{"id":6848,"date":"2024-03-22T07:22:59","date_gmt":"2024-03-22T06:22:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6848"},"modified":"2024-03-22T07:22:59","modified_gmt":"2024-03-22T06:22:59","slug":"o-impacto-da-dart-mudou-a-orbita-e-a-forma-do-asteroide-dimorphos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/03\/22\/o-impacto-da-dart-mudou-a-orbita-e-a-forma-do-asteroide-dimorphos\/","title":{"rendered":"O impacto da DART mudou a \u00f3rbita e a forma do asteroide Dimorphos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6849\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1p47aGb1_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O asteroide Dimorphos, fotografado pela miss\u00e3o DART da NASA apenas dois segundos antes da nave espacial embater na sua superf\u00edcie, no dia 26 de setembro de 2022. As observa\u00e7\u00f5es do asteroide, antes e depois do impacto, sugerem que se trata de um objeto &#8220;pilha de entulho&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando a miss\u00e3o DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA embateu deliberadamente contra um asteroide de 170 metros de largura, no dia 26 de setembro de 2022, deixou l\u00e1 a sua marca em mais do que uma maneira. A demonstra\u00e7\u00e3o mostrou que um impacto cin\u00e9tico poderia desviar um asteroide perigoso, caso este alguma vez estivesse em rota de colis\u00e3o com a Terra. Agora, um novo estudo publicado na revista The Planetary Science Journal mostra que o impacto alterou n\u00e3o apenas o movimento do asteroide, mas tamb\u00e9m a sua forma.<\/p>\n\n\n\n<p>O alvo da DART, o asteroide Dimorphos, \u00e9 uma lua de Didymos, um asteroide maior que orbita relativamente perto da Terra. Antes do impacto, Dimorphos era um &#8220;esferoide oblato&#8221; aproximadamente sim\u00e9trico &#8211; como uma bola esmagada que \u00e9 mais larga do que alta. Com uma \u00f3rbita circular bem definida e a uma dist\u00e2ncia de cerca de 1189 metros de Didymos, Dimorphos demorava 11 horas e 55 minutos a completar uma volta em torno do seu &#8220;irm\u00e3o mais crescido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando a DART realizou o impacto, as coisas ficaram muito interessantes&#8221;, disse Shantanu Naidu, engenheiro de navega\u00e7\u00e3o no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, que liderou o estudo. &#8220;A \u00f3rbita de Dimorphos deixou de ser circular: o seu per\u00edodo orbital&#8221; &#8211; o tempo que demora a completar uma \u00fanica \u00f3rbita &#8211; &#8220;\u00e9 agora 33 minutos e 15 segundos mais curto. E toda a forma do asteroide mudou, de um objeto relativamente sim\u00e9trico para um &#8216;elipsoide triaxial&#8217; &#8211; algo mais parecido com uma melancia oblonga.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6c\/a7\/mthqTRET_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6c\/a7\/mthqTRET_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra a mudan\u00e7a de forma aproximada que o asteroide Dimorphos sofreu ap\u00f3s o impacto da DART. Antes do impacto, \u00e0 esquerda, o asteroide tinha a forma de uma bola esmagada; ap\u00f3s o impacto, assumiu uma forma mais alongada, como uma melancia.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Relat\u00f3rio dos danos em Dimorphos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de Naidu utilizou tr\u00eas fontes de dados, nos seus modelos inform\u00e1ticos, para deduzir o que tinha acontecido ao asteroide ap\u00f3s o impacto. A primeira fonte estava a bordo da DART: a nave espacial captou imagens \u00e0 medida que se aproximava do asteroide e enviou-as para a Terra atrav\u00e9s da DSN (Deep Space Network) da NASA. Estas imagens forneceram medi\u00e7\u00f5es da dist\u00e2ncia entre Didymos e Dimorphos, ao mesmo tempo que avaliaram as dimens\u00f5es de ambos os asteroides imediatamente antes do impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda fonte de dados foi o GSSR (Goldstone Solar System Radar) da DSN, localizado perto de Barstow, Calif\u00f3rnia, que refletiu ondas de r\u00e1dio de ambos os asteroides para medir com precis\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o e a velocidade de Dimorphos em rela\u00e7\u00e3o a Didymos ap\u00f3s o impacto. As observa\u00e7\u00f5es de radar rapidamente ajudaram a NASA a concluir que o efeito da DART no asteroide excedeu em muito as expetativas m\u00ednimas.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira e mais significativa fonte de dados: telesc\u00f3pios terrestres em todo o mundo que mediram a &#8220;curva de luz&#8221; de ambos os asteroides, ou seja, a forma como a luz solar refletida das superf\u00edcies dos asteroides se alterou ao longo do tempo. Ao comparar as curvas de luz antes e depois do impacto, os investigadores puderam saber como a DART alterou o movimento de Dimorphos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que Dimorphos orbita, passa periodicamente \u00e0 frente e depois atr\u00e1s de Didymos. Nestes chamados &#8220;eventos m\u00fatuos&#8221;, um asteroide pode lan\u00e7ar uma sombra sobre o outro ou bloquear a nossa vis\u00e3o a partir da Terra. Em ambos os casos, os telesc\u00f3pios registam uma diminui\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de brilho &#8211; uma queda na curva de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Utiliz\u00e1mos os tempos desta s\u00e9rie precisa de quedas na curva de luz para deduzir a forma da \u00f3rbita e, como os nossos modelos eram muito sens\u00edveis, pudemos tamb\u00e9m descobrir a forma do asteroide&#8221;, disse Steve Chesley, investigador principal no JPL e coautor do estudo. A equipa descobriu que a \u00f3rbita de Dimorphos \u00e9 agora ligeiramente alongada, ou exc\u00eantrica. &#8220;Antes do impacto&#8221;, continuou Chesley, &#8220;os eventos ocorriam regularmente, mostrando uma \u00f3rbita circular. Ap\u00f3s o impacto, houve diferen\u00e7as de tempo muito ligeiras, mostrando que algo estava errado. Nunca esper\u00e1mos obter este tipo de precis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os modelos s\u00e3o t\u00e3o precisos que at\u00e9 mostram que Dimorphos balan\u00e7a para tr\u00e1s e para a frente enquanto orbita Didymos, disse Naidu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o Orbital<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os modelos da equipa tamb\u00e9m calcularam a evolu\u00e7\u00e3o do per\u00edodo orbital de Dimorphos. Imediatamente ap\u00f3s o impacto, a DART reduziu a dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre os dois asteroides, encurtando o per\u00edodo orbital de Dimorphos em 32 minutos e 42 segundos, para 11 horas, 22 minutos e 37 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das semanas seguintes, o per\u00edodo orbital do asteroide continuou a diminuir \u00e0 medida que Dimorphos perdia mais material rochoso para o espa\u00e7o, fixando-se finalmente nas 11 horas, 22 minutos e 3 segundos por \u00f3rbita &#8211; menos 33 minutos e 15 segundos do que antes do impacto. Este c\u00e1lculo tem uma precis\u00e3o de 1,5 segundos, disse Naidu. Dimorphos tem agora uma dist\u00e2ncia orbital m\u00e9dia a Didymos de aproximadamente 1152 metros &#8211; cerca de 37 metros mais perto do que antes do impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os resultados deste estudo concordam com outros que est\u00e3o a ser publicados&#8221;, disse Tom Statler, cientista principal para corpos pequenos do Sistema Solar na sede da NASA em Washington. &#8220;Ver grupos separados a analisar os dados e a chegar \u00e0s mesmas conclus\u00f5es de forma independente \u00e9 uma marca de um resultado cient\u00edfico s\u00f3lido. A DART n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 a mostrar-nos o caminho para uma tecnologia de desvio de asteroides, como tamb\u00e9m est\u00e1 a revelar novos conhecimentos fundamentais sobre o que s\u00e3o os asteroides e como se comportam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados e as observa\u00e7\u00f5es dos detritos deixados ap\u00f3s o impacto indicam que Dimorphos \u00e9 um objeto tipo &#8220;pilha de entulho&#8221;, semelhante ao asteroide Bennu. A miss\u00e3o Hera da ESA, cujo lan\u00e7amento est\u00e1 previsto para outubro de 2024, deslocar-se-\u00e1 at\u00e9 este par de asteroides para efetuar um estudo detalhado e para confirmar a maneira como a DART alterou Dimorphos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/dart\/nasa-study-asteroids-orbit-shape-changed-after-dart-impact\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ad26e7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esferoide:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spheroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elipsoide:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ellipsoid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/dart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/AsteroidWatch\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/NASA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Hera:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.heramission.space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hera_(space_mission)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O asteroide Dimorphos, fotografado pela miss\u00e3o DART da NASA apenas dois segundos antes da nave espacial embater na sua superf\u00edcie, no dia 26 de setembro de 2022. 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