{"id":6686,"date":"2024-01-19T07:18:07","date_gmt":"2024-01-19T06:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6686"},"modified":"2024-01-19T07:18:07","modified_gmt":"2024-01-19T06:18:07","slug":"astronomos-detetam-o-buraco-negro-mais-antigo-alguma-vez-observado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/01\/19\/astronomos-detetam-o-buraco-negro-mais-antigo-alguma-vez-observado\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos detetam o buraco negro mais antigo alguma vez observado"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic1604a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"718\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IEDJesrY_o-1024x718.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6687\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IEDJesrY_o-1024x718.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IEDJesrY_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IEDJesrY_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IEDJesrY_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A gal\u00e1xia GN-z11, fotografada pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e P. Oesch (Universidade de Yale)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os investigadores descobriram o buraco negro mais antigo alguma vez j\u00e1 observado, que remonta aos prim\u00f3rdios do Universo, e verificaram que est\u00e1 a &#8220;comer&#8221; at\u00e9 \u00e0 morte a gal\u00e1xia que o hospeda.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa internacional, liderada pela Universidade de Cambridge, utilizou o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA para detetar o buraco negro, que remonta a 400 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, ou seja, h\u00e1 mais de 13 mil milh\u00f5es de anos. Os resultados que o autor principal, o professor Roberto Maiolino, afirma serem &#8220;um salto gigantesco&#8221;, foram divulgados na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>O facto deste buraco negro surpreendentemente massivo &#8211; com alguns milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol &#8211; existir t\u00e3o cedo no Universo desafia os nossos pressupostos sobre a forma como os buracos negros se formam e crescem. Os astr\u00f3nomos pensam que os buracos negros supermassivos, que se encontram no centro de gal\u00e1xias como a Via L\u00e1ctea, cresceram at\u00e9 ao seu tamanho atual ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos. Mas o tamanho deste buraco negro rec\u00e9m-descoberto sugere que podem formar-se de outras maneiras: podem &#8220;nascer grandes&#8221; ou podem &#8220;comer&#8221; mat\u00e9ria a um ritmo cinco vezes superior ao que se pensava ser poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os modelos padr\u00e3o, os buracos negros supermassivos formam-se a partir dos remanescentes de estrelas mortas, que colapsam e podem formar um buraco negro com cerca de cem vezes a massa do Sol. Se crescesse da forma esperada, este objeto rec\u00e9m-detetado demoraria cerca de mil milh\u00f5es de anos a atingir a dimens\u00e3o observada. No entanto, o Universo ainda n\u00e3o tinha mil milh\u00f5es de anos quando foi detetado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 demasiado cedo no Universo para ver um buraco negro t\u00e3o massivo, por isso temos de considerar outras maneiras de os formar&#8221;, disse Maiolino, do Laborat\u00f3rio Cavendish de Cambridge e do Instituto Kavli de Cosmologia. &#8220;As gal\u00e1xias muito antigas eram extremamente ricas em g\u00e1s, por isso teriam sido como um buffet para os buracos negros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como todos os buracos negros, este est\u00e1 a devorar material da sua gal\u00e1xia hospedeira a fim de alimentar o seu crescimento. No entanto, com muito mais vigor do que os seus irm\u00e3os em \u00e9pocas posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>A jovem gal\u00e1xia hospedeira, chamada GN-z11, brilha devido ao buraco negro incrivelmente energ\u00e9tico no seu centro. Os buracos negros n\u00e3o podem ser observados diretamente, mas s\u00e3o detetados pelo brilho revelador de um disco de acre\u00e7\u00e3o rodopiante, que se forma perto da orla de um buraco negro. O g\u00e1s no disco de acre\u00e7\u00e3o torna-se extremamente quente e come\u00e7a a brilhar e a irradiar energia na gama do ultravioleta. Este forte brilho \u00e9 a forma como os astr\u00f3nomos conseguem detetar os buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p>GN-z11 \u00e9 uma gal\u00e1xia compacta, cerca de cem vezes mais pequena do que a Via L\u00e1ctea, mas o buraco negro est\u00e1 provavelmente a prejudicar o seu desenvolvimento. Quando os buracos negros consomem demasiado g\u00e1s, tamb\u00e9m o empurram para longe como um &#8220;vento&#8221; ultrarr\u00e1pido. Este &#8220;vento&#8221; pode parar o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar, &#8220;matando&#8221; lentamente a gal\u00e1xia, mas tamb\u00e9m matar\u00e1 o pr\u00f3prio buraco negro, uma vez que lhe cortar\u00e1 a fonte de &#8220;alimento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Maiolino diz que o gigantesco salto em frente proporcionado pelo JWST faz com que esta seja a altura mais excitante da sua carreira. &#8220;\u00c9 uma nova era: o salto gigantesco na sensibilidade, especialmente no infravermelho, \u00e9 como passar do telesc\u00f3pio de Galileu para um telesc\u00f3pio moderno de um dia para o outro&#8221;, disse. &#8220;Antes da entrada em funcionamento do Webb, pensei que talvez o Universo n\u00e3o fosse t\u00e3o interessante quando se vai para al\u00e9m do que conseguimos ver com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Mas n\u00e3o foi esse o caso: o Universo tem sido bastante generoso naquilo que nos mostra e isto \u00e9 apenas o come\u00e7o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Maiolino comenta que a sensibilidade do JWST significa que podem ser encontrados buracos negros ainda mais antigos nos pr\u00f3ximos meses e anos. Ele e a sua equipa esperam utilizar as futuras observa\u00e7\u00f5es do JWST para tentar encontrar &#8220;sementes&#8221; mais pequenas de buracos negros, o que os poder\u00e1 ajudar a desvendar os diferentes m\u00e9todos de forma\u00e7\u00e3o dos buracos negros: se come\u00e7am j\u00e1 grandes ou se crescem rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/astronomers-detect-oldest-black-hole-ever-observed\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-024-07052-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2305.12492\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/james-webb-space-telescope-oldest-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/oldest-black-hole-jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-01-astronomers-oldest-black-hole.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/the-sciences\/the-oldest-black-hole-could-wreak-havoc-on-a-faraway-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/at-the-dawn-of-time-astronomers-discover-the-earliest-black-hole-ever-detected\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2024\/01\/17\/oldest-black-hole-ever-observed-found-close-to-the-beginning-of-time\/?sh=7b65bbd7749b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.sky.com\/story\/scientists-discover-oldest-black-hole-ever-that-grew-far-more-quickly-than-expected-13050607\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky News<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/oldest-black-hole-found-image-big-bang-1851172493\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/7137315011\/descoberto-o-buraco-negro-mais-antigo-formado-ha-430-milhoes-de-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal de Not\u00edcias<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/3254859791\/astrofisicos-descobrem-buraco-negro-mais-antigo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/a><br><a href=\"https:\/\/tek.sapo.pt\/noticias\/ciencia\/artigos\/astrofisicos-descobrem-buraco-negro-antigo-que-desafia-teorias-cosmologicas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SAPO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GN-z11:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GN-z11\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-ers-programs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programas DD-ERS do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/general-observers\/cycle-2-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 2 GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gal\u00e1xia GN-z11, fotografada pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.Cr\u00e9dito: NASA, ESA e P. 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