{"id":6906,"date":"2024-04-16T06:33:57","date_gmt":"2024-04-16T05:33:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6906"},"modified":"2024-04-16T06:33:58","modified_gmt":"2024-04-16T05:33:58","slug":"detetados-pela-primeira-vez-os-ventos-estelares-de-tres-estrelas-semelhantes-ao-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/04\/16\/detetados-pela-primeira-vez-os-ventos-estelares-de-tres-estrelas-semelhantes-ao-sol\/","title":{"rendered":"Detetados, pela primeira vez, os ventos estelares de tr\u00eas estrelas semelhantes ao Sol"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"853\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o-1024x853.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6907\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o-1024x853.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o-300x250.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o-768x640.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/eQFncveM_o.jpg 1074w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem da onda de choque (arco vermelho) criada pela enorme estrela gigante Zeta Ophiuchi numa nuvem de poeira interestelar. Os ventos t\u00e9nues de estrelas da sequ\u00eancia principal, semelhantes ao Sol, s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de observar.\nCr\u00e9dito: NASA e Equipa do Legado Hubble (STScI\/AURA); reconhecimento &#8211; C. R. O&#8217;Dell (Universidade Vanderbilt)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores detetou diretamente, pela primeira vez, ventos estelares de tr\u00eas estrelas semelhantes ao Sol, registando a emiss\u00e3o de raios X das suas astrosferas, e estabeleceu limites no ritmo de perda de massa das estrelas atrav\u00e9s dos seus ventos estelares. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As astrosferas, an\u00e1logos estelares da heliosfera que rodeia o nosso Sistema Solar, s\u00e3o bolhas de plasma muito quente sopradas pelos ventos estelares para o meio interestelar, um espa\u00e7o cheio de g\u00e1s e poeira. O estudo dos ventos estelares de estrelas de baixa massa, semelhantes ao Sol, permite-nos compreender a evolu\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria e, em \u00faltima an\u00e1lise, a hist\u00f3ria e o futuro da nossa pr\u00f3pria estrela e do nosso Sistema Solar. Os ventos estelares conduzem muitos processos que evaporam as atmosferas planet\u00e1rias para o espa\u00e7o e, por conseguinte, levam \u00e0 perda de massa atmosf\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o escape atmosf\u00e9rico, durante uma hora ou mesmo um ano, seja min\u00fasculo, este opera durante longos per\u00edodos geol\u00f3gicos. As perdas acumulam-se e podem ser um factor decisivo na evolu\u00e7\u00e3o para um mundo habit\u00e1vel ou para uma rocha nua. Apesar da sua import\u00e2ncia para a evolu\u00e7\u00e3o das estrelas e dos planetas, os ventos das estrelas semelhantes ao Sol s\u00e3o notoriamente dif\u00edceis de determinar. Compostos principalmente por prot\u00f5es e eletr\u00f5es, cont\u00eam tamb\u00e9m uma pequena quantidade de i\u00f5es mais pesados e altamente carregados (por exemplo, oxig\u00e9nio, carbono). S\u00e3o estes i\u00f5es que, ao capturarem eletr\u00f5es dos neutros do meio interestelar em torno da estrela, emitem raios X.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Detetada emiss\u00e3o de raios X de astrosferas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional liderada por Kristina Kislyakova, cientista s\u00e9nior do Departamento de Astrof\u00edsica da Universidade de Viena, detetou pela primeira vez a emiss\u00e3o de raios X das astrosferas em torno de tr\u00eas estrelas semelhantes ao Sol, as chamadas estrelas de sequ\u00eancia principal, que s\u00e3o estrelas no auge da sua vida, e registou assim pela primeira vez esses ventos diretamente, o que lhes permite colocar restri\u00e7\u00f5es ao ritmo de perda de massa das estrelas atrav\u00e9s dos seus ventos estelares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados, baseados em observa\u00e7\u00f5es com o telesc\u00f3pio espacial XMM-Newton, foram publicados na revista Nature Astronomy. Os investigadores observaram as impress\u00f5es digitais espetrais (as chamadas linhas espetrais) dos i\u00f5es de oxig\u00e9nio com o XMM-Newton e conseguiram determinar a quantidade de oxig\u00e9nio e, em \u00faltima an\u00e1lise, a massa total do vento estelar emitido pelas estrelas. Para as tr\u00eas estrelas com astrosferas detetadas, de nome 70 Ophiuchi, epsilon Eridani e 61 Cygni, os investigadores estimaram as suas taxas de perda de massa em 66,5\u00b111,1, 15,6\u00b14,4 e 9,6\u00b14,1 vezes a taxa de perda de massa solar, respetivamente. Isto significa que os ventos destas estrelas s\u00e3o muito mais fortes do que o nosso vento solar, o que pode ser explicado pela maior atividade magn\u00e9tica destas estrelas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/99\/71\/ynH2YRma_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/99\/71\/ynH2YRma_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem raios-X, pelo XMM-Newton, da estrela 70 Ophiuchi (esquerda) e a emiss\u00e3o de raios-X da regi\u00e3o (&#8220;Annulus&#8221;) que rodeia a estrela representada num espetro sobre a energia dos fot\u00f5es de raios-X (direita). A maior parte da emiss\u00e3o consiste em fot\u00f5es de raios X da pr\u00f3pria estrela, mas dispersos no telesc\u00f3pio e atrav\u00e9s da c\u00e2mara (aproximados pelo modelo mostrado com a linha azul), mas h\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o significativa em torno da linha K-alfa do oxig\u00e9nio a uma energia de 0,56 keV que tem origem na astrosfera estendida e n\u00e3o na estrela (esta contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 inclu\u00edda no modelo vermelho).<br>Cr\u00e9dito: Kislyakova et al., Nature Astronomy<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No Sistema Solar, a emiss\u00e3o de troca de carga do vento solar j\u00e1 foi observada em planetas, cometas e na heliosfera e constitui um laborat\u00f3rio natural para estudar a composi\u00e7\u00e3o do vento solar&#8221;, explica a autora principal do estudo, Kristina Kislyakova. &#8220;Observar esta emiss\u00e3o em estrelas distantes \u00e9 muito mais complicado devido ao car\u00e1cter t\u00e9nue do sinal. Para al\u00e9m disso, a dist\u00e2ncia \u00e0s estrelas torna muito dif\u00edcil separar o sinal emitido pela astrosfera da emiss\u00e3o real de raios X da pr\u00f3pria estrela, parte da qual est\u00e1 &#8216;espalhada&#8217; no campo de vis\u00e3o do telesc\u00f3pio devido a efeitos instrumentais. Desenvolvemos um novo algoritmo para separar as contribui\u00e7\u00f5es estelares e astrosf\u00e9ricas da emiss\u00e3o e detet\u00e1mos sinais de troca de carga provenientes de i\u00f5es de oxig\u00e9nio do vento estelar e do meio interestelar neutro circundante de tr\u00eas estrelas da sequ\u00eancia principal. Esta foi a primeira vez que se detetou emiss\u00e3o de troca de carga em raios X de astrosferas de tais estrelas. As nossas taxas de perda de massa estimadas podem ser usadas como refer\u00eancia para modelos de ventos estelares e para expandir a nossa limitada evid\u00eancia observacional para os ventos de estrelas semelhantes ao Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coautor Manuel G\u00fcdel, tamb\u00e9m da Universidade de Viena, acrescenta: &#8220;h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas que se fazem esfor\u00e7os a n\u00edvel mundial para comprovar a presen\u00e7a de ventos em torno de estrelas semelhantes ao Sol e para medir a sua for\u00e7a, mas at\u00e9 agora apenas evid\u00eancias indiretas baseadas nos seus efeitos secund\u00e1rios na estrela ou no seu ambiente aludiam \u00e0 sua exist\u00eancia; o nosso grupo tentou anteriormente detetar emiss\u00f5es de r\u00e1dio dos ventos, mas apenas conseguiu estabelecer limites superiores para a for\u00e7a dos ventos, sem detetar os pr\u00f3prios ventos. Os nossos novos resultados, baseados em raios X, abrem caminho para encontrar e at\u00e9 mesmo obter imagens destes ventos diretamente e estudar as suas intera\u00e7\u00f5es com os planetas circundantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No futuro, este m\u00e9todo de dete\u00e7\u00e3o direta de ventos estelares em raios X ser\u00e1 facilitado gra\u00e7as a futuros instrumentos de alta resolu\u00e7\u00e3o, como o espetr\u00f3metro X-IFU da miss\u00e3o europeia Athena. A alta resolu\u00e7\u00e3o espetral do X-IFU resolver\u00e1 a estrutura mais fina e o r\u00e1cio de emiss\u00e3o das linhas de oxig\u00e9nio (bem como outras linhas mais fracas), que s\u00e3o dif\u00edceis de distinguir com a resolu\u00e7\u00e3o CCD do XMM, e fornecer\u00e1 restri\u00e7\u00f5es adicionais sobre o mecanismo de emiss\u00e3o; emiss\u00e3o t\u00e9rmica das estrelas, ou troca de carga n\u00e3o t\u00e9rmica das astrosferas&#8221;. &#8211; explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) e coautora do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/medienportal.univie.ac.at\/en\/media\/recent-press-releases\/detailansicht-en\/artikel\/stellar-winds-of-three-sun-like-stars-detected-for-the-first-time\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Viena (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-024-02222-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Astrosfera:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar-wind_bubble\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vento estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_wind\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Perda de massa estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_mass_loss\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>70 Ophiuchi:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/70_Ophiuchi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Epsilon Eridani:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Epsilon_Eridani\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>61 Cygni:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/61_Cygni\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem da onda de choque (arco vermelho) criada pela enorme estrela gigante Zeta Ophiuchi numa nuvem de poeira interestelar. 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