{"id":6967,"date":"2024-05-07T06:22:05","date_gmt":"2024-05-07T05:22:05","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6967"},"modified":"2024-05-07T06:22:05","modified_gmt":"2024-05-07T05:22:05","slug":"m51-foi-moldada-pela-repetida-passagem-de-uma-galaxia-satelite-pelo-seu-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/05\/07\/m51-foi-moldada-pela-repetida-passagem-de-uma-galaxia-satelite-pelo-seu-disco\/","title":{"rendered":"M51 foi moldada pela repetida passagem de uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite pelo seu disco"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/sites\/default\/files\/styles\/color\/public\/images\/news\/IAC80_M51_DLopez.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"439\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/I4iv1wmp_o-1024x439.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6968\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/I4iv1wmp_o-1024x439.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/I4iv1wmp_o-300x129.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/I4iv1wmp_o-768x329.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/I4iv1wmp_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de M51 com a sua gal\u00e1xia sat\u00e9lite NGC 5195 (\u00e0 esquerda). A estrutura dos bra\u00e7os \u00e9 claramente vis\u00edvel.\nCr\u00e9dito: Daniel L\u00f3pez\/IAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o internacional, com a participa\u00e7\u00e3o do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), mostra que a gal\u00e1xia sat\u00e9lite NGC 5195 passou duas vezes pelo disco da Gal\u00e1xia do Redemoinho (M51), em tempos relativamente recentes, estimulando a forma\u00e7\u00e3o estelar e definindo a estrutura dos seus bra\u00e7os. A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada na prestigiada revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gal\u00e1xia do Redemoinho, ou M51, \u00e9 uma gal\u00e1xia espiral dominada por dois bra\u00e7os bem definidos. Descoberta por Charles Messier em 1771, M51 situa-se a cerca de 31 milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Como se v\u00ea de face e est\u00e1 relativamente perto, tem sido um objeto de estudo cont\u00ednuo desde a sua descoberta. \u00c9 tamb\u00e9m conhecida pela sua pequena gal\u00e1xia companheira, NGC 5195, vis\u00edvel perto da extremidade de um dos seus bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bra\u00e7os de gal\u00e1xias espirais como M51 cont\u00eam estrelas massivas, jovens e quentes, formadas a partir do g\u00e1s interestelar pela compress\u00e3o das ondas de densidade em rota\u00e7\u00e3o espiral no disco da gal\u00e1xia. Estas ondas de densidade s\u00e3o semelhantes \u00e0s ondas estacion\u00e1rias dos instrumentos musicais, mas giram em torno do eixo da gal\u00e1xia em rota\u00e7\u00e3o. A sua presen\u00e7a explica a origem dos bra\u00e7os e como podem manter a sua forma durante longos per\u00edodos da vida da gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns estudos te\u00f3ricos anteriores mostraram que a estrutura espiral de M51, com os seus dois bra\u00e7os espirais bem definidos e bastante sim\u00e9tricos, poderia dever-se \u00e0 influ\u00eancia da sua vizinha NGC 5195. A intera\u00e7\u00e3o entre elas poderia desencadear a forma\u00e7\u00e3o destes bra\u00e7os e moldar a sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Confirma\u00e7\u00e3o observacional de uma previs\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2010, um grupo de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Exeter publicou um artigo te\u00f3rico no qual previu que NGC 5195 tinha passado pelo disco de M51, e sugeriu que poderia ter havido um segundo encontro que teria produzido &#8220;dobras&#8221; em cada um dos dois bra\u00e7os. Agora, a investiga\u00e7\u00e3o de um grupo internacional em que o IAC participou, juntamente com o Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico Nacional da Espanha, e outras institui\u00e7\u00f5es do Chile, Fran\u00e7a e Reino Unido, veio confirmar de forma surpreendente estas previs\u00f5es, com base em observa\u00e7\u00f5es precisas de M51 em diferentes bandas de onda e com v\u00e1rios telesc\u00f3pios, no espa\u00e7o e no solo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/2f\/68\/UYMfdJ6K_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/2f\/68\/UYMfdJ6K_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esquerda: mapa de velocidade da gal\u00e1xia M51 medida usando a emiss\u00e3o do seu g\u00e1s ionizado. Direita: mapa de velocidade medida com o seu g\u00e1s molecular. O centro de rota\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia est\u00e1 assinalado com um X em ambos os mapas. A barra de cores indica os valores das velocidades medidas.<br>Cr\u00e9dito: Font et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho mostra muito claramente que a primeira passagem de NGC 5195 produziu a estrutura de dois bra\u00e7os de M51, afetando mais fortemente a parte interior do disco e o bra\u00e7o sul, enquanto a segunda passagem deu origem \u00e0s dobras nos bra\u00e7os, com um efeito maior na parte exterior do disco e no bra\u00e7o norte&#8221; explica Joan Font, antigo p\u00f3s-doutorada do IAC e agora na equipa do Observat\u00f3rio Gemini South no Chile, a primeira autora do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados tamb\u00e9m confirmam o poder das t\u00e9cnicas utilizadas (tanto te\u00f3ricas como observacionais) que podem ser aplicadas para compreender a hist\u00f3ria evolutiva din\u00e2mica das gal\u00e1xias espirais. &#8220;\u00c9 not\u00e1vel que simula\u00e7\u00f5es t\u00e3o complexas como as publicadas h\u00e1 mais de dez anos por Clare Dobbs e pelo seu grupo tenham sido capazes de prever t\u00e3o bem as observa\u00e7\u00f5es altamente pormenorizadas que obtivemos muito mais recentemente&#8221;, afirma John Beckman, investigador do IAC e coautor do artigo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/b1\/FaUaK7RL_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/b1\/FaUaK7RL_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem infravermelha da gal\u00e1xia M51 e da sua gal\u00e1xia sat\u00e9lite, NGC 5195, pelo Observat\u00f3rio Espacial Spitzer. Os n\u00f3s de resson\u00e2ncia das ondas de densidade (CR1, etc.) s\u00e3o representados por s\u00edmbolos coloridos, identificados pelo facto de serem detetados com g\u00e1s ionizado ou com g\u00e1s molecular (CO).<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech, Font et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, os autores utilizaram imagens infravermelhas do arquivo de dados do Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer porque revelam a estrutura dos bra\u00e7os, evitando os efeitos de distor\u00e7\u00e3o da poeira interestelar. A velocidade foi analisada em duas dimens\u00f5es atrav\u00e9s da emiss\u00e3o \u00f3tica do hidrog\u00e9nio (H-alfa) nas zonas de g\u00e1s ionizado nas regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar, utilizando um interfer\u00f3metro Fabry-Perot no Observat\u00f3rio de Mont M\u00e9gantic, no Canad\u00e1, e da emiss\u00e3o em ondas milim\u00e9tricas da mol\u00e9cula de CO, emitida nas regi\u00f5es de g\u00e1s mais frio, com o interfer\u00f3metro r\u00e1dio NOEMA, na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 atualmente a alargar o seu trabalho \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de mapas de velocidade das gal\u00e1xias utilizando a alta resolu\u00e7\u00e3o do interfer\u00f3metro ALMA no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/es\/divulgacion\/noticias\/un-estudio-revela-que-la-forma-de-la-galaxia-remolino-se-ha-moldeado-por-el-paso-repetido-de-una\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad3541\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia do Redemoinho (Messier 51):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2017\/messier-51-the-whirlpool-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m051.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Whirlpool_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_5195\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NGC 5195 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OMM (Observatoire du Mont-M\u00e9gantic):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/omm.craq-astro.ca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mont_M%C3%A9gantic_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NOEMA (Northern Extended Milimeter Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/iram-institute.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IRAM<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Northern_Extended_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem de M51 com a sua gal\u00e1xia sat\u00e9lite NGC 5195 (\u00e0 esquerda). 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