{"id":6955,"date":"2024-05-03T06:22:17","date_gmt":"2024-05-03T05:22:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6955"},"modified":"2024-05-03T06:22:17","modified_gmt":"2024-05-03T05:22:17","slug":"um-sistema-estelar-eruptivo-revelou-os-seus-segredos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/05\/03\/um-sistema-estelar-eruptivo-revelou-os-seus-segredos\/","title":{"rendered":"Um sistema estelar eruptivo revelou os seus segredos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Hales_illustrationzoom.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Ad5UXXRN_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6956\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Ad5UXXRN_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Ad5UXXRN_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Ad5UXXRN_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Ad5UXXRN_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta impress\u00e3o art\u00edstica mostra o rec\u00e9m-descoberto fluxo que alimenta constantemente o sistema bin\u00e1rio com massa.\nCr\u00e9dito: NSF\/NRAO\/S. Dagnello<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um grupo invulgar de estrelas na constela\u00e7\u00e3o de Orionte revelou finalmente os seus segredos. FU Orionis, um sistema estelar duplo, chamou pela primeira vez a aten\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos em 1936, quando a estrela central se tornou subitamente 1000 vezes mais brilhante do que o habitual. Este comportamento, esperado em estrelas moribundas, nunca tinha sido visto numa estrela jovem como FU Orionis. O estranho fen\u00f3meno inspirou uma nova classifica\u00e7\u00e3o de estrelas com o mesmo nome (estrelas FU Orionis ou FUor para abreviar). As estrelas FUor t\u00eam erup\u00e7\u00f5es s\u00fabitas, explodindo em brilho, antes de desvanecerem novamente muitos anos mais tarde. Atualmente, sabe-se que este aumento de brilho se deve ao facto de as estrelas absorverem energia da sua vizinhan\u00e7a atrav\u00e9s da acre\u00e7\u00e3o gravitacional, a principal for\u00e7a que molda as estrelas e os planetas. No entanto, como e porque \u00e9 que isto acontece tem permanecido um mist\u00e9rio &#8211; at\u00e9 agora, gra\u00e7as aos astr\u00f3nomos que utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;FU Ori tem estado a devorar material durante quase 100 anos para manter a sua erup\u00e7\u00e3o. Encontr\u00e1mos finalmente uma resposta para a forma como estas jovens estrelas em erup\u00e7\u00e3o reabastecem a sua massa&#8221;, explica Antonio Hales, Diretor Adjunto do Centro Regional Norte-Americano do ALMA, cientista do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e autor principal desta investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista The Astrophysical Journal. &#8220;Pela primeira vez, temos evid\u00eancias observacionais diretas do material que alimenta as erup\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do ALMA revelaram um longo e fino fluxo de mon\u00f3xido de carbono a cair sobre FU Orionis. Este g\u00e1s n\u00e3o parece ter combust\u00edvel suficiente para sustentar o atual surto. Ao inv\u00e9s, pensa-se que este fluxo de acre\u00e7\u00e3o seja um remanescente de uma caracter\u00edstica anterior, muito mais significativa, que caiu sobre este jovem sistema estelar. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que a intera\u00e7\u00e3o com um maior fluxo de g\u00e1s, no passado, tenha causado a instabilidade do sistema e desencadeado o aumento de brilho&#8221;, explica Hales.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Hales_Illustration_cutout.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a6\/89\/S8DffHBz_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da vista em grande escala de FU Ori. A imagem mostra os fluxos produzidos pela intera\u00e7\u00e3o entre os fortes ventos estelares alimentados pelo surto e o inv\u00f3luicro remanescente a partir do qual a estrela se formou. O vento estelar choca fortemente contra o inv\u00f3lucro, e o g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono varrido pelo choque \u00e9 o que o ALMA revelou. Cr\u00e9dito: NSF\/NRAO\/S. Dagnello<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos usaram v\u00e1rias configura\u00e7\u00f5es das antenas ALMA para captar os diferentes tipos de emiss\u00e3o provenientes de FU Orionis e para detetar o fluxo de massa no sistema estelar. Tamb\u00e9m combinaram novos m\u00e9todos num\u00e9ricos para modelar o fluxo de massa como um fluxo de acre\u00e7\u00e3o e estimar as suas propriedades. &#8220;Compar\u00e1mos a forma e a velocidade da estrutura observada com as esperadas de um rasto de g\u00e1s em queda, e os n\u00fameros fizeram sentido&#8221;, diz Aashish Gupta, candidato a doutoramento no ESO e coautor deste trabalho, que desenvolveu os m\u00e9todos usados para modelar o fluxo de acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gama de escalas angulares que podemos explorar com um \u00fanico instrumento \u00e9 not\u00e1vel. O ALMA d\u00e1-nos uma vis\u00e3o abrangente da din\u00e2mica da forma\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria, desde as grandes nuvens moleculares em que nascem centenas de estrelas, at\u00e9 \u00e0s escalas mais familiares dos sistemas solares,&#8221; acrescenta Sebasti\u00e1n P\u00e9rez da USACH (Universidad de Santiago de Chile), diretor do YEMS (Millennium Nucleus on Young Exoplanets and their Moons) no Chile, e coautor desta investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m revelaram um fluxo de mon\u00f3xido de carbono de movimento lento de FU Orionis. Este g\u00e1s n\u00e3o est\u00e1 associado \u00e0 erup\u00e7\u00e3o mais recente. Em vez disso, \u00e9 semelhante aos fluxos observados em torno de outros objetos protoestelares. Hales acrescenta: &#8220;Ao compreender como estas peculiares estrelas FU Orionis s\u00e3o formadas, estamos a confirmar o que sabemos sobre como diferentes estrelas e planetas se formam. Pensamos que todas as estrelas passam por eventos eruptivos. Estes surtos s\u00e3o importantes porque afetam a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos discos de acre\u00e7\u00e3o que rodeiam as estrelas nascentes e os planetas que estas acabam por formar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos estado a estudar FU Orionis desde as primeiras observa\u00e7\u00f5es do ALMA em 2012&#8243;, acrescenta Hales. \u00c9 fascinante ter finalmente respostas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Orion\u2019s Erupting Star System Reveals Its Secrets\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/938254289?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/orions-erupting-star-system-reveals-its-secrets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/orions-erupting-star-system-reveals-its-secrets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad31a1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>FU Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classe de estrelas FU Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/simostronomy.blogspot.pt\/2010\/11\/furor-over-fuors.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simostronomy<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acre\u00e7\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accretion_(astrophysics)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta impress\u00e3o art\u00edstica mostra o rec\u00e9m-descoberto fluxo que alimenta constantemente o sistema bin\u00e1rio com massa. 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