{"id":6545,"date":"2023-11-28T07:14:21","date_gmt":"2023-11-28T06:14:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6545"},"modified":"2023-11-28T07:14:22","modified_gmt":"2023-11-28T06:14:22","slug":"novos-conhecimentos-sobre-a-evolucao-estelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/11\/28\/novos-conhecimentos-sobre-a-evolucao-estelar\/","title":{"rendered":"Novos conhecimentos sobre a evolu\u00e7\u00e3o estelar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso1230a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"514\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o-1024x514.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6546\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o-1024x514.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o-300x151.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o-768x386.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/iokupb8K_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de uma estrela &#8220;vampira&#8221; (esquerda) que rouba material da sua &#8220;v\u00edtima&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser\/S.E. de Mink<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uma nova descoberta pioneira poder\u00e1 transformar a forma como os astr\u00f3nomos compreendem algumas das maiores e mais comuns estrelas do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o levada a cabo pelo estudante de doutoramento Jonathan Dodd e pelo Professor Ren\u00e9 Oudmaijer, da Escola de F\u00edsica e Astronomia da Universidade de Leeds, aponta para novas e intrigantes evid\u00eancias de que as estrelas massivas Be &#8211; que at\u00e9 agora se pensava existirem principalmente em sistemas duplos &#8211; podem de facto ser &#8220;triplas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00e1vel descoberta poder\u00e1 revolucionar a nossa compreens\u00e3o destes objetos &#8211; um subconjunto das estrelas B &#8211; que s\u00e3o considerados um importante &#8220;banco de ensaio&#8221; para o desenvolvimento de teorias sobre a evolu\u00e7\u00e3o das estrelas em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas estrelas Be est\u00e3o rodeadas por um disco caracter\u00edstico feito de g\u00e1s &#8211; semelhante aos an\u00e9is de Saturno no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. E embora as estrelas Be sejam conhecidas h\u00e1 j\u00e1 cerca de 150 anos &#8211; tendo sido identificadas pela primeira vez pelo famoso astr\u00f3nomo italiano Angelo Secchi em 1866 &#8211; at\u00e9 agora, ningu\u00e9m sabia como se formavam.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 \u00e0 data, o consenso entre os astr\u00f3nomos diz que os discos s\u00e3o formados pela r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o das estrelas Be, que pode ser provocada pela intera\u00e7\u00e3o das estrelas com a outra estrela no sistema bin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sistemas triplos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dodd, autor correspondente da investiga\u00e7\u00e3o, disse: &#8220;O melhor ponto de refer\u00eancia para isso \u00e9 ver a &#8216;Guerra das Estrelas&#8217;, onde h\u00e1 planetas com dois s\u00f3is&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora, ao analisar os dados do sat\u00e9lite Gaia da ESA, os cientistas dizem ter encontrado evid\u00eancias de que estas estrelas existem de facto em sistemas triplos &#8211; com tr\u00eas corpos a interagir em vez de apenas dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Dodd acrescentou: &#8220;Observ\u00e1mos a forma como as estrelas se movem no c\u00e9u noturno, em per\u00edodos mais longos, como 10 anos, e per\u00edodos mais curtos, de cerca de seis meses. Se uma estrela se move em linha reta, sabemos que h\u00e1 apenas uma estrela, mas se houver mais do que uma, veremos uma ligeira oscila\u00e7\u00e3o ou, no melhor dos casos, uma espiral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aplic\u00e1mos isto aos dois grupos de estrelas que estamos a analisar &#8211; as estrelas B e as estrelas Be &#8211; e o que descobrimos, de forma confusa, \u00e9 que, \u00e0 primeira vista, parece que as estrelas Be t\u00eam uma taxa mais baixa de companheiras do que as estrelas B. Isto \u00e9 interessante porque esper\u00e1vamos que as estrelas Be tivessem uma taxa mais elevada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o investigador principal, prof. Oudmaijer, disse: &#8220;O facto de n\u00e3o as vermos pode dever-se ao facto de serem agora demasiado t\u00e9nues para serem detetadas&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso2204a.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e2\/08\/XaOdjqCI_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista composta por uma estrela com um disco \u00e0 sua volta (uma estrela &#8220;vampira&#8221; Be; primeiro plano) e a sua estrela companheira que foi despojada das suas camadas exteriores (fundo).<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Transfer\u00eancia de massa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores analisaram depois um conjunto diferente de dados, procurando estrelas companheiras mais distantes, e descobriram que, a estas separa\u00e7\u00f5es maiores, a taxa de estrelas companheiras \u00e9 muito semelhante entre as estrelas B e Be.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, puderam inferir que, em muitos casos, uma terceira estrela est\u00e1 em jogo, for\u00e7ando a companheira a aproximar-se da estrela Be &#8211; suficientemente perto para que a massa possa ser transferida de uma para a outra e assim possa formar o disco caracter\u00edstico da estrela Be. Isto tamb\u00e9m pode explicar porque \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o vemos estas companheiras; tornaram-se demasiado pequenas e t\u00e9nues para serem detetadas depois da estrela Be &#8220;vampira&#8221; ter sugado tanta da sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta poder\u00e1 ter um enorme impacto noutras \u00e1reas da astronomia &#8211; incluindo a nossa compreens\u00e3o dos buracos negros, das estrelas de neutr\u00f5es e das fontes de ondas gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Oudmaijer afirmou: &#8220;Est\u00e1 a decorrer uma revolu\u00e7\u00e3o na f\u00edsica em torno das ondas gravitacionais. S\u00f3 h\u00e1 alguns anos \u00e9 que come\u00e7\u00e1mos a observar estas ondas gravitacionais, que se descobriu serem devidas \u00e0 fus\u00e3o de buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabemos que estes objetos enigm\u00e1ticos &#8211; buracos negros e estrelas de neutr\u00f5es &#8211; existem, mas n\u00e3o sabemos muito sobre as estrelas que se transformam neles. As nossas descobertas fornecem uma pista para compreender estas fontes de ondas gravitacionais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E acrescentou: &#8220;Durante a \u00faltima d\u00e9cada, os astr\u00f3nomos descobriram que a binariedade \u00e9 um elemento incrivelmente importante na evolu\u00e7\u00e3o estelar. Estamos agora a avan\u00e7ar mais para a ideia de que \u00e9 ainda mais complexo do que isso e que as estrelas triplas devem ser consideradas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De facto&#8221;, disse Oudmaijer, &#8220;as triplas tornaram-se as novas bin\u00e1rias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.leeds.ac.uk\/main-index\/news\/article\/5460\/new-insight-into-stellar-evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Leeds (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/527\/2\/3076\/7310873?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2310.05653\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/triple-star-system-vampire-stellar-bodies-be-disks\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/some-of-the-galaxys-brightest-stars-might-not-be-quite-what-they-seem\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-11-triple-star-discovery-revolutionize-stellar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/vampire-stars-triple-system-steal-mass-space-1845934\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas Be:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Be_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas B:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/B-type_main-sequence_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de uma estrela &#8220;vampira&#8221; (esquerda) que rouba material da sua &#8220;v\u00edtima&#8221;.Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser\/S.E. de Mink Uma nova descoberta pioneira poder\u00e1 transformar a forma como os astr\u00f3nomos compreendem algumas das maiores e mais comuns estrelas do Universo. A investiga\u00e7\u00e3o levada a cabo pelo estudante de doutoramento Jonathan Dodd e pelo Professor Ren\u00e9 Oudmaijer, &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6546,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[1647,1571,332],"class_list":["post-6545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","tag-estrelas-b","tag-estrelas-be","tag-formacao-estelar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6545"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6547,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545\/revisions\/6547"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}