{"id":6535,"date":"2023-11-24T07:17:52","date_gmt":"2023-11-24T06:17:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6535"},"modified":"2023-11-24T07:17:52","modified_gmt":"2023-11-24T06:17:52","slug":"cometas-saltitantes-poderao-fornecer-blocos-de-construcao-para-a-vida-em-exoplanetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/11\/24\/cometas-saltitantes-poderao-fornecer-blocos-de-construcao-para-a-vida-em-exoplanetas\/","title":{"rendered":"Cometas &#8220;saltitantes&#8221; poder\u00e3o fornecer blocos de constru\u00e7\u00e3o para a vida em exoplanetas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"500\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o-1024x500.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6536\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o-1024x500.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o-300x146.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o-768x375.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o-1536x750.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/XY5vwCES_o.jpg 1770w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de um meteoro a atingir a Terra.<br>Cr\u00e9dito: solarseven via Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como \u00e9 que os blocos moleculares de constru\u00e7\u00e3o da vida foram parar \u00e0 Terra? Uma teoria duradoura diz que podem ter sido entregues por cometas. Agora, investigadores da Universidade de Cambridge mostraram como os cometas poderiam depositar blocos de constru\u00e7\u00e3o semelhantes noutros planetas da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para transportar material org\u00e2nico, os cometas t\u00eam de viajar relativamente devagar &#8211; a velocidades inferiores a 15 quil\u00f3metros por segundo. A velocidades mais elevadas, as mol\u00e9culas essenciais n\u00e3o sobreviveriam &#8211; a velocidade e a temperatura do impacto fariam com que se desintegrassem.<\/p>\n\n\n\n<p>O local mais prov\u00e1vel onde os cometas podem viajar \u00e0 velocidade certa s\u00e3o nos sistemas &#8220;ervilhas numa vagem&#8221;, onde um grupo \u00edntimo de planetas orbita em conjunto. Num tal sistema, o cometa poderia essencialmente passar ou &#8220;saltar&#8221; da \u00f3rbita de um planeta para outro, abrandando a sua velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A uma velocidade suficientemente lenta, o cometa embateria na superf\u00edcie de um planeta, libertando as mol\u00e9culas intactas que os investigadores pensam serem os precursores da vida. Os resultados, publicados na revista Proceedings of the Royal Society A, sugerem que tais sistemas seriam locais promissores para procurar vida para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, caso o transporte comet\u00e1rio seja efetivamente importante para as origens da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que os cometas cont\u00eam uma s\u00e9rie de blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida, conhecidos como mol\u00e9culas prebi\u00f3ticas. Por exemplo, amostras do asteroide Ryugu, analisadas em 2022, mostraram que continham amino\u00e1cidos intactos e vitamina B3. Os cometas tamb\u00e9m cont\u00eam grandes quantidades de cianeto de hidrog\u00e9nio (HCN), outra mol\u00e9cula prebi\u00f3tica importante. As fortes liga\u00e7\u00f5es carbono-azoto do HCN tornam-no mais resistente a altas temperaturas, o que significa que pode sobreviver \u00e0 entrada na atmosfera e permanecer intacto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos sempre a aprender mais sobre as atmosferas dos exoplanetas, por isso quisemos ver se h\u00e1 planetas onde mol\u00e9culas complexas tamb\u00e9m podem ser entregues por cometas&#8221;, disse o primeiro autor Richard Anslow do Instituto de Astronomia de Cambridge. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que as mol\u00e9culas que levaram \u00e0 vida na Terra tenham vindo de cometas, por isso o mesmo pode ser verdade para planetas noutros locais da Gal\u00e1xia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores n\u00e3o afirmam que os cometas s\u00e3o necess\u00e1rios para a origem da vida na Terra ou em qualquer outro planeta, mas pretendem colocar alguns limites nos tipos de planetas onde mol\u00e9culas complexas, como o HCN, podem ser transportadas com sucesso pelos cometas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos cometas do nosso Sistema Solar situa-se para l\u00e1 da \u00f3rbita de Neptuno, na chamada Cintura de Kuiper. Quando os cometas ou outros objetos da Cintura de Kuiper colidem, podem ser empurrados pela gravidade de Neptuno em dire\u00e7\u00e3o ao Sol, acabando por ser puxados pela gravidade de J\u00fapiter. Alguns destes cometas passam pela cintura principal de asteroides e entram no Sistema Solar interior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quer\u00edamos testar as nossas teorias em planetas semelhantes ao nosso, uma vez que a Terra \u00e9 atualmente o \u00fanico exemplo de um planeta que suporta a vida&#8221;, disse Anslow. &#8220;Que tipos de cometas, viajando a que tipo de velocidade, poderiam transportar mol\u00e9culas prebi\u00f3ticas intactas?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando uma variedade de t\u00e9cnicas de modela\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, os investigadores determinaram que \u00e9 poss\u00edvel que os cometas forne\u00e7am as mol\u00e9culas precursoras da vida, mas apenas em determinados cen\u00e1rios. Para planetas que orbitam uma estrela semelhante ao nosso Sol, o planeta tem de ter uma massa baixa e \u00e9 \u00fatil que esteja numa \u00f3rbita pr\u00f3xima de outros planetas do sistema. Os investigadores descobriram que planetas pr\u00f3ximos, em \u00f3rbitas pr\u00f3ximas, s\u00e3o muito mais importantes para planetas em torno de estrelas de baixa massa, onde as velocidades t\u00edpicas s\u00e3o muito mais elevadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Num tal sistema, um cometa poderia ser puxado pela for\u00e7a gravitacional de um planeta e depois passar para outro planeta antes do impacto. Se esta &#8220;passagem comet\u00e1ria&#8221; acontecesse um n\u00famero suficiente de vezes, o cometa abrandaria o suficiente para que algumas mol\u00e9culas prebi\u00f3ticas pudessem sobreviver \u00e0 entrada na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nestes sistemas muito compactos, cada planeta tem uma oportunidade de interagir com um cometa e de o apanhar&#8221;, disse Anslow. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que este mecanismo possa ser a forma como as mol\u00e9culas prebi\u00f3ticas acabam nos planetas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os planetas que orbitam em torno de estrelas de menor massa, como as an\u00e3s M, seria mais dif\u00edcil que mol\u00e9culas complexas fossem entregues pelos cometas, especialmente se os planetas estiverem pouco compactados. Os planetas rochosos nestes sistemas tamb\u00e9m sofrem significativamente mais impactos de alta velocidade, o que pode colocar desafios \u00fanicos \u00e0 vida nestes planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores afirmam que os seus resultados podem ser \u00fateis para determinar onde procurar vida para l\u00e1 do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 excitante o facto de podermos come\u00e7ar a identificar o tipo de sistemas que podemos usar para testar diferentes cen\u00e1rios de origem&#8221;, disse Anslow. &#8220;\u00c9 uma forma diferente de olhar para o excelente trabalho que j\u00e1 foi feito na Terra. Que percursos moleculares levaram \u00e0 enorme variedade de vida que vemos \u00e0 nossa volta? Haver\u00e1 outros planetas onde existam as mesmas vias? \u00c9 um momento excitante, poder combinar os avan\u00e7os da astronomia e da qu\u00edmica para estudar algumas das quest\u00f5es mais fundamentais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/bouncing-comets-could-deliver-building-blocks-for-life-to-exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rspa.2023.0434\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Proceedings of the Royal Society A)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2310.12906\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Exocometa:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Exocomet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cometas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Comet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/profile.cfm?Object=Comets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cintura de Kuiper:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.minorplanetcenter.org\/iau\/lists\/OuterPlot.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Planetas Menores da UAI<\/a><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/kbos\/indepth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kuiper_belt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de um meteoro a atingir a Terra.Cr\u00e9dito: solarseven via Getty Images Como \u00e9 que os blocos moleculares de constru\u00e7\u00e3o da vida foram parar \u00e0 Terra? Uma teoria duradoura diz que podem ter sido entregues por cometas. Agora, investigadores da Universidade de Cambridge mostraram como os cometas poderiam depositar blocos de constru\u00e7\u00e3o semelhantes &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,9],"tags":[1048,139,519,147],"class_list":["post-6535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-exoplanetas","category-sistema-solar","tag-cintura-de-kuiper","tag-cometa","tag-exocometa","tag-exoplaneta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6535"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6537,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535\/revisions\/6537"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}