{"id":6927,"date":"2024-04-23T06:13:13","date_gmt":"2024-04-23T05:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6927"},"modified":"2024-04-23T06:13:13","modified_gmt":"2024-04-23T05:13:13","slug":"fragmentos-de-asteroides-restringem-a-cronologia-das-atuais-orbitas-dos-planetas-gigantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/04\/23\/fragmentos-de-asteroides-restringem-a-cronologia-das-atuais-orbitas-dos-planetas-gigantes\/","title":{"rendered":"Fragmentos de asteroides restringem a cronologia das atuais \u00f3rbitas dos planetas gigantes"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01FM5QQWXGKK7989913TKAQQ3X.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"506\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/TvSbgKtG_o-1024x506.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6928\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/TvSbgKtG_o-1024x506.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/TvSbgKtG_o-300x148.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/TvSbgKtG_o-768x379.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/TvSbgKtG_o.jpg 1279w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os planetas gigantes do Sistema Solar &#8211; J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno &#8211; obtidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, no \u00e2mbito do seu programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy).\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, Amy Simon (NASA-GSFC), Michael H. Wong (UC Berkeley); processamento da imagem &#8211; Joseph DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fragmentos de um asteroide destru\u00eddo sugerem que a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o dos planetas gigantes do nosso Sistema Solar, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, ocorreu entre 60 a 100 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar e pode ter sido fundamental para a forma\u00e7\u00e3o da nossa Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas espaciais liderados pela Universidade de Leicester combinaram evid\u00eancias de simula\u00e7\u00f5es, de observa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises de meteoritos para recriar a instabilidade orbital causada quando os planetas gigantes do nosso Sistema Solar se deslocaram para as suas posi\u00e7\u00f5es atuais, um cen\u00e1rio conhecido h\u00e1 20 anos como o modelo de Nice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram publicados no passado dia 16 de abril na revista Science e apresentados na Assembleia Geral da Uni\u00e3o Geol\u00f3gica Europeia, em Viena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do Sistema Solar, os planetas gigantes &#8211; J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno &#8211; tinham \u00f3rbitas mais circulares e mais compactas do que as atuais. Investiga\u00e7\u00f5es anteriores estabeleceram que uma instabilidade orbital no Sistema Solar alterou essa configura\u00e7\u00e3o orbital e provocou a dispers\u00e3o de planetesimais mais pequenos. Muitos destes planetesimais colidiram com os planetas terrestres interiores, naquilo a que os cientistas chamaram o Intenso Bombardeio Tardio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora principal, a Dra. Chrysa Avdellidou, da Escola de F\u00edsica e Astronomia da Universidade de Leicester, afirmou: &#8220;A quest\u00e3o \u00e9: quando \u00e9 que isso aconteceu? As \u00f3rbitas destes planetas desestabilizaram-se devido a alguns processos din\u00e2micos e depois assumiram as posi\u00e7\u00f5es finais que vemos atualmente. Cada momento tem uma implica\u00e7\u00e3o diferente e tem sido um grande tema de debate na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que tent\u00e1mos com este trabalho foi n\u00e3o fazer apenas um estudo din\u00e2mico puro, mas combinar diferentes tipos de estudos, ligando observa\u00e7\u00f5es, simula\u00e7\u00f5es din\u00e2micas e estudos de meteoritos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa focou-se num tipo de meteorito conhecido como condritos enstatite, que tem uma composi\u00e7\u00e3o muito semelhante \u00e0 da Terra e r\u00e1cios isot\u00f3picos muito semelhantes, o que significa que se formou na nossa vizinhan\u00e7a. Atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas com telesc\u00f3pios terrestres, os investigadores ligaram esses meteoritos \u00e0 sua fonte: uma fam\u00edlia de fragmentos na cintura de asteroides conhecida como Athor. Isto sugere que Athor era originalmente muito maior, que se formou mais perto do Sol e que sofreu uma colis\u00e3o que reduziu o seu tamanho para fora da cintura de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar como Athor foi parar \u00e0 cintura de asteroides, os cientistas testaram v\u00e1rios cen\u00e1rios atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es din\u00e2micas, concluindo que a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel era a instabilidade gravitacional que deslocou os planetas gigantes para as suas \u00f3rbitas atuais. A an\u00e1lise dos meteoritos mostrou que isto ocorreu n\u00e3o antes de 60 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. Evid\u00eancias anteriores de asteroides na \u00f3rbita de J\u00fapiter tamb\u00e9m colocaram restri\u00e7\u00f5es sobre o qu\u00e3o tarde este evento ocorreu, com os cientistas a conclu\u00edrem que a instabilidade gravitacional deve ter ocorrido entre 60 e 100 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o nascimento do Sistema Solar, h\u00e1 4,56 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evid\u00eancias anteriores mostraram que a Lua da Terra foi formada durante este per\u00edodo, uma hip\u00f3tese sendo que um planetesimal conhecido como Theia colidiu com a Terra e os detritos dessa colis\u00e3o formaram a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O momento da instabilidade orbital \u00e9 importante porque determina quando se desenvolveriam algumas das caracter\u00edsticas familiares do nosso Sistema Solar &#8211; e pode mesmo ter tido um impacto na habitabilidade do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Avdellidou acrescenta: &#8220;\u00c9 como se tiv\u00e9ssemos um puzzle, compreend\u00eassemos que algo deveria ter acontecido e tent\u00e1ssemos colocar os eventos na ordem correta para formar a imagem que vemos hoje. A novidade deste estudo \u00e9 que n\u00e3o estamos a fazer apenas simula\u00e7\u00f5es din\u00e2micas puras, ou apenas experi\u00eancias, ou apenas observa\u00e7\u00f5es telesc\u00f3picas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Houve em tempos cinco planetas interiores no nosso Sistema Solar e n\u00e3o quatro, pelo que isso pode ter implica\u00e7\u00f5es noutras coisas, como o modo como formamos planetas habit\u00e1veis. Perguntas como: quando \u00e9 que os objetos vieram trazer materiais vol\u00e1teis e org\u00e2nicos para o nosso planeta e para Marte?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marco Delbo, coautor do estudo e Diretor de Investiga\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio de Nice, em Fran\u00e7a, afirmou: &#8220;O momento \u00e9 muito importante porque, no in\u00edcio, o nosso Sistema Solar era povoado por muitos planetesimais. E a instabilidade limpa-os, por isso, se isso acontecer 10 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o in\u00edcio do Sistema Solar, os planetesimais s\u00e3o limpos imediatamente, ao passo que se o fizermos 60 milh\u00f5es de anos depois, temos mais tempo para trazer materiais para a Terra e para Marte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/le.ac.uk\/news\/2024\/april\/giant-planet-instability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Leicester (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adg8092\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Modelo de Nice:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nice_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Intenso Bombardeio Tardio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Late_Heavy_Bombardment\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos condritos enstatite:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Enstatite_chondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Theia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Theia_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os planetas gigantes do Sistema Solar &#8211; J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno &#8211; obtidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, no \u00e2mbito do seu programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy). 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