{"id":6793,"date":"2024-03-01T07:24:32","date_gmt":"2024-03-01T06:24:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6793"},"modified":"2024-03-01T07:24:32","modified_gmt":"2024-03-01T06:24:32","slug":"cicatriz-de-metais-encontrada-em-estrela-canibal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/03\/01\/cicatriz-de-metais-encontrada-em-estrela-canibal\/","title":{"rendered":"Cicatriz de metais encontrada em estrela canibal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso2403a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"704\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o-1024x704.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6794\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o-1024x704.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o-300x206.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o-768x528.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o-110x75.jpg 110w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/AK2soRJ5_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica mostra a an\u00e3 branca magn\u00e9tica WD 0816-310, onde os astr\u00f3nomos encontraram um g\u00e9nero de cicatriz na sua superf\u00edcie resultante da &#8220;ingest\u00e3o&#8221; de restos planet\u00e1rios.<br>Quando se aproximam da an\u00e3 branca, objetos como planetas ou asteroides desfazem-se, formando um disco de restos em torno da estrela morta. Parte deste material pode ser &#8220;devorado&#8221; pela an\u00e3 branca, deixando tra\u00e7os de certos elementos qu\u00edmicos na sua superf\u00edcie.<br>Com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astr\u00f3nomos descobriram que a assinatura destes elementos qu\u00edmicos varia periodicamente com a rota\u00e7\u00e3o da estrela, do mesmo modo que o campo magn\u00e9tico. Isto significa que os campos magn\u00e9ticos guiaram estes elementos em queda na estrela, concentrando-os nos polos magn\u00e9ticos e dando origem \u00e0 cicatriz que aqui vemos.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando uma estrela como o Sol chega ao final da sua vida, pode &#8220;ingerir&#8221; planetas e asteroides do seu meio circundante e que nasceram com ela. Agora, com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, os investigadores encontraram pela primeira vez uma assinatura \u00fanica deste processo: uma esp\u00e9cie de cicatriz na superf\u00edcie de uma estrela an\u00e3 branca. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 bem sabido que algumas an\u00e3s brancas, remanescentes de estrelas como o nosso Sol que arrefecem lentamente, est\u00e3o a canibalizar peda\u00e7os dos seus sistemas planet\u00e1rios. Agora descobrimos que o campo magn\u00e9tico da estrela desempenha um papel fundamental neste processo, resultando numa esp\u00e9cie de cicatriz na superf\u00edcie da an\u00e3 branca&#8221;, disse Stefano Bagnulo, astr\u00f3nomo do Observat\u00f3rio &amp; Planet\u00e1rio de Armagh, na Irlanda do Norte, Reino Unido, principal autor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;cicatriz&#8221; que a equipa observou trata-se de uma concentra\u00e7\u00e3o de metais bem marcada na superf\u00edcie da an\u00e3 branca WD 0816-310, o remanescente do tamanho da Terra de uma estrela semelhante (apenas um pouco maior) ao nosso Sol. &#8220;Demonstr\u00e1mos que estes metais s\u00e3o origin\u00e1rios de um fragmento planet\u00e1rio t\u00e3o grande ou talvez at\u00e9 maior do que Vesta, o qual tem cerca de 500 km de di\u00e2metro e \u00e9 o segundo maior asteroide do Sistema Solar&#8221;, explicou Jay Farihi, professor da University College London, Reino Unido, coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es forneceram tamb\u00e9m pistas sobre a forma como a estrela obteve esta cicatriz met\u00e1lica. A equipa notou que a intensidade da dete\u00e7\u00e3o de metais mudava \u00e0 medida que a estrela rodava, o que sugere que os metais se concentram numa \u00e1rea espec\u00edfica da an\u00e3 branca, em vez de se espalharem por toda a sua superf\u00edcie. Os investigadores descobriram tamb\u00e9m que estas mudan\u00e7as est\u00e3o sincronizadas com as mudan\u00e7as no campo magn\u00e9tico da an\u00e3 branca, indicando que esta cicatriz de metais est\u00e1 localizada num dos seus polos magn\u00e9ticos. Todas estas pistas em conjunto parecem indicar que o campo magn\u00e9tico canalizou metais para a estrela, criando esta marca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Surpreendentemente, o material n\u00e3o se encontra uniformemente distribu\u00eddo na superf\u00edcie da estrela, como previsto pela teoria. Em vez disso, esta cicatriz \u00e9 uma mancha concentrada de material planet\u00e1rio, mantido neste s\u00edtio pelo mesmo campo magn\u00e9tico que guiou os fragmentos em queda&#8221;, disse o coautor John Landstreet, professor da Universidade de Western Ontario, Canad\u00e1, tamb\u00e9m afiliado ao Observat\u00f3rio &amp; Planet\u00e1rio de Armagh. &#8220;Nunca t\u00ednhamos observado at\u00e9 agora nada deste g\u00e9nero&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar a estas conclus\u00f5es, a equipa utilizou o instrumento FORS2 montado no VLT, que permitiu aos cientistas detetar esta cicatriz met\u00e1lica e relacion\u00e1-la com o campo magn\u00e9tico da estrela. &#8220;O ESO tem uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de capacidades necess\u00e1rias para observar objetos t\u00e9nues, como \u00e9 o caso das an\u00e3s brancas, e medir campos magn\u00e9ticos estelares com bastante sensibilidade\u201d, disse Bagnulo. No seu estudo, a equipa utilizou igualmente dados de arquivo do instrumento X-shooter do VLT para confirmar os resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirando partido de observa\u00e7\u00f5es como estas, os astr\u00f3nomos conseguem determinar a composi\u00e7\u00e3o da maioria dos exoplanetas \u2014 planetas que orbitam outras estrelas fora do Sistema Solar. Este estudo \u00fanico mostra igualmente como os sistemas planet\u00e1rios podem permanecer dinamicamente ativos, mesmo depois de &#8220;mortos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Metal scar found on cannibal star | ESOcast Light\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v8z9jxZR0xs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2403\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ucl.ac.uk\/news\/2024\/feb\/metal-scar-found-dying-star-ingesting-planets-and-asteroids\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ UCL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad2619\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2402.16526\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1035259\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/zombie-star-devouring-planets-metal-scar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2024\/02\/240226114047.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/astronomers-spot-metal-scarring-on-cannibalistic-star-system\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-02-metal-scar-cannibal-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/the-metal-scar-of-a-devoured-planet-reveals-a-zombie-stars-cannibalistic-past\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2024\/02\/26\/world\/cannibal-star-metal-scar-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/technology\/space\/astronomers-observe-scar-white-dwarf-cannibal-star-2024-02-26\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reuters<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/white-dwarf-star-metal-scar-exoplanet-1872903\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/tek.sapo.pt\/noticias\/ciencia\/artigos\/cientistas-encontram-cicatriz-metalica-em-estrela-canibal-que-ja-foi-como-o-sol\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SAPO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/fors\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FORS2 (ESO)<\/a><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/instruments\/gravity.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/x-shooter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X-shooter (ESO)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem art\u00edstica mostra a an\u00e3 branca magn\u00e9tica WD 0816-310, onde os astr\u00f3nomos encontraram um g\u00e9nero de cicatriz na sua superf\u00edcie resultante da &#8220;ingest\u00e3o&#8221; de restos planet\u00e1rios.Quando se aproximam da an\u00e3 branca, objetos como planetas ou asteroides desfazem-se, formando um disco de restos em torno da estrela morta. 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