{"id":6842,"date":"2024-03-22T07:18:51","date_gmt":"2024-03-22T06:18:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6842"},"modified":"2024-03-22T07:18:52","modified_gmt":"2024-03-22T06:18:52","slug":"cientistas-encontram-uma-das-estrelas-mais-antigas-que-se-formou-noutra-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/03\/22\/cientistas-encontram-uma-das-estrelas-mais-antigas-que-se-formou-noutra-galaxia\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram uma das estrelas mais antigas que se formou noutra gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6843\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/LtFeXpC.jpg 1380w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os Telesc\u00f3pios Magellan, do Observat\u00f3rio Las Campanas, que os cientistas utilizaram para mapear o perfil elementar das estrelas antigas da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es &#8211; a mancha brilhante perto do canto superior esquerdo.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas transformou o Universo. Nos seus n\u00facleos, o hidrog\u00e9nio e o h\u00e9lio fundiram-se num arco-\u00edris de elementos. Quando estas estrelas morreram, explodiram e espalharam estes novos elementos por todo o Universo. O ferro que corre nas nossas veias, o c\u00e1lcio nos nossos dentes, o s\u00f3dio que nos ajuda a pensar &#8211; nasceram todos no cora\u00e7\u00e3o de estrelas h\u00e1 muito mortas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m conseguiu ainda encontrar uma dessas estrelas de primeira gera\u00e7\u00e3o, mas os cientistas anunciaram uma descoberta \u00fanica: uma estrela de segunda gera\u00e7\u00e3o formada originalmente numa gal\u00e1xia diferente da nossa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta estrela fornece uma janela \u00fanica para o processo inicial da forma\u00e7\u00e3o de elementos noutras gal\u00e1xias que n\u00e3o a nossa&#8221;, disse Anirudh Chiti, p\u00f3s-doutorado da Universidade de Chicago e primeiro autor do artigo cient\u00edfico que divulga estes achados. &#8220;Constru\u00edmos uma ideia do aspeto destas estrelas que foram quimicamente enriquecidas pelas primeiras estrelas na Via L\u00e1ctea, mas ainda n\u00e3o sabemos se algumas destas assinaturas s\u00e3o \u00fanicas, ou se as coisas aconteceram de forma semelhante noutras gal\u00e1xias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo cient\u00edfico foi publicado no passado dia 20 de mar\u00e7o na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Pescando agulhas em palheiros&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chiti especializou-se no que se chama arqueologia estelar: a reconstru\u00e7\u00e3o da forma como as primeiras gera\u00e7\u00f5es de estrelas mudaram o Universo. &#8220;Queremos compreender quais eram as propriedades dessas primeiras estrelas e quais os elementos que produziam&#8221;, disse Chiti.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda ningu\u00e9m conseguiu observar diretamente essas estrelas de primeira gera\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que ainda existem no Universo. Em vez disso, Chiti e os seus colegas procuram estrelas que se formaram a partir das cinzas dessa primeira gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um trabalho dif\u00edcil, porque at\u00e9 a segunda gera\u00e7\u00e3o de estrelas \u00e9 agora incrivelmente antiga e rara. A maior parte das estrelas do Universo, incluindo o nosso pr\u00f3prio Sol, s\u00e3o o resultado de dezenas a milhares de nascimentos e mortes estelares, acumulando cada vez mais elementos pesados. &#8220;Talvez menos de uma em cada 100.000 estrelas da Via L\u00e1ctea seja uma destas estrelas de segunda gera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;Estamos realmente a pescar agulhas em palheiros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o trabalho vale a pena, no sentido de obter instant\u00e2neos de como o Universo era no passado. &#8220;Estas estrelas preservam, nas suas camadas exteriores, os elementos do local onde se formaram&#8221;, explicou. &#8220;Se conseguirmos encontrar uma estrela muito antiga e obter a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, podemos compreender como era a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do Universo no local onde essa estrela se formou, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma estrela estranha e intrigante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para este estudo, Chiti e os seus colegas apontaram os seus telesc\u00f3pios para um alvo invulgar: as estrelas que constituem a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>A Grande Nuvem de Magalh\u00e3es \u00e9 uma mancha brilhante de estrelas vis\u00edvel a olho nu no hemisf\u00e9rio sul. Atualmente, pensamos que \u00e9 uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite que foi capturada pela gravidade da Via L\u00e1ctea h\u00e1 apenas alguns milhares de milh\u00f5es de anos. Isto torna-a particularmente interessante porque as suas estrelas mais antigas se formaram fora da Via L\u00e1ctea &#8211; dando aos astr\u00f3nomos a oportunidade de saber se as condi\u00e7\u00f5es no in\u00edcio do Universo eram todas iguais ou se eram diferentes noutros locais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2030a.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4a\/88\/K5dY7qBm_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Grande Nuvem de Magalh\u00e3es.<br>Cr\u00e9dito: CTIO\/NOIRLab\/NSF\/AURA\/SMASH\/D. Nidever (Universfidade do Estado de Montana); processamento de iamgem &#8211; Travis Rector (Universidade do Alaska em Anchorage), Mahdi Zamani e Davide de Martin<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os cientistas procuraram evid\u00eancias destas estrelas particularmente antigas na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es e catalogaram dez delas, primeiro com o sat\u00e9lite Gaia da ESA e depois com o Telesc\u00f3pio Magellan no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma destas estrelas saltou imediatamente \u00e0 vista. Continha muito, muito menos elementos pesados do que qualquer outra estrela j\u00e1 observada na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. Isto significa que provavelmente se formou no rescaldo da primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas &#8211; ainda n\u00e3o tinha, assim sendo, acumulado elementos mais pesados ao longo de repetidos nascimentos e mortes estelares.<\/p>\n\n\n\n<p>Mapeando os seus elementos, os cientistas ficaram surpreendidos ao ver que tinha muito menos carbono do que ferro, em compara\u00e7\u00e3o com o que vemos nas estrelas da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso foi muito intrigante e sugere que talvez o aumento do carbono na gera\u00e7\u00e3o mais antiga, como vemos na Via L\u00e1ctea, n\u00e3o fosse universal&#8221;, disse Chiti. &#8220;Teremos de fazer mais estudos, mas isto sugere que h\u00e1 diferen\u00e7as de lugar para lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Penso que estamos a completar uma imagem do processo de enriquecimento dos primeiros elementos em diferentes ambientes&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>As suas descobertas tamb\u00e9m corroboram outros estudos que sugerem que a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es produziu muito menos estrelas ao in\u00edcio, em compara\u00e7\u00e3o com a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Chiti est\u00e1 atualmente a liderar um programa com o objetivo de mapear uma grande parte do c\u00e9u meridional e de encontrar as estrelas mais antigas poss\u00edveis. &#8220;Esta descoberta sugere que devem existir muitas destas estrelas na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, se observarmos com aten\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;\u00c9 realmente excitante abrir a arqueologia estelar da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es e poder mapear com tanto pormenor como as primeiras estrelas enriqueceram quimicamente o Universo em diferentes regi\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/scientists-find-one-most-ancient-stars-formed-another-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-024-02223-w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2401.11307\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Arqueologia estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_archaeology\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_population\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Metalicidade:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Metallicity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Magellan:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lco.cl\/telescopes-information\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Telesc\u00f3pios Magellan, do Observat\u00f3rio Las Campanas, que os cientistas utilizaram para mapear o perfil elementar das estrelas antigas da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es &#8211; a mancha brilhante perto do canto superior esquerdo.Cr\u00e9dito: Instituto Carnegie A primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas transformou o Universo. 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