{"id":6738,"date":"2024-02-09T07:45:22","date_gmt":"2024-02-09T06:45:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6738"},"modified":"2024-02-09T07:45:22","modified_gmt":"2024-02-09T06:45:22","slug":"que-tipo-de-mundo-e-lhs-1140-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/02\/09\/que-tipo-de-mundo-e-lhs-1140-b\/","title":{"rendered":"Que tipo de mundo \u00e9 LHS 1140 b?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"416\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o-1024x416.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6739\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o-1024x416.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o-300x122.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o-768x312.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o-1536x624.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/OcH9grEQ_o.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de luz a brilhar atrav\u00e9s do oceano num &#8220;mundo de \u00e1gua&#8221;, possivelmente como LHS 1140 b.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria de esperar uma relativa facilidade ao distinguir entre os v\u00e1rios tipos de planetas. Infelizmente, atrav\u00e9s dos telesc\u00f3pios, os mundos mais interessantes s\u00e3o extremamente parecidos com os mundos comparativamente aborrecidos. Um planeta bem estudado, LHS 1140 b, ilustra esta tens\u00e3o: ap\u00f3s uma rean\u00e1lise de dados de arquivo, n\u00e3o est\u00e1 claro se o planeta tem um oceano potencialmente habit\u00e1vel \u00e0 superf\u00edcie, ou apenas uma fina camada de hidrog\u00e9nio sobre uma superf\u00edcie rochosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trabalhos anteriores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela LHS 1140 tornou-se bastante popular entre os astr\u00f3nomos exoplanet\u00e1rios nos \u00faltimos sete anos, e por boas raz\u00f5es. Embora n\u00e3o t\u00e3o famosa quanto a sua irm\u00e3 TRAPPIST-1, que rouba quase todas as aten\u00e7\u00f5es, LHS 1140 partilha muitas das mesmas propriedades que tornam TRAPPIST-1 t\u00e3o atraente. A pouco menos de 50 anos-luz de dist\u00e2ncia, est\u00e1 relativamente perto e \u00e9 bastante brilhante; com apenas um-quinto da massa e do raio do Sol, \u00e9 suficientemente leve para ser atra\u00edda por planetas min\u00fasculos e suficientemente pequena para que esses planetas bloqueiem uma grande fra\u00e7\u00e3o da sua luz durante os tr\u00e2nsitos. Todas estas caracter\u00edsticas combinadas fazem de LHS 1140 uma excelente estrela hospedeira para os cientistas que procuram efetuar medi\u00e7\u00f5es sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consequentemente, desde a descoberta dos seus dois planetas acompanhantes em 2017 e 2019 que LHS 1140 \u00e9 observada com uma multitude de instrumentos. Quando analisados um a um, estes conjuntos de dados sugerem que os dois mundos, batizados criativamente \u00e0 maneira t\u00edpica dos exoplanetas como LHS 1140 b e LHS 1140 c, s\u00e3o um pouco maiores e mais massivos do que o nosso planeta, mas basicamente feitos da mesma combina\u00e7\u00e3o de rocha e metal. No entanto, todas estas observa\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o tinham sido analisadas num \u00fanico estudo conjunto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3d\/9c\/Pkp36ag4_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3d\/9c\/Pkp36ag4_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Observa\u00e7\u00f5es de quatro tr\u00e2nsitos de LHS 1140 b recolhidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer.<br>Cr\u00e9dito: Cadieux et al. 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Outro olhar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Charles Cadieux, da Universidade de Montreal, aceitou este desafio e liderou uma equipa para reprocessar quase todos os bytes de informa\u00e7\u00e3o recolhida sobre estes mundos, numa tentativa de melhor restringir as suas massas e raios. E conseguiram-no: como dizem os autores, &#8220;os planetas de LHS 1140 est\u00e3o [agora] entre os exoplanetas mais bem caracterizados at\u00e9 \u00e0 data, com incertezas relativas de apenas 3% para a massa e 2% para o raio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a equipa n\u00e3o tinha o objetivo de reduzir as antigas barras de erro apenas por uma quest\u00e3o de precis\u00e3o. Na verdade, o seu objetivo final era restringir a composi\u00e7\u00e3o de cada planeta. Embora a sua an\u00e1lise tenha confirmado que LHS 1140 c \u00e9 provavelmente uma super-Terra gen\u00e9rica, as suas novas medi\u00e7\u00f5es colocaram LHS 1140 b numa estranha posi\u00e7\u00e3o no que toca ao contexto dos seus par\u00e2metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriram que LHS 1140 b deve ter uma densidade inferior \u00e0 da Terra, mas ainda assim muito superior \u00e0 dos planetas gigantes. Depois de mais modelos, a equipa ficou com dois cen\u00e1rios muito diferentes para a forma como um planeta podia chegar a esta zona cinzenta interm\u00e9dia. Ou LHS 1140 b tem uma atmosfera muito leve e inchada de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio, sobreposta a uma superf\u00edcie rochosa, ou, mais exoticamente, LHS 1140 b \u00e9 um &#8220;mundo de \u00e1gua&#8221;, provavelmente coberto de gelo com \u00e1reas de \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/06\/ca\/tWcB9HBm_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/06\/ca\/tWcB9HBm_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A massa e o raio dos planetas de LHS 1140, juntamente com contornos pertencentes a diferentes composi\u00e7\u00f5es. LHS 1140 b est\u00e1 mesmo acima da linha rochosa, no limite da regi\u00e3o com inv\u00f3lucro gasoso.<br>Cr\u00e9dito: Cadieux et al. 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um caminho em frente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora seja excitante ter um planeta potencialmente habit\u00e1vel no nosso quintal gal\u00e1ctico, os dados atuais, mesmo quando recolhidos com os melhores instrumentos e processados com as t\u00e9cnicas mais avan\u00e7adas, s\u00e3o frustrantemente incapazes de distinguir entre os dois cen\u00e1rios. Tecnicamente, h\u00e1 um caminho a seguir para resolver esta incerteza: os autores defendem corajosamente uma campanha de observa\u00e7\u00e3o de 18 tr\u00e2nsitos com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb para confirmar uma atmosfera espessa e &#8220;amiga&#8221; da \u00e1gua. No entanto, com muitos planetas para onde apontar e uma abund\u00e2ncia de gal\u00e1xias para observar, n\u00e3o h\u00e1 garantias de que a comunidade decida dedicar tanto tempo a um s\u00f3 alvo. Talvez tenhamos de viver apenas com o ind\u00edcio de que existe um oceano extraterrestre na nossa vizinhan\u00e7a: uma ambiguidade amarga, mas inspiradora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/aasnova.org\/2024\/02\/02\/what-kind-of-world-is-lhs-1140-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ AAS Nova (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad1691\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2310.15490\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LHS 1140:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=LHS+1140\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LHS_1140\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LHS 1140 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7215\/lhs-1140-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/lhs_1140_b--6561\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LHS_1140_b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LHS 1140 c:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7352\/lhs-1140-c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/lhs_1140_c--6796\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Habitabilidade planet\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetary_habitability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de luz a brilhar atrav\u00e9s do oceano num &#8220;mundo de \u00e1gua&#8221;, possivelmente como LHS 1140 b.Cr\u00e9dito: NASA Seria de esperar uma relativa facilidade ao distinguir entre os v\u00e1rios tipos de planetas. 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