{"id":6692,"date":"2024-01-23T07:27:28","date_gmt":"2024-01-23T06:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6692"},"modified":"2024-01-23T07:27:28","modified_gmt":"2024-01-23T06:27:28","slug":"testes-de-paternidade-ligam-estrelas-orfas-as-suas-origens-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/01\/23\/testes-de-paternidade-ligam-estrelas-orfas-as-suas-origens-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"&#8220;Testes de paternidade&#8221; ligam estrelas \u00f3rf\u00e3s \u00e0s suas origens na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-1024x679.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6605\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-300x199.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-768x509.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-1536x1018.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/QyV38zu.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do Gaia a mapear as estrelas da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/ATG medialab; fundo &#8211; ESO\/S. Brunier<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ambiente ca\u00f3tico dos enxames estelares abertos, as fortes intera\u00e7\u00f5es gravitacionais entre corpos podem lan\u00e7ar estrelas individuais para fora, at\u00e9 mesmo para fora da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Agora, pela primeira vez, e utilizando novos dados da miss\u00e3o Gaia da ESA , os investigadores mapearam v\u00e1rias dessas estrelas, que existem fora do disco da Gal\u00e1xia, at\u00e9 aos seus enxames origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores da Universidade Lehigh apresentaram os seus resultados no passado dia 10 de janeiro, numa confer\u00eancia de imprensa do 243.\u00ba Encontro da Sociedade Astron\u00f3mica Americana em Nova Orle\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao rastre\u00e1-las no tempo, conseguimos fazer corresponder 15 estrelas aos enxames estelares onde nasceram&#8221;, disse M. Virginia (Ginny) McSwain, professora associada de f\u00edsica em Lehigh. &#8220;Se pudermos dizer com grande confian\u00e7a de onde vieram algumas destas estrelas, saberemos mais sobre a hist\u00f3ria dos enxames estelares na Via L\u00e1ctea.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das estrelas fora do disco da Via L\u00e1ctea, que inclui os bra\u00e7os espirais com um bojo no centro, t\u00eam mais de 8 mil milh\u00f5es de anos, tendo sido formadas no in\u00edcio da hist\u00f3ria da Gal\u00e1xia. Dada a sua idade muito avan\u00e7ada, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que tenham viajado para longe dos seus locais de nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que quase toda a forma\u00e7\u00e3o estelar da Gal\u00e1xia ocorre no disco, as estrelas quentes do tipo B raramente s\u00e3o encontradas fora desta regi\u00e3o. No entanto, um pequeno n\u00famero destas jovens estrelas &#8211; com idades estimadas entre 10 e 100 milh\u00f5es de anos &#8211; encontram-se a grandes altitudes acima e abaixo do disco, provavelmente ejetadas dos enxames onde nasceram ao longo dos \u00faltimos milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As estrelas quentes n\u00e3o se aventuram muitas vezes para fora do disco, por isso, quando o fazem, ficam visivelmente fora do lugar&#8221;, disse Brandon Schweers, estudante de Lehigh que forneceu uma investiga\u00e7\u00e3o fundamental para o projeto. &#8220;Os enxames &#8216;natais&#8217; provavelmente ejetaram a maior parte destas estrelas do tipo B quando intera\u00e7\u00f5es gravitacionais pr\u00f3ximas, de tr\u00eas ou quatro corpos, &#8216;empurraram&#8217; um membro do enxame, fazendo-o fugir do plano da Via L\u00e1ctea.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das estrelas estudadas foi projetada a uma velocidade particularmente elevada, pelo que pode ter sido ejetada durante uma supernova num sistema estelar bin\u00e1rio pr\u00f3ximo, disse Schweers, estudante finalista de astrof\u00edsica. As estrelas podem at\u00e9 ser projetadas para fora, apenas para inverterem rumo e serem novamente expulsas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora estas estrelas &#8220;\u00f3rf\u00e3s&#8221; sejam conhecidas h\u00e1 duas d\u00e9cadas, nenhuma delas tinha sido mapeada at\u00e9 ao seu local de origem, uma vez que n\u00e3o existiam dados de qualidade. No entanto, com os dados da miss\u00e3o Gaia, os investigadores conseguiram decifrar os movimentos das estrelas com maior precis\u00e3o do que a anteriormente dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/73VRjWg.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/73VRjWg.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este gif ilustra o percurso de 95 estrelas, desde h\u00e1 30 milh\u00f5es de anos at\u00e9 hoje.<br>Cr\u00e9dito: B. Schweers, Universidade Lehigh<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Usando as trajet\u00f3rias para &#8220;voltar atr\u00e1s no tempo&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o Gaia, lan\u00e7ada em 2013, tem como objetivo o levantamento de mais de mil milh\u00f5es de estrelas na Via L\u00e1ctea e a constru\u00e7\u00e3o de um mapa tridimensional preciso da Gal\u00e1xia. Os dados incluem medi\u00e7\u00f5es de posi\u00e7\u00e3o sem precedentes para as estrelas e medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial para os 150 milh\u00f5es de objetos mais brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nos dados do Gaia divulgados em 2022, os investigadores de Lehigh tra\u00e7aram as trajet\u00f3rias cinem\u00e1ticas de 95 estrelas B de alta latitude e de cerca de 1400 enxames abertos conhecidos para identificar momentos, no passado, em que se podem ter intersetado e em que pode ter ocorrido uma expuls\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Usando as suas posi\u00e7\u00f5es e velocidades 3D no espa\u00e7o, conseguimos calcular as trajet\u00f3rias de cada enxame e de cada estrela de alta latitude nos \u00faltimos 30 milh\u00f5es de anos&#8221;, disse McSwain. Utilizaram o pacote Python galpy, de c\u00f3digo aberto, para a an\u00e1lise da din\u00e2mica gal\u00e1ctica e assim modelar o campo gravitacional da Gal\u00e1xia em cada ponto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de identificarem potenciais correspond\u00eancias, compararam a cor e o brilho de cada estrela ejetada com o diagrama de Hertzsprung-Russell para cada enxame aberto. Um enxame aberto tem geralmente milhares de estrelas da mesma idade e composi\u00e7\u00e3o, \u00e0 mesma dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A forma do diagrama H-R depende sobretudo da idade do enxame, pelo que podemos saber se a estrela ejetada tem uma idade semelhante \u00e0 das suas potenciais irm\u00e3s&#8221;, disse McSwain. A aplica\u00e7\u00e3o do teste H-R reduziu ainda mais a lista de potenciais combina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, analisaram as densidades do n\u00facleo de cada enxame que era uma poss\u00edvel correspond\u00eancia. Os enxames com maior densidade t\u00eam mais intera\u00e7\u00f5es gravitacionais fortes entre os seus membros, o que lhes confere maior potencial de eje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Testes positivos de paternidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Combinando estas ferramentas, os investigadores confirmaram a paternidade de 15 estrelas \u00f3rf\u00e3s. Foi esse rastreio geneal\u00f3gico gal\u00e1ctico que deu a Schweers a ideia para o t\u00edtulo da sua apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando cheguei \u00e0 fase de comparar a cor e o brilho das potenciais correspond\u00eancias e de descartar as que mostravam uma fraca correla\u00e7\u00e3o nos diagramas H-R, senti-me como se estivesse a comparar o &#8216;ADN&#8217; das estrelas \u00f3rf\u00e3s e das suas potenciais irm\u00e3s&#8221;, disse Schweers. &#8220;Para muitos destes enxames, eu estava essencialmente a dizer-lhes que n\u00e3o s\u00e3o os pais destas estrelas \u00f3rf\u00e3s, por isso criei o termo &#8216;Stellar Paternity Tests'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nos seus c\u00e1lculos de trajet\u00f3ria, os investigadores estimam que as expuls\u00f5es ocorreram h\u00e1 cerca de 5 milh\u00f5es a 30 milh\u00f5es de anos, &#8220;atirando estrelas abandonadas atrav\u00e9s da Via L\u00e1ctea a velocidades de 30-220 km\/s para as suas posi\u00e7\u00f5es atuais&#8221;, escreveram. &#8220;Os nossos resultados fornecem uma medida da idade de eje\u00e7\u00e3o para cada estrela \u00f3rf\u00e3, oferecendo uma nova vis\u00e3o da import\u00e2ncia relativa da eje\u00e7\u00e3o din\u00e2mica vs. a eje\u00e7\u00e3o por supernovas em enxames abertos jovens.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas acrescentaram ainda que embora tenham conseguido encontrar correspond\u00eancias para algumas das estrelas distantes, algumas n\u00e3o puderam ser rastreadas at\u00e9 ao disco da Via L\u00e1ctea de forma muito plaus\u00edvel, o que pode fornecer evid\u00eancias de outros cen\u00e1rios invulgares. Estes podem incluir a rara forma\u00e7\u00e3o de estrelas em nuvens moleculares fora do disco, ou podem ser rel\u00edquias de gal\u00e1xias an\u00e3s que se fundiram com a Via L\u00e1ctea no passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www2.lehigh.edu\/news\/stellar-paternity-tests-match-orphaned-stars-to-their-milky-way-origins\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Lehigh (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de classe B:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_classification#Class_B\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames abertos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Open_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Diagrama de Hertzsprung-Russell:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hertzsprung%E2%80%93Russell_diagram\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>galpy:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/pypi.org\/project\/galpy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do Gaia a mapear as estrelas da Via L\u00e1ctea.Cr\u00e9dito: ESA\/ATG medialab; fundo &#8211; ESO\/S. 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