{"id":6854,"date":"2024-03-26T07:14:57","date_gmt":"2024-03-26T06:14:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6854"},"modified":"2024-03-26T07:14:58","modified_gmt":"2024-03-26T06:14:58","slug":"o-telescopio-hubble-descobre-que-as-anas-castanhas-envelhecem-na-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/03\/26\/o-telescopio-hubble-descobre-que-as-anas-castanhas-envelhecem-na-solidao\/","title":{"rendered":"O Telesc\u00f3pio Hubble descobre que as an\u00e3s castanhas envelhecem na solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic2405a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/65K8f3eX_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6855\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/65K8f3eX_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/65K8f3eX_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/65K8f3eX_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/65K8f3eX_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de uma an\u00e3 castanha. Esta classe de objetos \u00e9 demasiado grande para ser um planeta (e n\u00e3o se formou da mesma forma), mas \u00e9 demasiado pequena para ser uma estrela porque n\u00e3o pode sustentar a fus\u00e3o nuclear, uma vez que \u00e9 menos massiva do que as estrelas mais pequenas. Uma an\u00e3 castanha \u00e9 caracterizada por bandas horizontais de nuvens espessas, que podem alternar com bandas relativamente livres de nuvens, dando ao objeto um aspeto \u00e0s riscas. Podem existir sistemas de tempestades rodopiantes t\u00e3o grandes como continentes terrestres, ou mesmo pequenos planetas. O nome &#8220;an\u00e3 castanha&#8221; \u00e9 um termo err\u00f3neo, porque o objeto \u00e9 tipicamente vermelho a olho nu. \u00c9 mais brilhante no infravermelho. Muitas an\u00e3s castanhas t\u00eam companheiras bin\u00e1rias. Mas \u00e0 medida que envelhecem, o sistema bin\u00e1rio separa-se gravitacionalmente e cada an\u00e3 segue o seu caminho, de acordo com um estudo recente do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. As estrelas de fundo na ilustra\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma visualiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica compilada a partir do cat\u00e1logo de estrelas da miss\u00e3o Gaia da ESA. As estrelas sintetizadas s\u00e3o exatas em termos de posi\u00e7\u00e3o, brilho e cor. Dado que esta n\u00e3o \u00e9 uma imagem da Via L\u00e1ctea, est\u00e3o em falta as nebulosas brilhantes e as nuvens de poeira escura.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STSCI) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o precisas duas pessoas para dan\u00e7ar o tango, mas no caso das an\u00e3s castanhas que no passado fizeram parte de sistemas bin\u00e1rios, essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o dura muito tempo, de acordo com um levantamento recente do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s castanhas s\u00e3o objetos interestelares maiores do que J\u00fapiter, mas mais pequenos do que as estrelas de menor massa. Nascem como as estrelas &#8211; a partir de uma nuvem de g\u00e1s e poeira em colapso &#8211; mas n\u00e3o t\u00eam massa suficiente para sustentar a fus\u00e3o do hidrog\u00e9nio como uma estrela normal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos, recorrendo ao Hubble, confirmaram que os pares s\u00e3o extremamente raros no que concerne \u00e0s an\u00e3s castanhas de menor massa e mais frias. O Hubble consegue detetar bin\u00e1rios t\u00e3o pr\u00f3ximos um do outro como uma separa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 480 milh\u00f5es de quil\u00f3metros &#8211; a separa\u00e7\u00e3o aproximada entre o nosso Sol e a cintura de asteroides. Mas n\u00e3o encontraram nenhum bin\u00e1rio numa amostra de an\u00e3s castanhas na vizinhan\u00e7a solar. Isto implica que um par de an\u00e3s est\u00e1 t\u00e3o fracamente ligado pela gravidade que se afastam ao longo de algumas centenas de milh\u00f5es de anos devido \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de estrelas passageiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo confirma que as companheiras amplamente separadas s\u00e3o extremamente raras entre as an\u00e3s castanhas isoladas de menor massa e mais frias, apesar de serem observadas an\u00e3s castanhas bin\u00e1rias em idades mais jovens. Isto sugere que tais sistemas n\u00e3o sobrevivem ao longo do tempo&#8221;, disse a autora principal Cl\u00e9mence Fontanive do iREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) da Universidade de Montreal, no Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo semelhante realizado h\u00e1 alguns anos por Fontanive, o Hubble observou an\u00e3s castanhas extremamente jovens e algumas tinham companheiras, confirmando que os mecanismos de forma\u00e7\u00e3o estelar produzem an\u00e3s castanhas bin\u00e1rias e de baixa massa. A aus\u00eancia de companheiras para an\u00e3s castanhas mais velhas sugere que algumas podem ter come\u00e7ado como bin\u00e1rias, mas separaram-se ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas descobertas do Hubble, publicadas na revista The Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, apoiam ainda mais a teoria de que as an\u00e3s castanhas nascem da mesma forma que as estrelas, atrav\u00e9s do colapso gravitacional de uma nuvem de hidrog\u00e9nio molecular. A diferen\u00e7a \u00e9 que n\u00e3o t\u00eam massa suficiente para sustentar a fus\u00e3o nuclear do hidrog\u00e9nio para produzir energia, ao passo que as estrelas t\u00eam. Mais de metade das estrelas da nossa Gal\u00e1xia t\u00eam uma companheira que resultou destes processos de forma\u00e7\u00e3o, sendo as estrelas mais massivas mais frequentemente encontradas em sistemas bin\u00e1rios. &#8220;A motiva\u00e7\u00e3o para o estudo foi, de facto, verificar at\u00e9 que ponto as tend\u00eancias observadas nos sistemas m\u00faltiplos se mant\u00eam a um n\u00edvel baixo de massa&#8221;, disse Fontanive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo, com o Hubble, fornece evid\u00eancias diretas de que estes bin\u00e1rios que observamos quando s\u00e3o jovens t\u00eam pouca probabilidade de sobreviver at\u00e9 \u00e0 velhice, \u00e9 mais prov\u00e1vel que se desintegrem. Quando s\u00e3o jovens, fazem parte de uma nuvem molecular e, \u00e0 medida que envelhecem, a nuvem dispersa-se. Quando isso acontece, as coisas come\u00e7am a mover-se e as estrelas passam umas pelas outras. Dado que as an\u00e3s castanhas s\u00e3o muito leves, a liga\u00e7\u00e3o gravitacional que une os pares \u00e9 muito fraca e as estrelas passageiras podem facilmente separ\u00e1-las&#8221;, disse Fontanive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa selecionou uma amostra de an\u00e3s castanhas previamente identificadas pelo WISE (Wide-Field Infrared Survey Explorer) da NASA. Estudou algumas das an\u00e3s castanhas mais antigas, mais frias e com menor massa na vizinhan\u00e7a solar. Estas velhas an\u00e3s castanhas s\u00e3o t\u00e3o frias (algumas centenas de graus mais quentes que J\u00fapiter na maioria dos casos) que as suas atmosferas cont\u00eam vapor de \u00e1gua que se condensou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para encontrar as companheiras mais frias, a equipa usou dois filtros diferentes no infravermelho pr\u00f3ximo, um em que as an\u00e3s castanhas frias s\u00e3o brilhantes e outro que cobre comprimentos de onda espec\u00edficos em que aparecem muito t\u00e9nues devido \u00e0 absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nas suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a melhor evid\u00eancia observacional at\u00e9 \u00e0 data de que os pares de an\u00e3s castanhas se separam com o passar do tempo&#8221;, disse Fontanive. &#8220;N\u00e3o ter\u00edamos conseguido fazer este tipo de levantamento e confirmar modelos anteriores sem a vis\u00e3o n\u00edtida e a sensibilidade do Hubble.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-finds-that-aging-brown-dwarfs-grow-lonely\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2405\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-005\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetes.umontreal.ca\/en\/udem-astronomer-finds-that-aging-brown-dwarfs-grow-lonely\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ iREx (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/nouvelles.umontreal.ca\/en\/article\/2024\/03\/21\/udem-astronomer-finds-that-brown-dwarfs-grow-old-alone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Montreal (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/526\/2\/1783\/7281022?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2309.09923\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WISE (ou NEOWISE):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/neowise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/neowise.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wide-field_Infrared_Survey_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de uma an\u00e3 castanha. 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