{"id":6735,"date":"2024-02-09T07:42:53","date_gmt":"2024-02-09T06:42:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6735"},"modified":"2024-02-09T07:42:53","modified_gmt":"2024-02-09T06:42:53","slug":"erupcao-extrema-numa-jovem-estrela-semelhante-ao-sol-indica-um-ambiente-selvagem-para-quaisquer-exoplanetas-em-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/02\/09\/erupcao-extrema-numa-jovem-estrela-semelhante-ao-sol-indica-um-ambiente-selvagem-para-quaisquer-exoplanetas-em-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Erup\u00e7\u00e3o extrema numa jovem estrela semelhante ao Sol indica um ambiente selvagem para quaisquer exoplanetas em desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2024-02\/cfa-037-stellar-flare-pr020524-hires.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6Z2m6O8G_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6736\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6Z2m6O8G_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6Z2m6O8G_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6Z2m6O8G_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6Z2m6O8G_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma erup\u00e7\u00e3o na jovem estrela pr\u00f3xima HD 283572. Durante os per\u00edodos quiescentes (ou calmos), HD 283572 n\u00e3o pode ser detetada pelo SMA (Submillimeter Array). No entanto, no dia 17 de janeiro de 2022, ocorreu um evento eruptivo extremo, precisamente quando o SMA estava a observar HD 283572. O SMA detetou o evento nos comprimentos de onda milim\u00e9tricos, um feito raro. A erup\u00e7\u00e3o pode ter produzido um &#8220;loop&#8221; que se estendeu por uma regi\u00e3o maior do que a pr\u00f3pria estrela, com um fluxo energ\u00e9tico mais de 1 milh\u00e3o de vezes superior ao das erup\u00e7\u00f5es milim\u00e9tricas produzidas pelas vizinhas estelares mais pr\u00f3ximas do Sol.<br>Cr\u00e9dito: CfA\/Melissa Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos detetaram uma erup\u00e7\u00e3o extrema de uma jovem estrela que se tornou mais de cem vezes mais brilhante em apenas algumas horas. Esta descoberta fornece uma nova perspetiva sobre a forma como as estrelas jovens semelhantes ao Sol se comportam no in\u00edcio das suas vidas e o seu impacto no desenvolvimento de qualquer um dos seus planetas rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores do SAO (Smithsonian Astrophysical Observatory), que faz parte do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (CfA), levaram a cabo esta descoberta utilizando observa\u00e7\u00f5es de HD 283572 pelo SMA (Submillimeter Array), uma estrela 40% mais massiva do que o Sol, localizada a cerca de 400 anos-luz de dist\u00e2ncia. O SMA \u00e9 um conjunto de radiotelesc\u00f3pios em Mauna Kea, no Hawaii, concebido especificamente para detetar luz nos comprimentos de ondas milim\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com menos de 3 milh\u00f5es de anos, HD 283572 \u00e9 mais de mil vezes mais jovem do que o Sol, estando na idade em que os planetas semelhantes \u00e0 Terra se come\u00e7am a formar \u00e0 volta das estrelas. Uma equipa liderada pelo Dr. Joshua Bennett Lovell, astr\u00f3nomo do SAO e bolseiro do SMA no CfA, estava a usar o SMA para procurar o material poeirento produzido na forma\u00e7\u00e3o de planetas jovens, material este que tem um brilho fraco, mas detet\u00e1vel nos comprimentos de onda milim\u00e9tricos, ou r\u00e1dio. No entanto, encontraram algo completamente diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos surpreendidos ao ver uma erup\u00e7\u00e3o extraordinariamente brilhante de uma estrela jovem e vulgar,&#8221; disse Lovell. &#8220;As erup\u00e7\u00f5es s\u00e3o raras nestes comprimentos de onda e n\u00e3o esper\u00e1vamos ver nada para al\u00e9m do brilho t\u00e9nue da poeira formadora de planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As erup\u00e7\u00f5es estelares podem aumentar o brilho de uma estrela dezenas ou centenas de vezes em diferentes comprimentos de onda. \u00c0 medida que as estrelas giram, os seus campos magn\u00e9ticos podem enrolar-se e desenvolver regi\u00f5es de maior energia magn\u00e9tica. Tal como uma mola demasiado apertada, esta energia magn\u00e9tica armazenada tem de ser eventualmente libertada. No caso das estrelas, isto produz acelera\u00e7\u00f5es intensas das suas part\u00edculas carregadas, que atravessam as superf\u00edcies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um desafio para a observa\u00e7\u00e3o de tais erup\u00e7\u00f5es \u00e9 o facto de nunca se saber exatamente quando \u00e9 que uma estrela poder\u00e1 despoletar uma erup\u00e7\u00e3o, e a sua observa\u00e7\u00e3o pode ser particularmente dif\u00edcil em comprimentos de onda milim\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2024-02\/dss-smapr020624.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1d\/b9\/iMygsBEm_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens da jovem estrela HD 283572 e do seu campo circundante. A imagem principal mostra dados \u00f3ticos e infravermelhos do DSS (Digitized Sky Survey), e HD 283572 \u00e9 a estrela brilhante perto do centro da imagem, destacada por um quadrado. As inser\u00e7\u00f5es mostram imagens do SMA (Submillimeter Array) centradas em HD 283572 tiradas nos dias 14 e 17 de janeiro de 2022 e 27 de mar\u00e7o de 2023. A fonte vermelha no painel do meio mostra a erup\u00e7\u00e3o testemunhada a 17 de janeiro. A estrela n\u00e3o foi detetada pelo SMA nos outros dois dias, nem em cinco outras observa\u00e7\u00f5es do SMA n\u00e3o mostradas aqui. A imagem do DSS abrange 20 minutos de arco no c\u00e9u (2,3 anos-luz \u00e0 dist\u00e2ncia de HD 283572, 400 anos-luz) e as imagens do SMA t\u00eam 24 segundos de arco.<br>Cr\u00e9dito: CfA\/J. B. Lovell et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;HD 283572 esteve dormente durante meses antes de apanharmos a sua erup\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Lovell. &#8220;Sempre que apont\u00e1mos o SMA para a estrela depois desta erup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vimos nada. As nossas descobertas confirmam que estes eventos eruptivos s\u00e3o raros nos comprimentos de onda milim\u00e9tricos, mas que podem ser extremamente poderosos para estrelas desta idade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa mediu a energia da erup\u00e7\u00e3o de HD 283572 e descobriu que, ao longo de um per\u00edodo de 9 horas, libertou cerca de um milh\u00e3o de vezes mais energia do que qualquer erup\u00e7\u00e3o milim\u00e9trica observada nas vizinhas estelares mais pr\u00f3ximas do Sol. Esta \u00e9 uma das mais poderosas erup\u00e7\u00f5es de que h\u00e1 registo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este foi um evento gigantesco, equivalente a gastar todo o arsenal nuclear da Terra em cerca de um milissegundo, repetidamente, durante quase meio dia!&#8221; disse o investigador do SAO, Dr. Garrett Keating, segundo autor do estudo e cientista do projeto SMA. &#8220;Se tivermos em conta os comprimentos de onda que o SMA n\u00e3o observou, esperamos que possa ter sido muitas vezes mais energ\u00e9tico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, com apenas uma erup\u00e7\u00e3o detetada, ainda n\u00e3o se sabe exatamente o que desencadeou o evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 um verdadeiro puzzle e h\u00e1 uma s\u00e9rie de mecanismos que podem estar em jogo. Intera\u00e7\u00f5es com estrelas companheiras ou planetas invis\u00edveis, ou atividade peri\u00f3dica de manchas estelares s\u00e3o duas possibilidades, mas o que permanece sem d\u00favida \u00e9 o qu\u00e3o poderoso foi este evento&#8221;, disse Keating. &#8220;Quaisquer potenciais planetas em desenvolvimento neste sistema teriam sido fustigados pelo imenso poder desta erup\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o gostaria de crescer l\u00e1!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A idade jovem da estrela e a sua natureza semelhante \u00e0 do Sol fornecem pistas importantes sobre os ambientes t\u00edpicos que planetas jovens e em desenvolvimento, como a Terra, podem encontrar. Poderosas erup\u00e7\u00f5es podem limitar o crescimento das atmosferas planet\u00e1rias ou danificar gravemente as atmosferas j\u00e1 desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e3o em curso observa\u00e7\u00f5es adicionais para compreender a frequ\u00eancia com que HD 283572 tem este g\u00e9nero de atividade e se as erup\u00e7\u00f5es em torno deste tipo de estrelas jovens inibem o crescimento das atmosferas planet\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/extreme-eruption-young-sun-star-signals-savage-environment-developing-exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.hawaii.edu\/news\/2024\/02\/06\/manukea-telescopr-stellar-eruption\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad18ba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2402.01833\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD 283572:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD+283572\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HD_283572\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erup\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_flare\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SMA (Submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Submillimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma erup\u00e7\u00e3o na jovem estrela pr\u00f3xima HD 283572. 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