{"id":6930,"date":"2024-04-23T06:15:30","date_gmt":"2024-04-23T05:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6930"},"modified":"2024-04-23T06:15:31","modified_gmt":"2024-04-23T05:15:31","slug":"o-hubble-foi-a-caca-de-asteroides-pequenos-da-cintura-principal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/04\/23\/o-hubble-foi-a-caca-de-asteroides-pequenos-da-cintura-principal\/","title":{"rendered":"O Hubble foi \u00e0 ca\u00e7a de asteroides pequenos da cintura principal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2024\/04\/asteroid_photobombs_hubble_snapshot_of_galaxy_ugc_12158\/26036635-1-eng-GB\/Asteroid_photobombs_Hubble_snapshot_of_Galaxy_UGC_12158.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"732\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1vgMHsHP_o-1024x732.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6931\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1vgMHsHP_o-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1vgMHsHP_o-300x214.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1vgMHsHP_o-768x549.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1vgMHsHP_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Parece que algu\u00e9m pegou nesta imagem da gal\u00e1xia espiral barrada UGC 12158, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, e a riscou com uma caneta branca. Na realidade, \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es de um asteroide em primeiro plano que se move atrav\u00e9s do campo de vis\u00e3o do Hubble, &#8220;fotobombando&#8221; a observa\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia. Foram efetuadas v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es da gal\u00e1xia, o que \u00e9 evidenciado pelo padr\u00e3o a tracejado.\nO asteroide aparece como um rasto curvo devido \u00e0 paralaxe: o Hubble n\u00e3o est\u00e1 estacion\u00e1rio, mas a orbitar a Terra, o que d\u00e1 a ilus\u00e3o de que o asteroide t\u00e9nue tem uma trajet\u00f3ria curva. O asteroide desconhecido est\u00e1 dentro da cintura de asteroides do nosso Sistema Solar e, por isso, est\u00e1 10 bili\u00f5es de vezes mais pr\u00f3ximo do Hubble do que a gal\u00e1xia de fundo.\nEm vez de um inc\u00f3modo, este tipo de dados \u00e9 \u00fatil para os astr\u00f3nomos fazerem um censo da popula\u00e7\u00e3o de asteroides no nosso Sistema Solar.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, P. G. Mart\u00edn (Universidade Aut\u00f3noma de Madrid), J. DePasquale (STScI); reconhecimento &#8211; A. Filippenko (Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Recentemente, os astr\u00f3nomos utilizaram um conjunto de imagens de arquivo obtidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA para detetar visualmente uma razoavelmente desconhecida popula\u00e7\u00e3o de asteroides pequenos. A ca\u00e7a ao tesouro exigiu a an\u00e1lise de 37.000 imagens do Hubble, abrangendo um per\u00edodo de 19 anos. A recompensa foi encontrar 1701 rastos de asteroides, estando 1031 desses asteroides por catalogar. Cerca de 400 destes asteroides n\u00e3o catalogados t\u00eam uma dimens\u00e3o inferior a um quil\u00f3metro.<\/p>\n\n\n\n<p>Volunt\u00e1rios de todo o mundo, conhecidos como &#8220;cientistas cidad\u00e3os&#8221;, contribu\u00edram para a identifica\u00e7\u00e3o deste conjunto de asteroides. Cientistas profissionais combinaram os esfor\u00e7os dos volunt\u00e1rios com algoritmos de aprendizagem de m\u00e1quina para identificar os asteroides. Representa uma nova abordagem para encontrar asteroides em arquivos astron\u00f3micos que abrangem d\u00e9cadas, e os investigadores dizem que pode ser eficazmente aplicada a outros conjuntos de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos a aprofundar a observa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de asteroides mais pequenos da cintura principal. Fic\u00e1mos surpreendidos ao ver um n\u00famero t\u00e3o grande de objetos candidatos&#8221;, disse o autor principal Pablo Garc\u00eda Mart\u00edn da Universidade Aut\u00f3noma de Madrid, Espanha. &#8220;Havia alguns ind\u00edcios de que esta popula\u00e7\u00e3o existia, mas agora estamos a confirm\u00e1-la com uma amostra aleat\u00f3ria de asteroides obtida usando todo o arquivo do Hubble. Isto \u00e9 importante para fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre os modelos evolutivos do nosso Sistema Solar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A amostra grande e aleat\u00f3ria fornece novas perspetivas sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o da cintura de asteroides. A descoberta de muitos asteroides pequenos favorece a ideia de que s\u00e3o fragmentos de asteroides maiores que colidiram e se fragmentaram, como cer\u00e2mica destru\u00edda. Este \u00e9 um processo de tritura\u00e7\u00e3o que dura milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma teoria alternativa para a exist\u00eancia de fragmentos mais pequenos \u00e9 a de que se formaram dessa forma h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum mecanismo conceb\u00edvel que os impe\u00e7a de, como uma bola de neve a descer uma colina, se tornarem cada vez maiores \u00e0 medida que aglomeram poeira do disco circunstelar, formador de planetas, em torno do nosso Sol. &#8220;As colis\u00f5es teriam uma certa assinatura que pod\u00edamos usar para testar a popula\u00e7\u00e3o atual da cintura principal&#8221;, disse o coautor Bruno Mer\u00edn do Centro Europeu de Astronomia Espacial em Madrid, Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 r\u00e1pida \u00f3rbita do Hubble em torno da Terra, este pode captar asteroides errantes atrav\u00e9s dos seus rastos nas exposi\u00e7\u00f5es que obt\u00e9m. Visto de um telesc\u00f3pio terrestre, um asteroide deixa um rasto na imagem. Os asteroides &#8220;fotobombam&#8221; as exposi\u00e7\u00f5es do Hubble, aparecendo como riscos curvos e inconfund\u00edveis nas fotos obtidas pelo Hubble.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2024\/04\/size_distribution_for_unknown_asteroids_in_hubble_asteroid_hunter_survey\/26036729-1-eng-GB\/Size_distribution_for_unknown_asteroids_in_Hubble_asteroid_hunter_survey.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/55\/b6\/dWv3jOkQ_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este gr\u00e1fico baseia-se em dados de arquivo do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, que foram utilizados para identificar uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides muito pequenos, em grande parte desconhecida. Os asteroides n\u00e3o eram os alvos pretendidos, mas sim estrelas e gal\u00e1xias de fundo em imagens do Hubble. A ca\u00e7a ao tesouro exigiu a an\u00e1lise de 37.000 imagens do Hubble, abrangendo 19 anos. Para o efeito, recorreu-se a volunt\u00e1rios de &#8220;ci\u00eancia cidad\u00e3&#8221; e a algoritmos de intelig\u00eancia artificial. A recompensa foi encontrar 1701 rastos de asteroides anteriormente n\u00e3o detetados.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, P. G. Mart\u00edn (Universidade Aut\u00f3noma de Madrid), E. Wheatley (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u00c0 medida que o Hubble gira \u00e0 volta da Terra, muda o seu ponto de vista enquanto observa um asteroide, que tamb\u00e9m se move ao longo da sua pr\u00f3pria \u00f3rbita. Conhecendo a posi\u00e7\u00e3o do Hubble durante a observa\u00e7\u00e3o e medindo a curvatura dos riscos, os cientistas podem determinar as dist\u00e2ncias aos asteroides e estimar as formas das suas \u00f3rbitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os asteroides fotografados est\u00e3o maioritariamente na cintura principal, que se situa entre as \u00f3rbitas de Marte e J\u00fapiter. O seu brilho \u00e9 medido pelas c\u00e2maras sens\u00edveis do Hubble, e a compara\u00e7\u00e3o do seu brilho com a sua dist\u00e2ncia permite uma estimativa do tamanho. Os asteroides mais t\u00e9nues do estudo t\u00eam cerca de um-quadrag\u00e9simo de milh\u00e3o &#8211; 1\/(40&#215;10^6) &#8211; do brilho da estrela mais fraca que pode ser vista pelo olho humano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As posi\u00e7\u00f5es dos asteroides mudam com o tempo e, por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontr\u00e1-los apenas introduzindo as coordenadas, porque em alturas diferentes podem n\u00e3o estar l\u00e1&#8221;, disse Bruno. &#8220;Como astr\u00f3nomos, n\u00e3o temos tempo para procurar em todas as imagens de asteroides. Por isso, tivemos a ideia de colaborar com mais de 10.000 cidad\u00e3os volunt\u00e1rios para analisar os enormes arquivos do Hubble.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, um grupo internacional de astr\u00f3nomos lan\u00e7ou o Hubble Asteroid Hunter, um projeto de ci\u00eancia cidad\u00e3 para identificar asteroides em dados de arquivo do Hubble. A iniciativa foi desenvolvida por investigadores e engenheiros do ESTEC (European Science and Technology Centre) e do ESDC (ESAC Science Data Centre, ESAC significando European Space Astronomy Centre), em colabora\u00e7\u00e3o com a plataforma Zooniverse, a maior e mais popular plataforma de ci\u00eancia cidad\u00e3 do mundo, e com a empresa Google.<\/p>\n\n\n\n<p>Um total de 11.482 cidad\u00e3os volunt\u00e1rios, que forneceram cerca de dois milh\u00f5es de identifica\u00e7\u00f5es, receberam ent\u00e3o um conjunto de treino para um algoritmo automatizado de identifica\u00e7\u00e3o de asteroides baseado em intelig\u00eancia artificial. Esta abordagem pioneira pode ser efetivamente aplicada a outros conjuntos de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto ir\u00e1 em seguida explorar os riscos de asteroides anteriormente desconhecidos para caracterizar as suas \u00f3rbitas e estudar as suas propriedades, tais como os per\u00edodos de rota\u00e7\u00e3o. Dado que a maior parte destes riscos de asteroides foram captados pelo Hubble h\u00e1 muitos anos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel segui-los agora para determinar as suas \u00f3rbitas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Hubble_goes_hunting_for_small_main-belt_asteroids\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/hubble-goes-hunting-for-small-main-belt-asteroids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2407\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-014\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2024\/03\/aa46771-23\/aa46771-23.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2401.02605\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Cintura principal de asteroides:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid_belt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asteroides:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/asteroids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hubble Asteroid Hunter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.zooniverse.org\/projects\/sandorkruk\/hubble-asteroid-hunter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zooniverse<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece que algu\u00e9m pegou nesta imagem da gal\u00e1xia espiral barrada UGC 12158, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, e a riscou com uma caneta branca. 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