lalich, investigador associado do CCAPS (Cornell Center for Astrophysics and Planetary Science), na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias. &#8220;Apenas atrav\u00e9s do acaso \u00e9 poss\u00edvel criar o mesmo sinal observado no radar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lalich \u00e9 o primeiro autor de um artigo cient\u00edfico publicado no dia 7 de junho na revista Science Advances. Os coautores s\u00e3o Alexander Hayes, professor no Departamento de Astronomia e diretor do CCAPS, e Valerio Poggiali, investigador associado do CCAPS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os exploradores rob\u00f3ticos forneceram evid\u00eancias extensivas de que a \u00e1gua correu \u00e0 superf\u00edcie no passado de Marte, incluindo num antigo delta atualmente sob investiga\u00e7\u00e3o pelo rover Perseverance da NASA. Com base num instrumento de radar que pode sondar abaixo da superf\u00edcie para detetar \u00e1gua gelada e, potencialmente, aqu\u00edferos escondidos, os membros da equipa cient\u00edfica do orbitador Mars Express, liderada pela ESA, anunciaram em 2018 que tinham descoberto um lago enterrado abaixo da calote polar sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As implica\u00e7\u00f5es eram enormes: onde h\u00e1 \u00e1gua l\u00edquida, pode haver vida microbiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ao passo que os mesmos reflexos brilhantes de radar indicariam provavelmente um lago subglacial na Terra, disse Lalich, as condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o em Marte s\u00e3o muito diferentes. Neste caso, a \u00e1gua l\u00edquida teria de ser uma salmoura espessa, ou exigiria minerais ex\u00f3ticos ou uma c\u00e2mara de magma ativa por baixo da calote polar &#8211; nenhum dos quais foi detetado. Entretanto, as observa\u00e7\u00f5es de outra nave espacial mostraram reflexos brilhantes distribu\u00eddos pelos dep\u00f3sitos em camadas, a profundidades vari\u00e1veis e sem correla\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie. As condi\u00e7\u00f5es que permitiriam a exist\u00eancia de \u00e1gua no local inicial, com cerca de 19 quil\u00f3metros de largura, n\u00e3o se aplicariam noutros locais, disse Lalich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando modelos mais simples, Lalich mostrou anteriormente que os brilhantes sinais de radar poderiam ser criados na aus\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida, mas disse que as suposi\u00e7\u00f5es sobre camadas de di\u00f3xido de carbono gelado abaixo da calota de gelo provavelmente estavam incorretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova investiga\u00e7\u00e3o conta uma hist\u00f3ria mais completa, disse, colmatando lacunas na hip\u00f3tese da interfer\u00eancia do radar com modelos mais realistas. Os milhares de cen\u00e1rios de camadas gerados aleatoriamente basearam-se apenas nas condi\u00e7\u00f5es conhecidas nos polos marcianos e variaram a composi\u00e7\u00e3o e o espa\u00e7amento das camadas de gelo de formas que seriam de esperar ao longo de dezenas ou centenas de quil\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses ligeiros ajustes produziram por vezes sinais subsuperficiais brilhantes, consistentes com observa\u00e7\u00f5es em cada uma das tr\u00eas frequ\u00eancias utilizadas pelo instrumento de radar MARSIS da sonda Mars Express, uma parceria entre a NASA e a Ag\u00eancia Espacial Italiana. Provavelmente por uma raz\u00e3o simples, argumenta Lalich: ondas de radar ressaltando de camadas demasiado pr\u00f3ximas para que o instrumento as possa resolver podem ser combinadas, amplificando os seus picos e quedas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que temos uma hip\u00f3tese que explica toda a popula\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es abaixo da calota de gelo, sem ter de introduzir nada de \u00fanico ou estranho&#8221;, disse Lalich. &#8220;Este resultado, em que obtemos reflexos brilhantes espalhados por todo o lado, \u00e9 exatamente o que se esperaria de uma interfer\u00eancia de camada fina no radar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o excluir a possibilidade de uma futura dete\u00e7\u00e3o por instrumentos mais sens\u00edveis, Lalich disse suspeitar que a hist\u00f3ria da \u00e1gua l\u00edquida e da potencial vida no Planeta Vermelho terminou h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ideia de que haveria \u00e1gua l\u00edquida, mesmo que um pouco perto da superf\u00edcie, teria sido muito excitante&#8221;, disse Lalich. &#8220;Apenas acho que n\u00e3o existe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.cornell.edu\/stories\/2024\/06\/simulations-dampen-excitement-about-liquid-water-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adj9546\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subglacial_lakes_on_Mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lagos subglaciares (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Express:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Perseverance:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mars2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mars2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem obtida pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) mostra camadas de gelo no polo sul de Marte.Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona\/JHU Investigadores de Cornell forneceram uma explica\u00e7\u00e3o simples e compreensiva &#8211; se bem que menos dram\u00e1tica &#8211; para os reflexos brilhantes de radar inicialmente interpretados como \u00e1gua l\u00edquida sob a calote de gelo no polo &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4361,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[162,4,617],"class_list":["post-7054","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-mars-express","tag-marte","tag-mars-2020"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7054"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7054\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7055,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7054\/revisions\/7055"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}