{"id":6762,"date":"2024-02-20T07:15:36","date_gmt":"2024-02-20T06:15:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6762"},"modified":"2024-02-20T07:15:36","modified_gmt":"2024-02-20T06:15:36","slug":"6762","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/02\/20\/6762\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso1733s.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"670\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/iMRiG4rH_o-1024x670.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6763\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/iMRiG4rH_o-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/iMRiG4rH_o-300x196.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/iMRiG4rH_o-768x503.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/iMRiG4rH_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista que mostra duas estrelas de neutr\u00f5es, pequenas mas muito densas, no ponto de fus\u00e3o e explos\u00e3o como quilonova.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Warwick\/Mark Garlick\/ESO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A fus\u00e3o e a colis\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es produzem poderosas explos\u00f5es de quilonova e erup\u00e7\u00f5es de raios gama. H\u00e1 muito que os cientistas suspeitam que um campo magn\u00e9tico grande e ultraforte \u00e9 o motor por detr\u00e1s destes fen\u00f3menos altamente energ\u00e9ticos. No entanto, o processo que gera este campo magn\u00e9tico tem sido um mist\u00e9rio at\u00e9 agora. Os investigadores do Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional e das universidades de Quioto e Toho revelaram o mecanismo subjacente gra\u00e7as a uma simula\u00e7\u00e3o computorizada de alta resolu\u00e7\u00e3o que tem em conta toda a f\u00edsica fundamental. Os investigadores mostraram que as estrelas de neutr\u00f5es altamente magnetizadas, tamb\u00e9m conhecidas como magnetares, causam explos\u00f5es de quilonova muito brilhantes. Observa\u00e7\u00f5es telesc\u00f3picas poder\u00e3o testar esta previs\u00e3o no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o remanescentes compactos de explos\u00f5es de supernova e s\u00e3o constitu\u00eddas por mat\u00e9ria extremamente densa. T\u00eam cerca de 20 quil\u00f3metros de di\u00e2metro e at\u00e9 duas vezes a massa do nosso Sol, ou quase 700.000 vezes a massa da nossa Terra. No dia 17 de agosto de 2017, os astr\u00f3nomos observaram pela primeira vez ondas gravitacionais, luz e raios gama da fus\u00e3o de duas estrelas de neutr\u00f5es. Este evento marcou o in\u00edcio de um novo tipo de astronomia multimensageira, combinando observa\u00e7\u00f5es de ondas gravitacionais e eletromagn\u00e9ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es das ondas gravitacionais e da explos\u00e3o de raios gama emitidos durante a fus\u00e3o revelaram que as fus\u00f5es de estrelas de neutr\u00f5es bin\u00e1rias s\u00e3o a origem de, pelo menos, uma parte das explos\u00f5es de raios gama de curta dura\u00e7\u00e3o e dos elementos pesados. &#8220;S\u00f3 atrav\u00e9s de uma simula\u00e7\u00e3o num\u00e9rica que tenha em conta todos os efeitos f\u00edsicos fundamentais nas fus\u00f5es de estrelas de neutr\u00f5es bin\u00e1rias \u00e9 que poderemos compreender o processo completo e os mecanismos subjacentes&#8221;, explica Masaru Shibata, diretor do departamento de Astrof\u00edsica Relativista Computacional do Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional em Potsdam. &#8220;Foi por isso que fizemos uma simula\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o, que teve em conta todas as implica\u00e7\u00f5es da teoria da relatividade de Einstein e toda a f\u00edsica fundamental, com uma resolu\u00e7\u00e3o espacial mais de dez vezes superior a qualquer simula\u00e7\u00e3o anterior, a mais elevada de sempre.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tal como no Sol, tamb\u00e9m na estrela de neutr\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os fen\u00f3menos altamente energ\u00e9ticos associados \u00e0s fus\u00f5es de estrelas de neutr\u00f5es, como as explos\u00f5es de quilonova e as erup\u00e7\u00f5es de raios gama, s\u00e3o muito provavelmente impulsionados pela magnetohidrodin\u00e2mica &#8211; a intera\u00e7\u00e3o entre campos magn\u00e9ticos e fluidos. Isto implica que um remanescente da fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es bin\u00e1rias deve gerar um campo magn\u00e9tico forte e em larga escala atrav\u00e9s de um mecanismo de d\u00ednamo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pela primeira vez, conseguimos determinar o mecanismo f\u00edsico que gera um campo magn\u00e9tico de larga escala a partir de campos mais pequenos em fus\u00f5es de estrelas de neutr\u00f5es bin\u00e1rias&#8221;, diz Kenta Kiuchi, l\u00edder do grupo no departamento de Astrof\u00edsica Relativista Computacional. &#8220;Parte deste mecanismo \u00e9 o mesmo que impulsiona o campo magn\u00e9tico do nosso Sol. Numa fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es, o campo magn\u00e9tico de larga escala surge devido a instabilidades e v\u00f3rtices na superf\u00edcie onde as duas estrelas de neutr\u00f5es chocam uma contra a outra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 duas fases de amplifica\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico: numa primeira fase, a instabilidade Kelvin-Helmholtz amplifica rapidamente a energia do campo magn\u00e9tico por um factor de v\u00e1rios milhares em poucos milissegundos ap\u00f3s a fus\u00e3o. &#8220;No entanto, este campo magn\u00e9tico amplificado continua a ser um campo de pequena escala&#8221;, explica Alexis Raboul-Salze, investigador de p\u00f3s-doutoramento no departamento de Astrof\u00edsica Relativista Computacional. &#8220;Mas ap\u00f3s alguns milissegundos, h\u00e1 uma segunda fase de amplifica\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico devido a outra instabilidade, a instabilidade magnetorotacional. Esta instabilidade amplifica ainda mais o campo de pequena escala e atua como um d\u00ednamo no campo de larga escala &#8211; o mesmo mecanismo que no Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bc\/5b\/wAywGnDD_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bc\/5b\/wAywGnDD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cerca de sessenta milissegundos ap\u00f3s a fus\u00e3o, a simula\u00e7\u00e3o mostra o jato emitido dos polos do magnetar (para cima e para baixo nesta imagem est\u00e1tica). O painel da esquerda mostra a riqueza em neutr\u00f5es do material ejetado. O azul indica mat\u00e9ria rica em neutr\u00f5es e o vermelho indica mat\u00e9ria que cont\u00e9m neutr\u00f5es e prot\u00f5es em propor\u00e7\u00f5es aproximadamente iguais. O painel do meio mostra superf\u00edcies de densidade de massa em repouso constante. As curvas a roxo indicam linhas do campo magn\u00e9tico. O painel da direita mostra superf\u00edcies do campo magn\u00e9tico com uma for\u00e7a constante. A barra de escala mostra um comprimento de 500 quil\u00f3metros.<br>Cr\u00e9dito: Kota Hayashi (Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A estrela de neutr\u00f5es altamente magnetizada, que resulta da colis\u00e3o, \u00e9 hipoteticamente proposta como um magnetar. Cerca de 40 milissegundos ap\u00f3s a fus\u00e3o, os campos magn\u00e9ticos &#8220;levantam&#8221; um forte vento de part\u00edculas para velocidades relativistas a partir dos polos do magnetar. Este vento forma um jato que est\u00e1 relacionado com os fen\u00f3menos altamente energ\u00e9ticos observados. O grupo de investiga\u00e7\u00e3o mostra, pela primeira vez, que esta hip\u00f3tese \u00e9 vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A nossa simula\u00e7\u00e3o sugere que o motor do magnetar gera explos\u00f5es de quilonova muito brilhantes. Podemos testar a nossa previs\u00e3o atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es multimensageiras num futuro pr\u00f3ximo&#8221;, conclui Masaru Shibata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"What fuels the powerful engine of neutron star mergers?\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x6qb_kt41Gs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/21369348\/what-fuels-the-powerful-engine-of-neutron-star-mergers\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-024-02211-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Estrela de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quilonova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kilonova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Erup\u00e7\u00e3o de raios gama:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gamma_ray_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Instabilidade Kelvin-Helmholtz:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kelvin%E2%80%93Helmholtz_instability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Instabilidade magnetorotacional:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetorotational_instability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Astronomia multimensageira:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Multi-messenger_astronomy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista que mostra duas estrelas de neutr\u00f5es, pequenas mas muito densas, no ponto de fus\u00e3o e explos\u00e3o como quilonova.Cr\u00e9dito: Universidade de Warwick\/Mark Garlick\/ESO A fus\u00e3o e a colis\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es produzem poderosas explos\u00f5es de quilonova e erup\u00e7\u00f5es de raios gama. H\u00e1 muito que os cientistas suspeitam que um campo magn\u00e9tico grande &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[313,1640,282,445,542],"class_list":["post-6762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","tag-estrelas-de-neutroes","tag-grb","tag-magnetares","tag-ondas-gravitacionais","tag-quilonova"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6762"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6764,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6762\/revisions\/6764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}