{"id":6683,"date":"2024-01-19T07:16:22","date_gmt":"2024-01-19T06:16:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6683"},"modified":"2024-01-19T07:16:23","modified_gmt":"2024-01-19T06:16:23","slug":"gemeas-trigemeas-quadrigemeas-e-mais-observacoes-mostram-que-as-estrelas-massivas-nascem-de-facto-em-grupos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/01\/19\/gemeas-trigemeas-quadrigemeas-e-mais-observacoes-mostram-que-as-estrelas-massivas-nascem-de-facto-em-grupos\/","title":{"rendered":"G\u00e9meas, trig\u00e9meas, quadrig\u00e9meas e mais: observa\u00e7\u00f5es mostram que as estrelas massivas nascem, de facto, em grupos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6684\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o-724x1024.jpg 724w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o-212x300.jpg 212w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o-768x1086.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/gqf1G4Ey_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem, em cores falsas, da regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva G333.23-0.06 a partir de dados obtidos com o Observat\u00f3rio ALMA. As inser\u00e7\u00f5es mostram regi\u00f5es em que Li et al. conseguiram detetar sistemas m\u00faltiplos de protoestrelas. Os s\u00edmbolos pretos indicam a posi\u00e7\u00e3o de cada uma das estrelas rec\u00e9m-formadas. A imagem abrange uma regi\u00e3o com 0,62 por 0,78 anos-luz (que no c\u00e9u corresponde a uns meros 7,5 x 9,5 segundos de arco).<br>Cr\u00e9dito: S. Li, Instituto Max Planck de Astronomia\/J. Neidel; dados &#8211; Observat\u00f3rio ALMA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito que se pensa que as estrelas massivas nascem como g\u00e9meas, trig\u00e9meas ou em grupos ainda maiores. Mas, at\u00e9 agora, havia poucas evid\u00eancias observacionais que confirmassem a multiplicidade do nascimento das estrelas massivas. Isto mudou com as observa\u00e7\u00f5es aqui apresentadas: um estudo detalhado, utilizando o Observat\u00f3rio ALMA, encontrou quatro protoestrelas bin\u00e1rias, um sistema triplo, um qu\u00e1druplo e um qu\u00edntuplo num grande enxame estelar. Os novos resultados, publicados na revista Nature Astronomy, confirmam a nossa compreens\u00e3o atual da forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas: estas nascem, de facto, em grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 raro os seres humanos nascerem em grupos. Tipicamente, menos de 2% de todos os nascimentos envolvem g\u00e9meos ou trig\u00e9meos. Por outro lado, no caso das estrelas massivas, h\u00e1 muito que se pensa que o nascimento m\u00faltiplo seja a norma. Este facto foi demonstrado por simula\u00e7\u00f5es que tra\u00e7aram o colapso de nuvens gigantes de g\u00e1s e poeira desde o in\u00edcio at\u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estrelas separadas no seu interior: um processo hier\u00e1rquico em que por\u00e7\u00f5es maiores da nuvem se contraem para formar n\u00facleos mais densos, e em que regi\u00f5es mais pequenas dentro desses &#8220;n\u00facleos natais&#8221; colapsam para formar as estrelas separadas: estrelas massivas, mas tamb\u00e9m v\u00e1rias estrelas menos massivas. De facto, o nosso Sol formou-se como uma protoestrela de baixa massa num enxame de estrelas do g\u00e9nero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas massivas, que t\u00eam mais de oito vezes a massa do nosso Sol, s\u00e3o de particular interesse para os astr\u00f3nomos: s\u00e3o estas as que d\u00e3o azo \u00e0s estrelas de neutr\u00f5es e aos buracos negros, buracos negros estes que se podem fundir uns com os outros e emitir grandes quantidades de ondas gravitacionais. Al\u00e9m disso, as estrelas massivas s\u00e3o muito brilhantes, at\u00e9 um milh\u00e3o de vezes mais brilhantes do que o nosso Sol, pelo que s\u00e3o estas as que vemos noutras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, embora houvesse uma boa compreens\u00e3o te\u00f3rica da forma\u00e7\u00e3o de estrelas nestas circunst\u00e2ncias, faltavam-nos evid\u00eancias fundamentais: \u00e9 muito dif\u00edcil observar regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar em detalhe suficiente. At\u00e9 \u00e0 data, as observa\u00e7\u00f5es tinham sido capazes de mostrar apenas alguns isolados candidatos a sistemas m\u00faltiplos em enxames estelares massivos, mas nada que se parecesse com a popula\u00e7\u00e3o prevista pelas simula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Apontando o ALMA para um enxame de estrelas massivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para confirmar ou descartar os modelos atuais da forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas, era clara a necessidade de observa\u00e7\u00f5es mais detalhadas. Isto tornou-se poss\u00edvel quando o observat\u00f3rio ALMA, no Chile, ficou operacional. Na sua forma atual, o ALMA combina at\u00e9 66 antenas de r\u00e1dio para agir como um \u00fanico gigantesco radiotelesc\u00f3pio, permitindo observa\u00e7\u00f5es que mostram detalhes extremamente pequenos. Um grupo de astr\u00f3nomos, liderado por Patricio Sanhueza, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e da Universidade para Estudos Avan\u00e7ados em T\u00f3quio, e incluindo v\u00e1rios investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, prop\u00f4s-se observar 30 promissoras regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva com o ALMA entre 2016 e 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise dos dados revelou-se um desafio consider\u00e1vel e demorou v\u00e1rios anos. Cada observa\u00e7\u00e3o separada produz cerca de 800 GB de dados e a reconstru\u00e7\u00e3o de imagens a partir das contribui\u00e7\u00f5es de todas as diferentes antenas \u00e9 um processo complexo. O resultado que foi agora publicado baseia-se na an\u00e1lise de uma das regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar, que tem o n\u00famero de cat\u00e1logo G333.23-0.06. A an\u00e1lise foi liderada por Shanghuo Li, do Instituto Max Planck de Astronomia, que \u00e9 tamb\u00e9m o autor principal do artigo cient\u00edfico agora publicado na revista Nature Astronomy. As imagens reconstru\u00eddas resultantes s\u00e3o not\u00e1veis: mostram detalhes at\u00e9 cerca de 200 UA (1 UA, ou unidade astron\u00f3mica, corresponde \u00e0 dist\u00e2ncia Terra-Sol) para uma grande regi\u00e3o com cerca de 200.000 UA de di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas m\u00faltiplas em exposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados s\u00e3o excelentes not\u00edcias para o quadro atual da forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas. Em G333.23-0.06, Li e os seus colegas encontraram quatro protoestrelas bin\u00e1rias, um sistema triplo, um sistema qu\u00e1druplo e um sistema qu\u00edntuplo &#8211; consistentes com as expetativas. De facto, as observa\u00e7\u00f5es dos ambientes refor\u00e7am um cen\u00e1rio particular para a forma\u00e7\u00e3o de estrelas de massa elevada: fornecem evid\u00eancias da forma\u00e7\u00e3o estelar hier\u00e1rquica, onde a nuvem de g\u00e1s se fragmenta primeiro em &#8220;n\u00facleos&#8221; de maior densidade de g\u00e1s e onde cada n\u00facleo se fragmenta depois num sistema protoestelar m\u00faltiplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Henrik Beuther, que lidera o grupo de Forma\u00e7\u00e3o Estelar no departamento de Planetas e Forma\u00e7\u00e3o Estelar do Instituto Max Planck de Astronomia, afirma: &#8220;Finalmente, conseguimos observar em pormenor o rico conjunto de sistemas estelares m\u00faltiplos numa regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva! Particularmente excitante \u00e9 o facto de as observa\u00e7\u00f5es irem ao ponto de fornecer evid\u00eancias de um cen\u00e1rio espec\u00edfico para a forma\u00e7\u00e3o de estrelas de massa elevada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Shanghuo Li acrescenta: &#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es parecem indicar que, quando a nuvem colapsa, os sistemas m\u00faltiplos formam-se muito cedo. Mas ser\u00e1 que \u00e9 mesmo esse o caso? A an\u00e1lise de outras regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar, algumas delas mais jovens do que G333.23-0.06, dever\u00e1 dar-nos a resposta&#8221;. Especificamente, os astr\u00f3nomos est\u00e3o atualmente a trabalhar numa an\u00e1lise semelhante para as 29 regi\u00f5es adicionais de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva que observaram &#8211; \u00e0s quais se juntar\u00e3o em breve mais 20, com novas observa\u00e7\u00f5es ALMA lideradas por Li. Isso dever\u00e1 permitir obter estat\u00edsticas de maior alcance sobre as propriedades dessas regi\u00f5es e compreender a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas m\u00faltiplos. Mas mesmo com os resultados atuais, o papel dos sistemas m\u00faltiplos na forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas est\u00e1 agora firmemente ancorado na observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mpia.de\/news\/science\/2024-02-multiplicity-starformation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-023-02181-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2401.06545\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protostar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Protoestrela (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem, em cores falsas, da regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva G333.23-0.06 a partir de dados obtidos com o Observat\u00f3rio ALMA. As inser\u00e7\u00f5es mostram regi\u00f5es em que Li et al. conseguiram detetar sistemas m\u00faltiplos de protoestrelas. Os s\u00edmbolos pretos indicam a posi\u00e7\u00e3o de cada uma das estrelas rec\u00e9m-formadas. A imagem abrange uma regi\u00e3o com 0,62 por &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6684,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[305,332,618],"class_list":["post-6683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-alma","tag-formacao-estelar","tag-sistemas-estelares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6685,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6683\/revisions\/6685"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6684"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}