{"id":6526,"date":"2023-11-21T07:34:02","date_gmt":"2023-11-21T06:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6526"},"modified":"2023-11-21T07:34:02","modified_gmt":"2023-11-21T06:34:02","slug":"com-erupcoes-sem-precedentes-um-cadaver-estelar-da-sinais-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/11\/21\/com-erupcoes-sem-precedentes-um-cadaver-estelar-da-sinais-de-vida\/","title":{"rendered":"Com erup\u00e7\u00f5es sem precedentes, um &#8220;cad\u00e1ver&#8221; estelar d\u00e1 sinais de vida"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/news.cornell.edu\/sites\/default\/files\/styles\/full_size\/public\/1115_space_0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"528\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EWBk8yfL_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6527\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EWBk8yfL_o.jpg 900w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EWBk8yfL_o-300x176.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EWBk8yfL_o-768x451.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de AT2022tsd, uma explos\u00e3o numa gal\u00e1xia distante. A imagem mostra uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: um buraco negro a acretar mat\u00e9ria de um disco e a alimentar um jato. A varia\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do jato pode produzir os flashes r\u00e1pidos observados.<br>Cr\u00e9dito: Robert L. Hurt\/Caltech\/IPAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa liderada pela Universidade de Cornell relata, numa nova investiga\u00e7\u00e3o publicada a 15 de novembro na Nature, que ap\u00f3s a morte explosiva de uma estrela distante, um &#8220;cad\u00e1ver&#8221; estelar ativo foi a fonte prov\u00e1vel de repetidos surtos energ\u00e9ticos observados ao longo de v\u00e1rios meses &#8211; um fen\u00f3meno que os astr\u00f3nomos nunca tinham visto antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os flashes brilhantes e breves &#8211; t\u00e3o curtos quanto alguns minutos de dura\u00e7\u00e3o e t\u00e3o poderosos quanto a explos\u00e3o original 100 dias depois &#8211; apareceram no rescaldo de um tipo raro de cataclismo estelar que os investigadores se propuseram a encontrar, conhecido como LFBOT (sigla inglesa para &#8220;luminous fast blue optical transient&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a sua descoberta em 2018, os astr\u00f3nomos t\u00eam especulado sobre o que poder\u00e1 estar na origem de tais explos\u00f5es extremas, que s\u00e3o muito mais brilhantes do que os fins violentos pelo qual as estrelas massivas normalmente passam, mas que se desvanecem em dias em vez de semanas. A equipa de investigadores pensa que a atividade anteriormente desconhecida, que foi estudada por 15 telesc\u00f3pios em todo o mundo, confirma que o &#8220;motor&#8221; deve ser um &#8220;cad\u00e1ver&#8221; estelar: um buraco negro ou uma estrela de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o pensamos que mais nada possa produzir este tipo de erup\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Anna Y.Q. Ho, professora assistente de astronomia na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Cornell. &#8220;Isto resolve anos de debate sobre o que est\u00e1 na origem deste tipo de explos\u00e3o e revela um m\u00e9todo invulgarmente direto de estudar a atividade dos cad\u00e1veres estelares.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ho \u00e9 a primeira autora do artigo cient\u00edfico, com mais de 70 coautores que ajudaram a caraterizar o LFBOT oficialmente rotulado AT2022tsd e apelidado de &#8220;diabo da Tasm\u00e2nia&#8221;, e os subsequentes pulsos de luz vistos a cerca de mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ho escreveu o software que assinalou o evento em setembro de 2022, enquanto filtrava meio milh\u00e3o de mudan\u00e7as, ou transientes, detetadas diariamente num levantamento de todo o c\u00e9u realizado pela ZTF (Zwicky Transient Facility), com sede no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, em dezembro de 2022, enquanto monitorizava rotineiramente a explos\u00e3o que se desvanecia, Ho e os colaboradores Daniel Perley, da Universidade John Moores em Liverpool, Inglaterra, e Ping Chen, do Instituto Weizmann de Ci\u00eancia, em Israel, reuniram-se para rever novas observa\u00e7\u00f5es realizadas e analisadas por Ping &#8211; um conjunto de cinco imagens, cada uma com a dura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios minutos. A primeira n\u00e3o mostrava nada, como se esperava, mas a segunda captava luz, seguida de um pico intensamente brilhante na imagem do meio que rapidamente desvaneceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ningu\u00e9m sabia o que dizer&#8221;, recorda Ho. &#8220;Nunca t\u00ednhamos visto nada assim antes &#8211; algo t\u00e3o r\u00e1pido e com um brilho t\u00e3o forte como o da explos\u00e3o original meses depois &#8211; em nenhuma supernova ou FBOT. Nunca t\u00ednhamos visto isso, ponto final, em astronomia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para aprofundar a investiga\u00e7\u00e3o sobre o abrupto aumento de brilho, os investigadores envolveram parceiros que contribu\u00edram com observa\u00e7\u00f5es de mais de uma d\u00fazia de outros telesc\u00f3pios, incluindo um equipado com uma c\u00e2mara de alta velocidade. A equipa passou a pente fino os dados anteriores e trabalhou para excluir outras poss\u00edveis fontes de luz. A sua an\u00e1lise acabou por confirmar pelo menos 14 impulsos de luz irregulares durante um per\u00edodo de 120 dias, provavelmente apenas uma fra\u00e7\u00e3o do n\u00famero total, disse Ho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Surpreendentemente, em vez de desvanecer de forma constante, como seria de esperar, a fonte voltou a brilhar por breves instantes &#8211; e de novo, e de novo&#8221;, disse. &#8220;Os LFBOTs j\u00e1 s\u00e3o uma esp\u00e9cie de evento estranho e ex\u00f3tico, por isso este foi ainda mais estranho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os processos exatos que estiveram em a\u00e7\u00e3o &#8211; talvez um buraco negro a canalizar jatos de material estelar para o exterior a uma velocidade pr\u00f3xima da da luz &#8211; continuam a ser estudados. Ho espera que a investiga\u00e7\u00e3o avance com objetivos de longa data para mapear como as propriedades das estrelas, em vida, podem prever a forma como v\u00e3o morrer e o tipo de cad\u00e1ver que produzem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso dos LFBOTs, a rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida ou um forte campo magn\u00e9tico s\u00e3o provavelmente componentes chave dos seus mecanismos de lan\u00e7amento, disse Ho. \u00c9 tamb\u00e9m poss\u00edvel que n\u00e3o sejam supernovas convencionais, mas sim desencadeadas pela fus\u00e3o de uma estrela com um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Poderemos estar a assistir a um canal completamente diferente para os cataclismos c\u00f3smicos&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As explos\u00f5es invulgares prometem dar uma nova vis\u00e3o dos ciclos de vida estelares, normalmente s\u00f3 vistos em instant\u00e2neos de diferentes fases &#8211; estrela, explos\u00e3o, remanescentes &#8211; e n\u00e3o como parte de um \u00fanico sistema, disse Ho. Os LFBOTs podem representar uma oportunidade para observar uma estrela no ato de transi\u00e7\u00e3o da vida para a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Porque o cad\u00e1ver n\u00e3o fica ali sem fazer nada, est\u00e1 ativo e a fazer coisas que podemos detetar&#8221;, disse Ho. &#8220;Pensamos que estas erup\u00e7\u00f5es podem estar a vir de um destes cad\u00e1veres rec\u00e9m-formados, o que nos d\u00e1 uma forma de estudar as suas propriedades depois da sua forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.cornell.edu\/stories\/2023\/11\/unprecedented-flares-stellar-corpse-shows-signs-life\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ice.csic.es\/news\/news-press-releases\/8-news\/427-a-stellar-corpse-shows-signs-of-life-through-unprecedented-flares\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ICE-CSIC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.swinburne.edu.au\/news\/2023\/11\/astronomers-baffled-by-repeat-explosions\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-06673-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.10195\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-023-03569-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/star-life-after-death-cosmic-flares-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/164305\/can-a-dead-star-keep-exploding\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/strange-explosion-captured-in-a-nearby-galaxy-wasnt-a-one-off\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-11-unprecedented-flares-stellar-corpse-life.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/energy-flares-space-star-corpse-black-hole-1843970\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2023\/11\/16\/world\/lfbot-tasmanian-devil-stellar-corpse-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/tasmanian-devil-star-energetic-flares-transients-1851027752\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AT2022tsd:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2022tsd\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transient Name Server<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LFBOT (Luminous Fast Blue Optical Transient):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_blue_optical_transient\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF (Zwicky Transient Facility):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ipac.caltech.edu\/project\/ztf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zwicky_Transient_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de AT2022tsd, uma explos\u00e3o numa gal\u00e1xia distante. 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