{"id":6551,"date":"2023-11-28T07:18:34","date_gmt":"2023-11-28T06:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6551"},"modified":"2023-11-28T07:18:35","modified_gmt":"2023-11-28T06:18:35","slug":"uma-visao-radicalmente-nova-das-galaxias-anas-que-rodeiam-a-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/11\/28\/uma-visao-radicalmente-nova-das-galaxias-anas-que-rodeiam-a-via-lactea\/","title":{"rendered":"Uma vis\u00e3o radicalmente nova das gal\u00e1xias an\u00e3s que rodeiam a Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/11\/dwarf_galaxies_around_the_milky_way\/23810675-1-eng-GB\/Dwarf_galaxies_around_the_Milky_Way.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"500\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/wdOx1aH7_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6552\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/wdOx1aH7_o.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/wdOx1aH7_o-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/wdOx1aH7_o-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/wdOx1aH7_o-660x330.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As gal\u00e1xias an\u00e3s em torno da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora se pense que s\u00e3o, h\u00e1 muito tempo, sat\u00e9lites da nossa Gal\u00e1xia, um novo estudo revela agora ind\u00edcios de que a maioria dessas gal\u00e1xias an\u00e3s pode, de facto, ser destru\u00edda pouco depois da sua entrada no halo Gal\u00e1ctico. Gra\u00e7as ao mais recente cat\u00e1logo do sat\u00e9lite Gaia da ESA, uma equipa internacional demonstrou agora que as gal\u00e1xias an\u00e3s podem estar fora de equil\u00edbrio. O estudo levanta quest\u00f5es importantes sobre o modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o, nomeadamente sobre a preval\u00eancia da mat\u00e9ria escura no nosso ambiente mais pr\u00f3ximo. H\u00e1 muito que se sup\u00f5e que as gal\u00e1xias an\u00e3s em torno da Via L\u00e1ctea s\u00e3o sat\u00e9lites antigos que orbitam a nossa Gal\u00e1xia h\u00e1 cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos. Isto obriga-as a conter enormes quantidades de mat\u00e9ria escura para as proteger dos enormes efeitos de mar\u00e9 da atra\u00e7\u00e3o gravitacional da nossa Gal\u00e1xia. Partiu-se do princ\u00edpio que a mat\u00e9ria escura causava as grandes diferen\u00e7as observadas nas velocidades das estrelas dentro destas gal\u00e1xias an\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00faltimos dados Gaia revelaram agora uma vis\u00e3o completamente diferente das propriedades das gal\u00e1xias an\u00e3s. Astr\u00f3nomos do Observat\u00f3rio de Paris, do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) e do Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam conseguiram datar a hist\u00f3ria da Via L\u00e1ctea, gra\u00e7as \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que liga a energia orbital de um objeto \u00e0 sua \u00e9poca de entrada no halo, o momento em que foram capturados pela primeira vez pelo campo gravitacional da Via L\u00e1ctea: os objetos que chegaram mais cedo, quando a Via L\u00e1ctea era menos massiva, t\u00eam energias orbitais mais baixas do que os que chegaram mais recentemente. As energias orbitais da maioria das gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o, surpreendentemente, substancialmente maiores do que a da gal\u00e1xia an\u00e3 Sagit\u00e1rio que entrou no halo h\u00e1 5 a 6 mil milh\u00f5es de anos. Isto implica que a maioria das gal\u00e1xias an\u00e3s chegou muito mais recentemente, h\u00e1 menos de tr\u00eas mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma chegada t\u00e3o recente implica que as an\u00e3s pr\u00f3ximas v\u00eam de fora do halo, onde se observa que quase todas as gal\u00e1xias an\u00e3s cont\u00eam enormes reservat\u00f3rios de g\u00e1s neutro. As gal\u00e1xias ricas em g\u00e1s perderam o seu g\u00e1s quando colidiram com o g\u00e1s quente do halo Gal\u00e1ctico. A viol\u00eancia dos choques e da turbul\u00eancia neste processo alterou completamente as gal\u00e1xias an\u00e3s. Enquanto as gal\u00e1xias an\u00e3s anteriormente ricas em g\u00e1s eram dominadas pela rota\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e das estrelas, quando se transformam em sistemas sem g\u00e1s a sua gravidade passa a ser equilibrada pelos movimentos aleat\u00f3rios das estrelas que restam. As gal\u00e1xias an\u00e3s perdem o seu g\u00e1s num processo t\u00e3o violento que as coloca fora de equil\u00edbrio, o que significa que a velocidade a que as suas estrelas se movem j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em equil\u00edbrio com a sua acelera\u00e7\u00e3o gravitacional. Os efeitos combinados da perda de g\u00e1s e dos choques gravitacionais devido ao mergulho na Gal\u00e1xia explicam bem a grande dispers\u00e3o de velocidades das estrelas no interior da gal\u00e1xia an\u00e3 remanescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das curiosidades deste estudo \u00e9 o papel da mat\u00e9ria escura. Em primeiro lugar, a aus\u00eancia de um equil\u00edbrio impede qualquer estimativa da massa din\u00e2mica das gal\u00e1xias an\u00e3s da Via L\u00e1ctea e do seu conte\u00fado de mat\u00e9ria escura. Em segundo lugar, enquanto no cen\u00e1rio anterior a mat\u00e9ria escura protegia a suposta estabilidade das gal\u00e1xias an\u00e3s, o invocar da mat\u00e9ria escura torna-se bastante estranho para objetos fora de equil\u00edbrio. De facto, se a an\u00e3 j\u00e1 contivesse muita mat\u00e9ria escura, esta teria estabilizado o seu disco inicial de estrelas em rota\u00e7\u00e3o, impedindo a transforma\u00e7\u00e3o da an\u00e3 numa gal\u00e1xia com movimentos estelares aleat\u00f3rios, como observado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descri\u00e7\u00e3o da recente chegada de gal\u00e1xias an\u00e3s e das suas transforma\u00e7\u00f5es no halo explica bem muitas das propriedades observadas destes objetos, em particular a raz\u00e3o pela qual t\u00eam estrelas a grandes dist\u00e2ncias do seu centro. As suas propriedades parecem compat\u00edveis com a aus\u00eancia de mat\u00e9ria escura, contrariamente \u00e0 ideia anterior de que as gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o os objetos mais dominados pela mat\u00e9ria escura. Surgem agora muitas quest\u00f5es, tais como: onde est\u00e3o as muitas gal\u00e1xias an\u00e3s dominadas por mat\u00e9ria escura que o modo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o espera em torno da Via L\u00e1ctea? Como podemos inferir o conte\u00fado de mat\u00e9ria escura de uma gal\u00e1xia an\u00e3 se n\u00e3o se pode assumir o equil\u00edbrio? Que outras observa\u00e7\u00f5es poderiam distinguir entre as gal\u00e1xias an\u00e3s fora de equil\u00edbrio propostas e o quadro cl\u00e1ssico com an\u00e3s dominadas por mat\u00e9ria escura?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Transformation of a gas-rich and rotation-dominated galaxy into a spheroidal dwarf galaxy\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SwxSdmfQis4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/news\/a-radically-new-view-on-dwarf-galaxies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Leibniz de Astrof\u00edsica de Potsdam (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.observatoiredeparis.psl.eu\/a-radically-new-view-of-dwarf.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio de Paris (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/527\/2\/2718\/7422453?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.05677\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Satellite_galaxies_of_the_Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia an\u00e3 esferoidal de Sagit\u00e1rio:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/more\/sagdeg.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_Dwarf_Spheroidal_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias an\u00e3s:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As gal\u00e1xias an\u00e3s em torno da Via L\u00e1ctea.Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC Embora se pense que s\u00e3o, h\u00e1 muito tempo, sat\u00e9lites da nossa Gal\u00e1xia, um novo estudo revela agora ind\u00edcios de que a maioria dessas gal\u00e1xias an\u00e3s pode, de facto, ser destru\u00edda pouco depois da sua entrada no halo Gal\u00e1ctico. 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