{"id":7009,"date":"2024-05-24T06:22:00","date_gmt":"2024-05-24T05:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7009"},"modified":"2024-05-24T06:22:00","modified_gmt":"2024-05-24T05:22:00","slug":"revelada-a-natureza-de-uma-borboleta-cosmica-gigante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/05\/24\/revelada-a-natureza-de-uma-borboleta-cosmica-gigante\/","title":{"rendered":"Revelada a natureza de uma borboleta c\u00f3smica gigante"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2024-05\/iras23077-pr051424-hires.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/ptKP4O0w_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7010\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/ptKP4O0w_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/ptKP4O0w_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/ptKP4O0w_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/ptKP4O0w_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O centro desta composi\u00e7\u00e3o mostra IRAS 23077, provavelmente o maior disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria alguma vez visto, que se parece com uma borboleta c\u00f3smica gigante. Os dados do SMA (Submillimeter Array) em comprimentos de onda r\u00e1dio s\u00e3o mostrados a cor-de-rosa, e os dados do Pan-STARRS em comprimentos de onda \u00f3ticos s\u00e3o mostrados como uma imagem a cores. A maioria das estrelas pr\u00f3ximas aparece a branco ou a vermelho. A estrela no centro de IRAS 23077 n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel porque a sua luz \u00e9 bloqueada pelo disco circundante, que \u00e9 visto de lado. Os dados azuis do PanSTARRS para IRAS 23077 mostram os gr\u00e3os de poeira mais pequenos, com tamanhos de apenas alguns micr\u00f3metros. Estes gr\u00e3os de poeira s\u00e3o elevados para as camadas mais altas do disco de IRAS 23077 e aparecem como dois l\u00f3bulos brilhantes, com uma forma semelhante \u00e0 das asas de uma borboleta. Os dois filamentos t\u00e9nues na regi\u00e3o norte de IRAS 23077 podem ser restos da forma\u00e7\u00e3o de IRAS 23077. Os dados cor-de-rosa do SMA mostram gr\u00e3os de poeira maiores, com tamanhos de cerca de um mil\u00edmetro. Estes gr\u00e3os de poeira maiores coincidem com o plano m\u00e9dio do disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, onde os gr\u00e3os de poeira assentam e crescem para tamanhos maiores, acabando por formar planetas.\nCr\u00e9dito: r\u00e1dio &#8211; SAO\/ASIAA\/SMA\/K. Monsch et al; \u00f3tico &#8211; Pan-STARRS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram o que \u00e9 provavelmente o maior disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria alguma vez visto, que aparece como uma borboleta c\u00f3smica gigante no c\u00e9u noturno. Esta descoberta fornece uma nova perspetiva sobre os ambientes onde os planetas se formam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oficialmente conhecida como IRAS 23077+6707 (ou IRAS 23077, para abreviar), esta borboleta c\u00f3smica gigante est\u00e1 a cerca de 1000 anos-luz da Terra e foi inicialmente descoberta em 2016 por Ciprian T. Berghea, do Observat\u00f3rio Naval dos EUA, utilizando o Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System). No entanto, durante anos permaneceu descaracterizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois novos artigos cient\u00edficos revelaram agora a verdadeira natureza de IRAS 23077. Um dos trabalhos, liderado por Berghea e aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal Letters, relata a descoberta de que IRAS 23077 \u00e9 uma estrela jovem localizada no meio do que parecia ser um enorme disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. No segundo artigo cient\u00edfico, j\u00e1 publicado na mesma revista, os investigadores confirmam a descoberta de um grande disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, usando o SMA (Submillimeter Array).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SMA \u00e9 uma rede de telesc\u00f3pios no Hawaii operado conjuntamente pelo Observat\u00f3rio Astrof\u00edsico Smithsonian no Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian e pelo ASIAA (Academia Sinica Institute of Astronomy and Astrophysics) em Taiwan. Deteta luz em comprimentos de onda milim\u00e9tricos, um tipo de onda r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Depois de termos descoberto este poss\u00edvel disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria a partir dos dados do Pan-STARRS, quisemos observ\u00e1-lo com o SMA, o que nos permitiu compreender a sua natureza f\u00edsica,&#8221; explica Kristina Monsch, astrof\u00edsica do Observat\u00f3rio Astrof\u00edsico Smithsonian e bolseira de p\u00f3s-doutoramento do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, que liderou a campanha do SMA. &#8220;O que encontr\u00e1mos foi incr\u00edvel &#8211; evid\u00eancias de que este \u00e9 o maior disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria alguma vez descoberto. \u00c9 extremamente rico em poeira e g\u00e1s, que sabemos serem os blocos de constru\u00e7\u00e3o dos planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2024-05\/labeled-image-with-inset-hires-pr051424.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fd\/17\/NIW2vWRg_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A inser\u00e7\u00e3o mostra evid\u00eancias convincentes de que IRAS 23077 cont\u00e9m um disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Juntamente com os gr\u00e3os de poeira, o SMA tamb\u00e9m pode observar o g\u00e1s frio de mon\u00f3xido de carbono que constitui a maior parte de um disco protoplanet\u00e1rio. Medindo a sua estrutura de velocidades e dividindo-a em componentes &#8220;desviadas para o azul&#8221; e &#8220;desviadas para o vermelho&#8221;, que mostram o material a mover-se na nossa dire\u00e7\u00e3o e a afastar-se de n\u00f3s, respetivamente, a equipa mostrou que o g\u00e1s est\u00e1 a girar em torno da estrela central, como seria de esperar de um disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. A linha no canto inferior esquerdo mostra o di\u00e2metro do disco, equivalente a 660 vezes a dist\u00e2ncia entre o Sol e J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: SAO\/ASIAA\/SMA\/K. Monsch et al; \u00f3tico &#8211; Pan-STARRS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os discos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria &#8211; chamados &#8220;discos protoplanet\u00e1rios&#8221; pelos astr\u00f3nomos &#8211; s\u00e3o ber\u00e7\u00e1rios planet\u00e1rios nos quais se formam planetas rochosos como a Terra e Marte, e planetas gigantes como J\u00fapiter e Saturno, em torno de estrelas jovens. S\u00e3o ricos em poeira e g\u00e1s e giram com uma assinatura espec\u00edfica que os astr\u00f3nomos podem usar para inferir os seus tamanhos e as massas das suas estrelas centrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns discos protoplanet\u00e1rios s\u00e3o vistos de lado, o que significa que est\u00e3o orientados de tal forma que os seus pr\u00f3prios discos ricos em poeira e g\u00e1s obscurecem completamente a luz emitida pela sua estrela-m\u00e3e, como \u00e9 o caso de IRAS 23077. Embora as suas estrelas possam estar encobertas, as assinaturas de poeira e g\u00e1s dos seus discos circundantes podem ainda ser brilhantes em comprimentos de onda milim\u00e9tricos, como as obtidas pelo SMA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os dados do SMA fornecem-nos a prova irrefut\u00e1vel de que se trata de um disco e, juntamente com a estimativa da dist\u00e2ncia do sistema, de que est\u00e1 a girar em torno de uma estrela provavelmente duas a quatro vezes mais massiva do que o nosso Sol&#8221;, disse Monsch. &#8220;A partir dos dados do SMA podemos tamb\u00e9m &#8216;pesar&#8217; a poeira e o g\u00e1s neste ber\u00e7\u00e1rio planet\u00e1rio, que descobrimos ter material suficiente para formar muitos planetas gigantes &#8211; e a dist\u00e2ncias 300 vezes superiores \u00e0 dist\u00e2ncia entre o Sol e J\u00fapiter!&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A descoberta de uma estrutura t\u00e3o extensa e brilhante como IRAS 23077 coloca algumas quest\u00f5es importantes,&#8221; disse o coautor Joshua Bennett Lovell, astrof\u00edsico do Observat\u00f3rio Astrof\u00edsico Smithsonian e bolseiro do SMA no Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian. &#8220;Quantos mais objetos destes nos escaparam? \u00c9 necess\u00e1rio um estudo mais aprofundado de IRAS 23077 para investigar as poss\u00edveis rotas para a forma\u00e7\u00e3o de planetas nestes ambientes extremamente jovens, e como estes podem ser comparados com as popula\u00e7\u00f5es de exoplanetas observados em torno de estrelas distantes mais massivas do que o nosso Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para al\u00e9m de obtermos novos dados sobre IRAS 23077, temos tamb\u00e9m de continuar a procurar outros objetos semelhantes se quisermos desvendar a hist\u00f3ria de como os sistemas planet\u00e1rios se desenvolvem nos seus primeiros anos&#8221;, disse o coautor Jeremy Drake, cientista-chefe de Astrof\u00edsica no Centro de Tecnologia Avan\u00e7ada da Lockheed Martin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IRAS 23077 foi inicialmente designado &#8220;Chivito de Dr\u00e1cula&#8221; por Ciprian Berghea, que cresceu na regi\u00e3o da Transilv\u00e2nia, na Rom\u00e9nia, perto do local onde Vlad Dr\u00e1cula viveu. Em analogia com o famoso objeto &#8220;Hamb\u00farguer de Gomez&#8221;, que \u00e9 outro enorme disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria visto de lado, seguiram a sugest\u00e3o de Ana Mosquera, coautora de Berghea, para lhe dar o nome do prato nacional do seu pa\u00eds, o &#8220;chivito&#8221;, uma sandu\u00edche tipo hamb\u00farguer do Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/cfa.harvard.edu\/news\/giant-cosmic-butterflys-nature-revealed\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2402.01063\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad3bb0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2402.01941\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/cosmic-butterfly-planet-forming-disk-burger\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/167038\/this-is-the-largest-planet-forming-disk-ever-seen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-05-astronomers-biggest-batch-planet-ingredients.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.skyatnightmagazine.com\/news\/iras-23077\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BBC Sky at Night Magazine<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/panstarrs.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www2.ifa.hawaii.edu\/research\/Pan-STARRS.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Hawaii<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pan-STARRS\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SMA (Submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Submillimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O centro desta composi\u00e7\u00e3o mostra IRAS 23077, provavelmente o maior disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria alguma vez visto, que se parece com uma borboleta c\u00f3smica gigante. 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