{"id":6765,"date":"2024-02-20T07:17:54","date_gmt":"2024-02-20T06:17:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6765"},"modified":"2024-02-20T07:17:54","modified_gmt":"2024-02-20T06:17:54","slug":"cientistas-encontram-evidencias-de-atividade-geotermal-em-eris-e-makemake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/02\/20\/cientistas-encontram-evidencias-de-atividade-geotermal-em-eris-e-makemake\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram evid\u00eancias de atividade geotermal em \u00c9ris e Makemake"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"714\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o-1024x714.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6766\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o-1024x714.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o-300x209.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o-768x535.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/qXlAMSDx_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os tamanhos de Makemake e de \u00c9ris.<br>Cr\u00e9dito: SwRI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa coliderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) encontrou evid\u00eancias de atividade hidrotermal ou metam\u00f3rfica nos gelados planetas an\u00f5es \u00c9ris e Makemake, localizados na Cintura de Kuiper. O metano detetado nas suas superf\u00edcies tem os sinais reveladores de uma geoqu\u00edmica morna ou at\u00e9 quente nos seus n\u00facleos rochosos, o que \u00e9 marcadamente diferente da assinatura do metano num cometa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Vemos alguns sinais interessantes de tempos quentes em lugares frios&#8221;, disse o Dr. Christopher Glein do SwRI, perito em geoqu\u00edmica planet\u00e1ria e autor principal de um artigo cient\u00edfico sobre esta descoberta. &#8220;Entrei neste projeto pensando que os grandes KBOs (&#8220;Kuiper Belt Objects&#8221;, em portugu\u00eas &#8220;objetos da Cintura de Kuiper&#8221;) deveriam ter superf\u00edcies antigas povoadas por materiais herdados da nebulosa solar primordial, uma vez que as suas superf\u00edcies frias podem preservar vol\u00e1teis como o metano. Em vez disso, o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) deu-nos uma surpresa! Encontr\u00e1mos evid\u00eancias que apontam para processos termais que produzem metano no interior de \u00c9ris e Makemake&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cintura de Kuiper \u00e9 uma vasta regi\u00e3o, em forma de donut, de corpos gelados para l\u00e1 da \u00f3rbita de Neptuno, no limite do Sistema Solar. \u00c9ris e Makemake s\u00e3o compar\u00e1veis em tamanho a Plut\u00e3o e \u00e0 sua lua Caronte. Estes corpos provavelmente formaram-se no in\u00edcio da hist\u00f3ria do nosso Sistema Solar, h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos. Longe do calor do nosso Sol, pensava-se que os KBOs eram objetos frios e mortos. Um trabalho recentemente publicado do JWST fez as primeiras observa\u00e7\u00f5es de mol\u00e9culas isot\u00f3picas nas superf\u00edcies de \u00c9ris e Makemake. Os chamados isotop\u00f3logos s\u00e3o mol\u00e9culas que cont\u00eam \u00e1tomos com um n\u00famero diferente de neutr\u00f5es. Fornecem dados que s\u00e3o \u00fateis para compreender a evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa do JWST mediu a composi\u00e7\u00e3o das superf\u00edcies dos planetas an\u00f5es, em particular a rela\u00e7\u00e3o entre o deut\u00e9rio (hidrog\u00e9nio pesado, D) e o hidrog\u00e9nio (H) presente no metano. Pensa-se que o deut\u00e9rio tenha sido formado no Big Bang e o hidrog\u00e9nio \u00e9 o n\u00facleo mais abundante do Universo. A rela\u00e7\u00e3o D\/H de um corpo planet\u00e1rio fornece informa\u00e7\u00f5es sobre a origem, a hist\u00f3ria geol\u00f3gica e os percursos de forma\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias que cont\u00eam hidrog\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O r\u00e1cio moderado D\/H que observ\u00e1mos com o JWST desmente a presen\u00e7a de metano primordial numa superf\u00edcie antiga. O metano primordial teria que ter um r\u00e1cio D\/H muito mais elevado&#8221;, disse Glein. &#8220;Em vez disso, o r\u00e1cio D\/H aponta para origens geoqu\u00edmicas de metano produzido no interior profundo. O r\u00e1cio D\/H \u00e9 como uma janela. Podemos us\u00e1-lo para perscrutar a subsuperf\u00edcie. Para que o metano possa ser &#8220;cozinhado&#8221;, os nossos dados sugerem temperaturas elevadas nos n\u00facleos rochosos destes mundos. O azoto molecular (N2) tamb\u00e9m pode ser produzido, e vemos isso em \u00c9ris. Os n\u00facleos quentes podem tamb\u00e9m apontar para potenciais fontes de \u00e1gua l\u00edquida por baixo das suas superf\u00edcies geladas&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/66\/23\/FGGIUCZH_o.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/66\/23\/FGGIUCZH_o.jpeg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tr\u00eas cen\u00e1rios da produa\u00e7\u00e3o de metano em \u00c9ris e em Makemake.<br>Cr\u00e9dito: Glein et al., 2024, SwRI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, os cientistas descobriram que os mundos gelados podem ser muito mais internamente evolu\u00eddos do que se pensava. Foram encontradas evid\u00eancias de oceanos subterr\u00e2neos em v\u00e1rias luas geladas, como a lua de Saturno, Enc\u00e9lado, e a lua de J\u00fapiter, Europa. A \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 um dos ingredientes chave para determinar a potencial habitabilidade planet\u00e1ria. A possibilidade de existirem oceanos de \u00e1gua no interior de \u00c9ris e Makemake \u00e9 algo que os cientistas v\u00e3o estudar nos pr\u00f3ximos anos. Se qualquer um deles for habit\u00e1vel, ent\u00e3o tornar-se-\u00e1 o mundo mais distante do Sistema Solar com capacidade de suportar vida. Encontrar indicadores qu\u00edmicos de processos internos leva-os a dar um passo nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se \u00c9ris e Makemake albergaram, ou talvez ainda possam albergar, uma geoqu\u00edmica amena, ou mesmo quente, nos seus n\u00facleos rochosos, os processos criovulc\u00e2nicos poderiam ent\u00e3o levar metano para as superf\u00edcies destes planetas, talvez em tempos geologicamente recentes&#8221;, disse o Dr. Will Grundy, astr\u00f3nomo do Observat\u00f3rio Lowell, um dos coautores de Glein e autor principal de um artigo complementar. &#8220;Encontr\u00e1mos um r\u00e1cio de is\u00f3topos de carbono (13C\/12C) que sugere uma ressurg\u00eancia relativamente recente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho faz parte de uma mudan\u00e7a de paradigma na ci\u00eancia planet\u00e1ria. Cada vez mais se reconhece que os mundos frios e gelados podem ser quentes no seu cora\u00e7\u00e3o. Os modelos desenvolvidos para este estudo apontam ainda para a forma\u00e7\u00e3o de gases geotermais na lua de Saturno, Tit\u00e3, que tamb\u00e9m tem metano em abund\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, a infer\u00eancia de atividade inesperada em \u00c9ris e Makemake sublinha a import\u00e2ncia dos processos internos na forma\u00e7\u00e3o do que vemos em grandes KBOs e \u00e9 consistente com as descobertas em Plut\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Depois do &#8216;flyby&#8217; da New Horizons pelo sistema de Plut\u00e3o, e com esta descoberta, a Cintura de Kuiper est\u00e1 a revelar-se muito mais viva em termos de acolhimento de mundos din\u00e2micos do que ter\u00edamos imaginado&#8221;, disse Glein. &#8220;N\u00e3o \u00e9 demasiado cedo para come\u00e7ar a pensar em enviar uma nave espacial para passar por outro destes corpos, para assim colocar os dados do JWST num contexto geol\u00f3gico. Acredito que ficaremos surpreendidos com as maravilhas que nos esperam!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.swri.org\/press-release\/swri-scientists-find-evidence-of-geothermal-activity-within-icy-dwarf-planets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ SwRI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0019103524000575?via=ihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2309.05549\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1034547\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/165777\/even-eris-and-makemake-could-have-geothermal-activity\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2024\/02\/240215142301.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-02-scientists-evidence-geothermal-icy-dwarf.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2024\/02\/16\/pluto-killer-dwarf-planets-in-the-solar-system-have-warm-hearts-finds-webb-telescope\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9ris:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=2136199\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/newton.spacedys.com\/astdys\/index.php?n=136199&amp;pc=1.1.0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstDyS-2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2003_UB313\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.gps.caltech.edu\/~mbrown\/planetlila\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina de Michael Brown sobre \u00c9ris<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Makemake:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/dwarf-planets\/makemake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/newton.spacedys.com\/astdys\/index.php?pc=1.1.0&amp;n=136472\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstDyS-2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Makemake\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Habitabilidade planet\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetary_habitability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-ers-programs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programas DD-ERS do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/general-observers\/cycle-2-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 2 GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tamanhos de Makemake e de \u00c9ris.Cr\u00e9dito: SwRI Uma equipa coliderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) encontrou evid\u00eancias de atividade hidrotermal ou metam\u00f3rfica nos gelados planetas an\u00f5es \u00c9ris e Makemake, localizados na Cintura de Kuiper. 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