{"id":6479,"date":"2023-10-31T07:12:37","date_gmt":"2023-10-31T06:12:37","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6479"},"modified":"2023-10-31T07:12:38","modified_gmt":"2023-10-31T06:12:38","slug":"os-astronomos-encontram-nos-enxames-abertos-novas-pistas-para-a-formacao-e-evolucao-das-estrelas-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/31\/os-astronomos-encontram-nos-enxames-abertos-novas-pistas-para-a-formacao-e-evolucao-das-estrelas-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"Os astr\u00f3nomos encontram, nos enxames abertos, novas pistas para a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das estrelas na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/file-download\/download\/public\/9439\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6480\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/KbutgBYT_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O enxame aberto das Pl\u00eaiades (M45).<br>Cr\u00e9dito: Daniel L\u00f3pez\/Alfred Rosenberg (IAC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s estudos comparativos de uma amostra de quase 50 enxames abertos de diferentes idades na Via L\u00e1ctea, uma investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) e pela ULL (Universidad de La Laguna), com a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade Polit\u00e9cnica de Cartagena, mostra que, quando estes enxames estelares envelhecem, perdem a maioria dos seus membros menos massivos. Este resultado confirma que existem processos din\u00e2micos internos nos enxames abertos, causados pelas suas longas viagens atrav\u00e9s da Gal\u00e1xia, que provocam a expuls\u00e3o destas estrelas de baixa massa. O estudo, publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics, utilizou dados do sat\u00e9lite Gaia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um enxame aberto \u00e9 um grupo de estrelas que se formou a partir de uma \u00fanica nuvem molecular. Os exemplos mais conhecidos s\u00e3o as Pl\u00eaiades e as H\u00edades, que podem ser vistas a olho nu no c\u00e9u de inverno. Os enxames abertos s\u00e3o constitu\u00eddos por v\u00e1rias centenas a v\u00e1rios milhares de estrelas, que est\u00e3o ligadas entre si pela gravidade, embora menos fortemente do que os enxames globulares. Dado que todas as estrelas de um enxame t\u00eam a mesma origem, idade e composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, as suas propriedades s\u00e3o mais f\u00e1ceis de determinar do que as de estrelas isoladas, o que torna os enxames muito \u00fateis para o estudo da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas nos enxames abertos partilham tamb\u00e9m um movimento comum pelo espa\u00e7o, derivado do movimento da nuvem molecular a partir da qual se formaram. O estudo deste movimento permite \u00e0s equipas de investiga\u00e7\u00e3o distinguir as estrelas de um determinado enxame das estrelas que se encontram ao longo da mesma linha de vis\u00e3o, mas que n\u00e3o fazem parte do mesmo, e saber com seguran\u00e7a que nasceram ao mesmo tempo, que est\u00e3o a uma dist\u00e2ncia comum da Terra e que est\u00e3o relacionadas entre si como um grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de cientistas liderada pela investigadora do IAC, Maruska Zerjal, utilizou as \u00faltimas medi\u00e7\u00f5es do sat\u00e9lite Gaia da ESA para estudar os movimentos das estrelas que fazem parte de 50 enxames abertos a uma dist\u00e2ncia moderada do Sol. Ao escolher a amostra, a equipa estabeleceu um limite de dist\u00e2ncia de 1500 anos-luz e um limite de idade de 1000 milh\u00f5es de anos, o que \u00e9 4,6 vezes inferior \u00e0 idade do Sol. Dentro destes limites, foi poss\u00edvel detetar estrelas com pouca massa, menos de metade da massa do Sol, que s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de detetar do que estrelas mais massivas e brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estabelecemos um limite superior para a dist\u00e2ncia porque as estrelas de baixa massa s\u00e3o demasiado t\u00e9nues para serem observadas como objetos isolados quando est\u00e3o longe de n\u00f3s, e para a idade porque sabemos que em enxames muito antigos este tipo de estrelas \u00e9 quase indetet\u00e1vel. Concentr\u00e1mo-nos nas condi\u00e7\u00f5es em que podem ser detetadas e, desta forma, obtivemos informa\u00e7\u00f5es exatas sobre os diferentes tipos de estrelas que comp\u00f5em cada enxame&#8221;, explica a investigadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez identificados os enxames, a equipa classificou-os em tr\u00eas grupos e analisou a distribui\u00e7\u00e3o do brilho das estrelas que os comp\u00f5em. &#8220;Analis\u00e1mos tr\u00eas grupos de enxames abertos na nossa Gal\u00e1xia&#8221;, explica Nicolas Lodieu, investigador do IAC e coautor do estudo. &#8220;Usando o s\u00edmile das diferentes fases da vida de um ser humano, alguns enxames est\u00e3o na fase juvenil, outros s\u00e3o adolescentes e o terceiro grupo corresponde aos adultos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de analisar cada grupo, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o mostrou que nos enxames mais antigos estudados, entre 100 milh\u00f5es e 800 milh\u00f5es de anos, h\u00e1 uma perda constante das estrelas menos massivas. Os enxames mais jovens, por outro lado, apresentam todos uma distribui\u00e7\u00e3o estelar semelhante, com as mesmas propor\u00e7\u00f5es dos diferentes tipos de estrelas, desde as mais massivas e brilhantes \u00e0s menos massivas e mais fracas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrimos que as distribui\u00e7\u00f5es de luminosidade dos enxames jovens, com idades \u00e0 volta dos 50 milh\u00f5es de anos, s\u00e3o todas muito semelhantes. Mas as distribui\u00e7\u00f5es de luminosidade dos enxames mais antigos, como os Pl\u00eaiades e as H\u00edades, s\u00e3o mais diferentes&#8221;, explica Zerjal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a equipa, esta descoberta implica duas conclus\u00f5es importantes. Em primeiro lugar, a distribui\u00e7\u00e3o da massa das estrelas em enxames jovens parece ser um fen\u00f3meno universal. Em segundo lugar, nos enxames abertos existem processos din\u00e2micos internos devido \u00e0s suas longas viagens atrav\u00e9s da Gal\u00e1xia, que os levam a perder estrelas de baixa massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c0 medida que os enxames abertos envelhecem, sofrem intera\u00e7\u00f5es durante a sua viagem pela Gal\u00e1xia, quer entre as estrelas do enxame, quer com nuvens moleculares ou com outros enxames. Como as estrelas n\u00e3o est\u00e3o suficientemente unidas pela sua gravidade m\u00fatua, estes encontros tendem a dispersar as estrelas menos massivas do enxame&#8221;, explica Lodieu em pormenor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos pr\u00f3ximos anos, a equipa planeia estudar novos candidatos. &#8220;Embora pare\u00e7a que a distribui\u00e7\u00e3o inicial das estrelas \u00e9 um fen\u00f3meno uniforme, teremos de investigar mais para obter evid\u00eancias mais s\u00f3lidas da exist\u00eancia destes efeitos din\u00e2micos&#8221;, acrescenta Zerjal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cat\u00e1logo dos enxames analisados est\u00e1 dispon\u00edvel no arquivo astron\u00f3mico p\u00fablico do CDS (Centre de Donn\u00e9es astronomiques de Strasbourg). Al\u00e9m disso, para tornar os resultados ainda mais acess\u00edveis a um p\u00fablico mais vasto, a equipa desenvolveu um website interativo com todos os enxames e as estrelas que os comp\u00f5em. &#8220;O objetivo deste site \u00e9 facilitar novas descobertas entre profissionais e amadores, mas tamb\u00e9m encorajar os estudantes a explorar, descobrir e aprender, inspirando uma nova gera\u00e7\u00e3o de astr\u00f3nomos&#8221; conclui Lodieu, que \u00e9 o investigador principal deste projeto, que foi financiado pelo Governo das Can\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/es\/divulgacion\/noticias\/descubren-en-cumulos-abiertos-nuevas-pistas-sobre-la-formacion-y-evolucion-estelar-de-nuestra-galaxia\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2023\/10\/aa45920-23\/aa45920-23.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2309.10862\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames abertos:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Open_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/focused-product-release\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (arquivo)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr-papers\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (artigos)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr-stories\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (hist\u00f3rias)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enxame aberto das Pl\u00eaiades (M45).Cr\u00e9dito: Daniel L\u00f3pez\/Alfred Rosenberg (IAC) Ap\u00f3s estudos comparativos de uma amostra de quase 50 enxames abertos de diferentes idades na Via L\u00e1ctea, uma investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) e pela ULL (Universidad de La Laguna), com a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade Polit\u00e9cnica de Cartagena, mostra que, quando &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6480,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[1093,311],"class_list":["post-6479","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-enxames-abertos","tag-gaia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6479"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6481,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6479\/revisions\/6481"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}