{"id":6961,"date":"2024-05-07T06:17:12","date_gmt":"2024-05-07T05:17:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6961"},"modified":"2024-05-07T06:17:13","modified_gmt":"2024-05-07T05:17:13","slug":"6961","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/05\/07\/6961\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6962\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/COKoOQL0_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As \u00f3rbitas de planetesimais em torno de uma an\u00e3 branca. Inicialmente, cada planetesimal tem uma \u00f3rbita circular e pr\u00f3grada. O &#8220;pontap\u00e9 natal&#8221; forma um disco exc\u00eantrico de detritos com \u00f3rbitas pr\u00f3gradas (azul) e retr\u00f3gradas (laranja).\nCr\u00e9dito: Steven Burrows\/grupo de Madigan<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas mortas, conhecidas como an\u00e3s brancas, t\u00eam uma massa parecida \u00e0 do Sol, mas t\u00eam um tamanho semelhante ao da Terra. S\u00e3o comuns na nossa Gal\u00e1xia, uma vez que 97% das estrelas est\u00e3o destinadas a tornar-se an\u00e3s brancas. Quando as estrelas chegam ao fim das suas vidas, os seus n\u00facleos colapsam na densa bola de uma an\u00e3 branca, fazendo com que a nossa Gal\u00e1xia pare\u00e7a um cemit\u00e9rio et\u00e9reo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da sua preval\u00eancia, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica destes remanescentes estelares tem permanecido um enigma para os astr\u00f3nomos durante anos. A presen\u00e7a de elementos met\u00e1licos pesados &#8211; como o sil\u00edcio, o magn\u00e9sio e o c\u00e1lcio &#8211; na superf\u00edcie de muitos destes objetos compactos \u00e9 uma descoberta intrigante que desafia as nossas expetativas do comportamento estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabemos que se estes metais pesados estiverem presentes na superf\u00edcie da an\u00e3 branca, esta \u00e9 suficientemente densa para que estes metais pesados se afundem rapidamente em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo&#8221;, explica Tatsuya Akiba, estudante do laborat\u00f3rio JILA na Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. &#8220;Por isso, n\u00e3o se devem ver metais na superf\u00edcie de uma an\u00e3 branca, a menos que ela esteja ativamente a &#8216;comer&#8217; alguma coisa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as an\u00e3s brancas possam consumir v\u00e1rios objetos pr\u00f3ximos, como cometas ou asteroides (conhecidos como planetesimais), as complexidades deste processo ainda n\u00e3o foram totalmente exploradas. No entanto, este comportamento pode ser a chave para desvendar o mist\u00e9rio da composi\u00e7\u00e3o met\u00e1lica de uma an\u00e3 branca, levando potencialmente a revela\u00e7\u00f5es interessantes sobre a din\u00e2mica das an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos resultados relatados num novo artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, Akiba, juntamente com a bolseira do JILA e professora de Ci\u00eancias Astrof\u00edsicas e Planet\u00e1rias da Universidade do Colorado em Boulder, Ann-Marie Madigan, e a estudante Selah McIntyre, acreditam ter encontrado uma raz\u00e3o para estas zombies estelares &#8216;comerem&#8217; os seus planetesimais pr\u00f3ximos. Usando simula\u00e7\u00f5es em computador, os investigadores simularam a an\u00e3 branca a receber um &#8220;pontap\u00e9 natal&#8221; durante a sua forma\u00e7\u00e3o (o que j\u00e1 foi observado), causado por uma perda de massa assim\u00e9trica, alterando o seu movimento e a din\u00e2mica de qualquer material circundante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 80% dos seus testes, os investigadores observaram que, a partir deste pontap\u00e9, as \u00f3rbitas dos cometas e asteroides num raio de 30 a 240 UA da an\u00e3 branca (correspondente \u00e0 dist\u00e2ncia Sol-Neptuno e mais al\u00e9m) se tornaram alongadas e alinhadas. Para al\u00e9m disso, cerca de 40% dos planetesimais comidos subsequentemente prov\u00eam de \u00f3rbitas retr\u00f3gradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m alargaram as suas simula\u00e7\u00f5es para examinar a din\u00e2mica da an\u00e3 branca ap\u00f3s 100 milh\u00f5es de anos. Descobriram que os planetesimais pr\u00f3ximos da an\u00e3 branca continuavam a ter \u00f3rbitas alongadas e a mover-se como uma unidade coerente, um resultado nunca antes visto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto \u00e9 algo que considero \u00fanico na nossa teoria: podemos explicar porque \u00e9 que os eventos de acre\u00e7\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o duradouros&#8221;, afirma Madigan. &#8220;Ao passo que outros mecanismos podem explicar um evento original de acre\u00e7\u00e3o, as nossas simula\u00e7\u00f5es com o pontap\u00e9 mostram porque \u00e9 que ainda acontece centenas de milh\u00f5es de anos mais tarde.&#8221; Estes resultados explicam porque \u00e9 que os metais pesados se encontram na superf\u00edcie de uma an\u00e3 branca, pois essa an\u00e3 branca consome continuamente objetos mais pequenos no seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de gravidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o grupo de investiga\u00e7\u00e3o de Madigan no JILA se concentra na din\u00e2mica gravitacional, olhar para a gravidade que rodeia as an\u00e3s brancas pareceu ser um foco natural de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As simula\u00e7\u00f5es ajudam-nos a compreender a din\u00e2mica de diferentes objetos astrof\u00edsicos&#8221;, diz Akiba. &#8220;Assim, nesta simula\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amos uma s\u00e9rie de asteroides e cometas em torno da an\u00e3 branca, que \u00e9 significativamente maior, e vemos como a simula\u00e7\u00e3o evolui e quais destes asteroides e cometas a an\u00e3 branca come.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores esperam levar as suas simula\u00e7\u00f5es a escalas maiores em projetos futuros, analisando a forma como as an\u00e3s brancas interagem com planetas maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Akiba explica: &#8220;Outros estudos sugeriram que os asteroides e os cometas, os corpos pequenos, podem n\u00e3o ser a \u00fanica fonte de polui\u00e7\u00e3o met\u00e1lica na superf\u00edcie das an\u00e3s brancas. Por isso, as an\u00e3s brancas podem comer algo maior, como um planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Descobrindo mais sobre a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas novas descobertas revelam mais sobre a forma\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas, o que \u00e9 importante para compreender como os sistemas solares mudam ao longo de milh\u00f5es de anos. Ajudam tamb\u00e9m a esclarecer as origens e a evolu\u00e7\u00e3o futura do nosso Sistema Solar, revelando mais sobre a qu\u00edmica envolvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A grande maioria dos planetas no Universo acabar\u00e1 por orbitar uma an\u00e3 branca&#8221;, diz Madigan. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que 50% destes sistemas sejam comidos pela sua estrela, incluindo o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. Agora, temos um mecanismo para explicar porque \u00e9 que isto acontece&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os planetesimais podem dar-nos mais informa\u00e7\u00f5es sobre outros sistemas solares e sobre composi\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias para al\u00e9m da nossa regi\u00e3o solar&#8221;, acrescenta McIntyre. &#8220;As an\u00e3s brancas n\u00e3o s\u00e3o apenas uma lente para o passado. S\u00e3o tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de lente para o futuro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jila.colorado.edu\/news-events\/articles\/hungry-hungry-white-dwarfs-solving-puzzle-stellar-metal-pollution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ JILA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad394c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2404.04296\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><strong><br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00f3rbitas de planetesimais em torno de uma an\u00e3 branca. 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