{"id":6572,"date":"2023-12-08T07:14:53","date_gmt":"2023-12-08T06:14:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6572"},"modified":"2023-12-08T07:22:32","modified_gmt":"2023-12-08T06:22:32","slug":"6572","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/12\/08\/6572\/","title":{"rendered":"Uma nova poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para a tens\u00e3o de Hubble"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/62\/ce\/RMVdmaxm_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o-1024x572.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6573\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o-1024x572.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o-300x168.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o-768x429.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o-1536x858.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/RMVdmaxm_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem mostra a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria no espa\u00e7o &#8211; (azul; os pontos amarelos representam gal\u00e1xias individuais). A Via L\u00e1ctea (verde) encontra-se numa zona com pouca mat\u00e9ria. As gal\u00e1xias na bolha movem-se na dire\u00e7\u00e3o das densidades de mat\u00e9ria mais elevadas (setas vermelhas). Assim, o Universo parece estar a expandir-se mais rapidamente no interior da bolha.<br>Cr\u00e9dito: AG Kroupa\/Universidade de Bona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O Universo est\u00e1 a expandir-se. A velocidade a que se expande \u00e9 descrita pela chamada constante de Hubble-Lemaitre. Mas h\u00e1 uma controv\u00e9rsia acerca do valor preciso desta constante: diferentes m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o fornecem valores contradit\u00f3rios. A chamada &#8220;tens\u00e3o de Hubble&#8221; constitui um quebra-cabe\u00e7as para os cosm\u00f3logos. Os investigadores das Universidades de Bona e de St. Andrews prop\u00f5em agora uma nova solu\u00e7\u00e3o: utilizando uma teoria alternativa da gravidade, a discrep\u00e2ncia entre os valores medidos pode ser facilmente explicada &#8211; a tens\u00e3o de Hubble desaparece. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o do Universo faz com que as gal\u00e1xias se afastem umas das outras. A velocidade a que o fazem \u00e9 proporcional \u00e0 dist\u00e2ncia que as separa. Por exemplo, se a gal\u00e1xia A estiver duas vezes mais longe da Terra do que a gal\u00e1xia B, a sua dist\u00e2ncia de n\u00f3s tamb\u00e9m aumenta duas vezes mais depressa. O astr\u00f3nomo americano Edwin Hubble foi um dos primeiros a reconhecer esta rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para calcular a velocidade a que duas gal\u00e1xias se afastam uma da outra, \u00e9 necess\u00e1rio saber a dist\u00e2ncia que as separa. No entanto, isto tamb\u00e9m requer uma constante pela qual esta dist\u00e2ncia deve ser multiplicada. Esta \u00e9 a chamada constante de Hubble-Lemaitre, um par\u00e2metro fundamental em cosmologia. O seu valor pode ser determinado, por exemplo, observando as regi\u00f5es muito distantes do Universo. Isto d\u00e1 uma velocidade de quase 244.000 quil\u00f3metros por hora por megaparsec de dist\u00e2ncia (um megaparsec corresponde a pouco mais de tr\u00eas milh\u00f5es de anos-luz).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>244.000 quil\u00f3metros por hora por megaparsec &#8211; ou 264.000?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas tamb\u00e9m podemos olhar para corpos celestes que est\u00e3o muito mais perto de n\u00f3s &#8211; as chamadas supernovas do Tipo Ia, que s\u00e3o uma determinada categoria de explos\u00e3o estelar&#8221;, explica o prof. Dr. Pavel Kroupa do Instituto Helmholtz de Radia\u00e7\u00e3o e F\u00edsica Nuclear da Universidade de Bona. \u00c9 poss\u00edvel determinar com grande exatid\u00e3o a dist\u00e2ncia de uma supernova do Tipo Ia \u00e0 Terra. Tamb\u00e9m sabemos que os objetos brilhantes mudam de cor quando se afastam de n\u00f3s &#8211; e quanto mais depressa se afastam, mais forte \u00e9 a mudan\u00e7a. Isto \u00e9 semelhante a uma ambul\u00e2ncia, cuja sirene soa mais grave \u00e0 medida que se afasta de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Se calcularmos agora a velocidade das supernovas do Tipo Ia a partir da sua mudan\u00e7a de cor e a correlacionarmos com a sua dist\u00e2ncia, chegamos a um valor diferente para a constante de Hubble-Lemaitre &#8211; ou seja, um pouco menos de 264.000 quil\u00f3metros por hora por megaparsec de dist\u00e2ncia. &#8220;O Universo parece, portanto, estar a expandir-se mais rapidamente na nossa vizinhan\u00e7a &#8211; ou seja, at\u00e9 uma dist\u00e2ncia de cerca de tr\u00eas mil milh\u00f5es de anos-luz &#8211; do que na sua totalidade&#8221;, diz Kroupa. &#8220;E n\u00e3o deveria ser esse o caso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, foi recentemente feita uma observa\u00e7\u00e3o que pode explicar este facto. De acordo com esta observa\u00e7\u00e3o, a Terra est\u00e1 localizada numa regi\u00e3o do espa\u00e7o onde existe relativamente pouca mat\u00e9ria &#8211; compar\u00e1vel a uma bolha de ar num bolo. A densidade da mat\u00e9ria \u00e9 maior \u00e0 volta da bolha. As for\u00e7as gravitacionais emanam desta mat\u00e9ria circundante, que puxa as gal\u00e1xias na bolha para as orlas da cavidade. &#8220;\u00c9 por isso que se est\u00e3o a afastar de n\u00f3s mais depressa do que seria de esperar&#8221;, explica o Dr. Indranil Banik, da Universidade de St. Andrews. Os desvios poderiam, portanto, ser simplesmente explicados por uma &#8220;subdensidade&#8221; local.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, outro grupo de investiga\u00e7\u00e3o mediu recentemente a velocidade m\u00e9dia de um grande n\u00famero de gal\u00e1xias que se encontram a 600 milh\u00f5es de anos-luz de n\u00f3s. &#8220;Descobriu-se que estas gal\u00e1xias se afastam de n\u00f3s quatro vezes mais depressa do que o modelo padr\u00e3o da cosmologia permite&#8221;, explica Sergij Mazurenko, do grupo de investiga\u00e7\u00e3o de Kroupa, que participou no estudo atual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Bolha&#8221; na &#8220;massa&#8221; do Universo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto deve-se ao facto de o modelo padr\u00e3o n\u00e3o prever essas subdensidades ou &#8220;bolhas&#8221; &#8211; elas n\u00e3o deveriam realmente existir. Em vez disso, a mat\u00e9ria deveria estar distribu\u00edda uniformemente no espa\u00e7o. Se fosse esse o caso, seria dif\u00edcil explicar quais as for\u00e7as que impulsionam as gal\u00e1xias para a sua alta velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O modelo padr\u00e3o baseia-se numa teoria sobre a natureza da gravidade apresentada por Albert Einstein&#8221;, diz Kroupa. &#8220;No entanto, as for\u00e7as gravitacionais podem comportar-se de forma diferente do que Einstein esperava&#8221;. Os grupos de trabalho das Universidades de Bona e de St. Andrews utilizaram uma teoria da gravidade modificada numa simula\u00e7\u00e3o em computador. Esta &#8220;din\u00e2mica newtoniana modificada&#8221; (abreviatura inglesa MOND, &#8220;Modified Newtonian dynamics&#8221;) foi proposta h\u00e1 quatro d\u00e9cadas pelo f\u00edsico israelita prof. Dr. Mordehai Milgrom. Atualmente, ainda \u00e9 considerada uma teoria &#8220;forasteira&#8221;. &#8220;Contudo, nos nossos c\u00e1lculos, a teoria MOND prev\u00ea com exatid\u00e3o a exist\u00eancia de tais bolhas&#8221;, diz Kroupa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se se assumisse que a gravidade se comporta de facto de acordo com os pressupostos de Milgrom, a tens\u00e3o de Hubble desapareceria: de facto, haveria apenas uma constante para a expans\u00e3o do Universo e os desvios observados dever-se-iam a irregularidades na distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.uni-bonn.de\/en\/news\/231-2023\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Bona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/527\/3\/4388\/7337338?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.17988\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble's_law\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei de Hubble (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble's_law#Determining_the_Hubble_constant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder#Galactic_distance_indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Indicadores de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Escada&#8221; de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MOND (Modified Newtonian dynamics):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Modified_Newtonian_dynamics\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem mostra a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria no espa\u00e7o &#8211; (azul; os pontos amarelos representam gal\u00e1xias individuais). 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