{"id":6798,"date":"2024-03-05T07:19:23","date_gmt":"2024-03-05T06:19:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6798"},"modified":"2024-03-05T07:19:24","modified_gmt":"2024-03-05T06:19:24","slug":"uma-nova-reviravolta-na-superficie-em-ebulicao-de-betelgeuse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/03\/05\/uma-nova-reviravolta-na-superficie-em-ebulicao-de-betelgeuse\/","title":{"rendered":"Uma nova reviravolta na superf\u00edcie em ebuli\u00e7\u00e3o de Betelgeuse"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"591\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o-1024x591.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6799\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o-1024x591.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o-300x173.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o-768x443.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/HQcU2h2n_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma compara\u00e7\u00e3o direta de uma simula\u00e7\u00e3o computacional de uma supergigante vermelha sem rota\u00e7\u00e3o com observa\u00e7\u00f5es ALMA de Betelgeuse. Se n\u00e3o for suficientemente resolvida nos telesc\u00f3pios, a convec\u00e7\u00e3o em grande escala pode resultar num mapa de velocidade dipolar. A linha de cima mostra mapas de intensidade, a linha de baixo mostra mapas de velocidade radial. A coluna da esquerda mostra a simula\u00e7\u00e3o da estrela em resolu\u00e7\u00e3o total; a coluna do meio mostra observa\u00e7\u00f5es simuladas com resolu\u00e7\u00e3o reduzida. A coluna da direita mostra a observa\u00e7\u00e3o ALMA atual.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck de Astrof\u00edsica, Jing-Ze Ma et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Betelgeuse \u00e9 uma conhecida estrela supergigante vermelha na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Orionte. Recentemente ganhou muita aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque as varia\u00e7\u00f5es no seu brilho levaram a especula\u00e7\u00f5es de que uma explos\u00e3o poderia estar iminente, mas tamb\u00e9m porque as observa\u00e7\u00f5es indicaram que est\u00e1 a girar muito mais depressa do que o esperado. Esta \u00faltima interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 agora posta em causa por uma equipa internacional liderada por astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck de Astrof\u00edsica, que prop\u00f5em que a superf\u00edcie escaldante de Betelgeuse pode ser confundida com rota\u00e7\u00e3o mesmo atrav\u00e9s dos telesc\u00f3pios mais avan\u00e7ados. Outros astr\u00f3nomos est\u00e3o a analisar ativamente novos dados observacionais para testar estas hip\u00f3teses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo uma das estrelas mais brilhantes do hemisf\u00e9rio norte, Betelgeuse pode ser facilmente encontrada a olho nu na constela\u00e7\u00e3o de Orionte. Betelgeuse \u00e9 uma das maiores estrelas conhecidas. Com um di\u00e2metro superior a mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros, \u00e9 quase 1000 vezes maior do que o Sol. Se estivesse no nosso Sistema Solar, teria engolido a Terra com uma atmosfera que chegaria a J\u00fapiter. N\u00e3o \u00e9 suposto uma estrela t\u00e3o grande girar rapidamente. Ao longo da sua evolu\u00e7\u00e3o, a maioria das estrelas expande-se e gira mais devagar para conservar o momento angular. No entanto, observa\u00e7\u00f5es recentes sugerem que Betelgeuse est\u00e1 a girar muito rapidamente (a 5 km\/s), duas ordens de grandeza mais depressa do que uma estrela evolu\u00edda deveria girar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evid\u00eancia mais proeminente da rota\u00e7\u00e3o de Betelgeuse veio do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array). As 66 antenas do ALMA trabalham em conjunto como se fossem um \u00fanico telesc\u00f3pio gigante. Utilizam uma t\u00e9cnica conhecida como interferometria, em que duas ou mais antenas captam um sinal do Universo e unem for\u00e7as para analisar o sinal e obter informa\u00e7\u00f5es sobre a sua fonte de emiss\u00e3o. Utilizando esta t\u00e9cnica, os astr\u00f3nomos descobriram um mapa de velocidade radial dipolar na camada exterior de Betelgeuse: metade da estrela parece estar a aproximar-se de n\u00f3s e a outra metade parece estar a afastar-se. Esta observa\u00e7\u00e3o, juntamente com estudos anteriores, levou \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de que Betelgeuse est\u00e1 a girar rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta interpreta\u00e7\u00e3o teria sido clara, se Betelgeuse fosse uma esfera perfeitamente redonda. No entanto, a superf\u00edcie de Betelgeuse \u00e9 um mundo vibrante, governado por um processo f\u00edsico chamado convec\u00e7\u00e3o. Podemos observar a convec\u00e7\u00e3o na nossa vida quotidiana quando fervemos \u00e1gua, mas em Betelgeuse, este processo \u00e9 muito mais violento: as bolhas em ebuli\u00e7\u00e3o podem ser t\u00e3o grandes como a \u00f3rbita da Terra em torno do Sol, cobrindo uma grande fra\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de Betelgeuse. Sobem e descem a uma velocidade de at\u00e9 30 km\/s, mais depressa do que qualquer nave espacial tripulada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base neste quadro f\u00edsico, uma equipa internacional liderada por Jing-Ze Ma, estudante de doutoramento no Instituto Max Planck de Astrof\u00edsica, fornece agora uma explica\u00e7\u00e3o alternativa para o mapa de velocidades dipolares de Betelgeuse: a superf\u00edcie em ebuli\u00e7\u00e3o de Betelgeuse imita a rota\u00e7\u00e3o. Um grupo de bolhas em ebuli\u00e7\u00e3o sobe de um lado da estrela e outro grupo de bolhas afunda-se do outro lado. Devido \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o limitada do telesc\u00f3pio ALMA, estes movimentos convectivos estariam desfocados em observa\u00e7\u00f5es reais, o que resultaria no mapa de velocidade dipolar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa desenvolveu um novo pacote de p\u00f3s-processamento para produzir imagens sint\u00e9ticas do ALMA e espetros submilim\u00e9tricos a partir das suas simula\u00e7\u00f5es hidrodin\u00e2micas de radia\u00e7\u00e3o 3D de estrelas supergigantes vermelhas sem rota\u00e7\u00e3o. Em 90% das simula\u00e7\u00f5es, a estrela seria interpretada como estando a girar a v\u00e1rios km\/s simplesmente devido aos movimentos de ebuli\u00e7\u00e3o em grande escala na superf\u00edcie que n\u00e3o s\u00e3o claramente vistos pelo telesc\u00f3pio ALMA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o necess\u00e1rias mais observa\u00e7\u00f5es para melhor avaliar a r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o de Betelgeuse, e a equipa fez previs\u00f5es para futuras observa\u00e7\u00f5es com maior resolu\u00e7\u00e3o espacial. Felizmente, outros astr\u00f3nomos j\u00e1 fizeram observa\u00e7\u00f5es de maior resolu\u00e7\u00e3o de Betelgeuse em 2022. Os novos dados est\u00e3o a ser analisados neste momento, o que ir\u00e1 p\u00f4r \u00e0 prova as previs\u00f5es e ajudar a desvendar a m\u00e1scara de Betelgeuse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A maioria das estrelas s\u00e3o apenas pequenos pontos de luz no c\u00e9u noturno. Betelgeuse \u00e9 t\u00e3o incrivelmente grande e est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3xima que, com os melhores telesc\u00f3pios, \u00e9 uma das poucas estrelas em que podemos efetivamente observar e estudar a sua superf\u00edcie fervente. Ainda parece um pouco como um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como se tiv\u00e9ssemos viajado at\u00e9 l\u00e1 para a ver de perto&#8221;, diz a coautora Selma de Mink (diretora do Instituto Max Planck de Astrof\u00edsica). &#8220;E os resultados s\u00e3o muito interessantes. Se Betelgeuse estiver, realmente, a girar rapidamente, ent\u00e3o pensamos que deve ter sido &#8216;acelerada&#8217; depois de comer uma pequena estrela companheira que a orbitava.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 tanta coisa que ainda n\u00e3o compreendemos sobre estrelas gigantescas em ebuli\u00e7\u00e3o como Betelgeuse&#8221;, diz o coautor Andrea Chiavassa, astr\u00f3nomo do CNRS (Centre national de la recherche scientifique). &#8220;Como \u00e9 que elas funcionam realmente? Como \u00e9 que perdem massa? Que mol\u00e9culas se podem formar nos seus fluxos? Porque \u00e9 que Betelgeuse ficou subitamente menos brilhante? Estamos a trabalhar arduamente para tornar as nossas simula\u00e7\u00f5es computacionais cada vez melhores, mas precisamos realmente dos incr\u00edveis dados de telesc\u00f3pios como o ALMA&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mpa-garching.mpg.de\/1094283\/hl202403\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck de Astrof\u00edsica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad24fd\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.16885\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Betelgeuse:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Betelgeuse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supergigante vermelha:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_supergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma compara\u00e7\u00e3o direta de uma simula\u00e7\u00e3o computacional de uma supergigante vermelha sem rota\u00e7\u00e3o com observa\u00e7\u00f5es ALMA de Betelgeuse. 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