{"id":6758,"date":"2024-02-16T07:22:47","date_gmt":"2024-02-16T06:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6758"},"modified":"2024-02-16T07:22:47","modified_gmt":"2024-02-16T06:22:47","slug":"tita-a-maior-lua-de-saturno-provavelmente-nao-e-habitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/02\/16\/tita-a-maior-lua-de-saturno-provavelmente-nao-e-habitavel\/","title":{"rendered":"Tit\u00e3, a maior lua de Saturno, provavelmente n\u00e3o \u00e9 habit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA08113.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o-1024x538.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6759\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o-300x158.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o-768x403.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o-1536x806.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WKtdaInO_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra uma proje\u00e7\u00e3o achatada (Mercator), obtida pela sonda Huygens, de Tit\u00e3 a 10 quil\u00f3metros de altitude. As imagens que comp\u00f5em esta vista foram capturadas no dia 14 de janeiro de 2005. A sonda Huygens foi entregue a Tit\u00e3 pela nave espacial Cassini.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/JPL\/Universidade do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo liderado pela astrobi\u00f3loga Catherine Neish, da UWO (University of Western Ontario), mostra que o oceano subsuperficial de Tit\u00e3 &#8211; a maior lua de Saturno &#8211; \u00e9 muito provavelmente um ambiente n\u00e3o habit\u00e1vel, o que significa que qualquer esperan\u00e7a de encontrar vida no mundo gelado pode estar afastada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta indica que \u00e9 muito menos prov\u00e1vel que os cientistas espaciais e astronautas venham a encontrar vida no Sistema Solar exterior, onde est\u00e3o os quatro planetas gigantes: J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Infelizmente, teremos agora de ser um pouco menos otimistas na procura de vida extraterrestre no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar&#8221;, disse Neish, professora de Ci\u00eancias da Terra. &#8220;A comunidade cient\u00edfica tem estado muito entusiasmada com a possibilidade de encontrar vida nos mundos gelados do Sistema Solar exterior, mas esta descoberta sugere que pode ser menos prov\u00e1vel do que pens\u00e1vamos anteriormente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identifica\u00e7\u00e3o de vida no Sistema Solar exterior \u00e9 uma \u00e1rea de grande interesse para os cientistas planet\u00e1rios, astr\u00f3nomos e ag\u00eancias espaciais como a NASA, em grande parte porque pensa-se que muitas luas geladas dos planetas gigantes t\u00eam grandes oceanos subterr\u00e2neos de \u00e1gua l\u00edquida. Pensa-se que Tit\u00e3, por exemplo, tem um oceano sob a sua superf\u00edcie gelada com mais de 12 vezes o volume dos oceanos da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A vida, tal como a conhecemos aqui na Terra, precisa de \u00e1gua como solvente, pelo que os planetas e luas com muita \u00e1gua s\u00e3o de interesse quando se procura vida extraterrestre&#8221;, disse Neish, membro do Instituto de Explora\u00e7\u00e3o da Terra e do Espa\u00e7o da UWO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, publicado na revista Astrobiology, Neish e os seus colaboradores tentaram quantificar a quantidade de mol\u00e9culas org\u00e2nicas que poderiam ser transferidas da superf\u00edcie de Tit\u00e3, rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica, para o seu oceano subsuperficial, utilizando dados de crateras de impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto de cometas em Tit\u00e3, ao longo da sua hist\u00f3ria, derreteu a superf\u00edcie da lua gelada, criando zonas de \u00e1gua l\u00edquida que se misturaram com o material org\u00e2nico da superf\u00edcie. O degelo resultante \u00e9 mais denso do que a sua crosta gelada, pelo que a \u00e1gua mais pesada se afunda atrav\u00e9s do gelo, possivelmente at\u00e9 ao oceano subsuperficial de Tit\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando as taxas assumidas de impactos na superf\u00edcie de Tit\u00e3, Neish e os seus colaboradores determinaram quantos cometas de diferentes tamanhos atingiriam Tit\u00e3, por ano, ao longo da sua hist\u00f3ria. Isto permitiu aos investigadores prever o caudal de \u00e1gua que transporta os elementos org\u00e2nicos da superf\u00edcie de Tit\u00e3 para o seu interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neish e a sua equipa descobriram que o peso do material org\u00e2nico transferido desta forma \u00e9 bastante pequeno, n\u00e3o mais do que 7500 kg\/ano de glicina &#8211; o amino\u00e1cido mais simples, que constitui as prote\u00ednas da vida. Esta massa \u00e9 aproximadamente a mesma que um elefante africano [macho] (todas as biomol\u00e9culas, como a glicina, utilizam o carbono &#8211; um elemento &#8211; como &#8220;espinha dorsal&#8221; da sua estrutura molecular).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um &#8216;elefante&#8217; por ano de glicina, num oceano com 12 vezes o volume dos oceanos da Terra, n\u00e3o \u00e9 suficiente para sustentar a vida&#8221;, disse Neish. &#8220;No passado, as pessoas partiam muitas vezes do princ\u00edpio de que a \u00e1gua era sin\u00f3nimo de vida, mas negligenciavam o facto da vida necessitar de outros elementos, em particular de carbono.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros mundos gelados (como as luas Europa e Ganimedes, de J\u00fapiter, e Enc\u00e9lado, de Saturno) quase n\u00e3o t\u00eam carbono nas suas superf\u00edcies, e n\u00e3o se sabe ao certo quanto poder\u00e1 vir dos seus interiores. Tit\u00e3 \u00e9 a lua gelada mais rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica do Sistema Solar, por isso, se o seu oceano subterr\u00e2neo n\u00e3o for habit\u00e1vel, isso n\u00e3o \u00e9 um bom press\u00e1gio para a habitabilidade de outros mundos gelados conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este trabalho mostra que \u00e9 muito dif\u00edcil transferir o carbono da superf\u00edcie de Tit\u00e3 para o seu oceano subsuperficial &#8211; basicamente, \u00e9 dif\u00edcil ter a \u00e1gua e o carbono necess\u00e1rios para a vida no mesmo s\u00edtio&#8221;, disse Neish.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O voo do Dragonfly<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3a\/6a\/2tmaeQee_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3a\/6a\/2tmaeQee_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o que mostra o ve\u00edculo Dragonfly a aterrar na superf\u00edcie de Tit\u00e3, desdobrando os seus rotores e levantando voo novamente para estudar a paisagem e a atmosfera.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da descoberta, ainda h\u00e1 muito mais para aprender sobre Tit\u00e3 e, para Neish, a grande quest\u00e3o \u00e9: de que \u00e9 que \u00e9 feito?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neish \u00e9 coinvestigadora do projeto Dragonfly da NASA, uma miss\u00e3o espacial planeada para 2028 que enviar\u00e1 um drone rob\u00f3tico para a superf\u00edcie de Tit\u00e3 com o objetivo de estudar a sua qu\u00edmica pr\u00e9-bi\u00f3tica, ou como as subst\u00e2ncias org\u00e2nicas se formaram e se auto-organizaram para a origem da vida na Terra e para l\u00e1 dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 quase imposs\u00edvel determinar a composi\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de Tit\u00e3, rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica, observando-a com um telesc\u00f3pio atrav\u00e9s da sua atmosfera rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica&#8221;, disse Neish. &#8220;Precisamos de aterrar l\u00e1, e de recolher amostras da superf\u00edcie, para determinar a sua composi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 \u00e0 data, apenas a miss\u00e3o espacial internacional Cassini-Huygens, em 2005, conseguiu aterrar uma sonda rob\u00f3tica em Tit\u00e3 para analisar amostras. A Huygens permanece a \u00fanica sonda a ter pousado numa lua do Sistema Solar exterior, e igualmente a aterragem mais distante da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mesmo que o oceano subsuperficial n\u00e3o seja habit\u00e1vel, podemos aprender muito sobre a qu\u00edmica pr\u00e9-bi\u00f3tica de Tit\u00e3, e da Terra, estudando as rea\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie de Tit\u00e3&#8221;, disse Neish. &#8220;Gostar\u00edamos muito de saber se est\u00e3o a ocorrer rea\u00e7\u00f5es interessantes, especialmente onde as mol\u00e9culas org\u00e2nicas se misturam com a \u00e1gua l\u00edquida gerada nos impactos&#8221;. Quando Neish iniciou o seu \u00faltimo estudo, receava que este tivesse um impacto negativo na miss\u00e3o Dragonfly, mas na realidade levou a mais perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se todo o degelo produzido pelos impactos se afundasse na crosta gelada, n\u00e3o ter\u00edamos amostras perto da superf\u00edcie onde a \u00e1gua e as subst\u00e2ncias org\u00e2nicas se misturariam. Estas s\u00e3o regi\u00f5es onde o Dragonfly poderia procurar os produtos dessas rea\u00e7\u00f5es pr\u00e9-bi\u00f3ticas, ensinando-nos como a vida pode surgir em diferentes planetas&#8221;, disse Neish.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os resultados deste estudo s\u00e3o ainda mais pessimistas do que eu pensava em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 habitabilidade do oceano \u00e0 superf\u00edcie de Tit\u00e3, mas tamb\u00e9m significa que existem ambientes pr\u00e9-bi\u00f3ticos mais interessantes perto da superf\u00edcie de Tit\u00e3, onde podemos recolher amostras com os instrumentos do Dragonfly&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Titan Touchdown\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/msiLWxDayuA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.westernu.ca\/2024\/02\/titan-non-habitable\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ UWO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/10.1089\/ast.2023.0055\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astrobiology)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tit\u00e3:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/saturn\/moons\/titan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/titan.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Titan_%28moon%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saturno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/saturn\/in-depth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/saturn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/saturn.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Saturn_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Habitabilidade planet\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetary_habitability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dragonfly:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/dragonfly\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dragonfly.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dragonfly_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Cassini-Huygens:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/cassini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cassini-Huygens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Huygens_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sonda Huygens (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra uma proje\u00e7\u00e3o achatada (Mercator), obtida pela sonda Huygens, de Tit\u00e3 a 10 quil\u00f3metros de altitude. 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