{"id":6476,"date":"2023-10-31T07:10:49","date_gmt":"2023-10-31T06:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6476"},"modified":"2023-10-31T07:10:49","modified_gmt":"2023-10-31T06:10:49","slug":"ultracompacto-o-buraco-negro-no-centro-da-nossa-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/31\/ultracompacto-o-buraco-negro-no-centro-da-nossa-via-lactea\/","title":{"rendered":"Ultracompacto: o buraco negro no centro da nossa Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1007\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o-1007x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6477\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o-1007x1024.jpg 1007w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o-295x300.jpg 295w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o-768x781.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/37PQmKLH_o.jpg 1149w\" sizes=\"auto, (max-width: 1007px) 100vw, 1007px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra o movimento, no c\u00e9u, dos surtos a partir de um ajuste combinado dos dados astrom\u00e9tricos, tendo em conta as restri\u00e7\u00f5es dos dados de polarimetria. As cores indicam a progress\u00e3o da \u00f3rbita da explos\u00e3o ao longo do tempo. A imagem de fundo \u00e9 uma imagem simulada do buraco negro no centro da nossa Via L\u00e1ctea, com o c\u00edrculo a indicar o tamanho da sombra do buraco negro.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De vez em quando, v\u00ea-se g\u00e1s luminoso a rodopiar em torno de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro no centro da Via L\u00e1ctea. Agora, os astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre conseguiram medir a massa do buraco negro a partir deste movimento &#8211; e corresponde perfeitamente \u00e0 medi\u00e7\u00e3o distinguida com o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica em 2020, que tem vindo a ser aperfei\u00e7oada desde ent\u00e3o. A conclus\u00e3o: os 4,3 milh\u00f5es de massas solares est\u00e3o contidos numa \u00f3rbita mais pequena do que a de V\u00e9nus em torno do Sol. Uma concentra\u00e7\u00e3o de massa verdadeiramente espantosa!<\/p>\n\n\n\n<p>No centro da nossa Via L\u00e1ctea existe um buraco negro com 4,3 milh\u00f5es de massas solares &#8211; v\u00e1rias equipas estabeleceram este facto sem qualquer d\u00favida razo\u00e1vel ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. Em 2020, esta descoberta foi at\u00e9 distinguida com o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica para o diretor do Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre, Reinhard Genzel. Desde ent\u00e3o, a investiga\u00e7\u00e3o tem-se centrado na utiliza\u00e7\u00e3o do Centro Gal\u00e1ctico como laborat\u00f3rio para testar a teoria da relatividade geral no fort\u00edssimo campo gravitacional perto deste buraco negro &#8211; e para determinar as suas propriedades com elevada precis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa do Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre utilizou agora o GRAVITY, um instrumento para o infravermelho pr\u00f3ximo acoplado ao VLTI (Very Large Telescope Interferometer) do ESO, para monitorizar de perto a emiss\u00e3o da regi\u00e3o em torno do buraco negro e procurar estados extremamente brilhantes: as erup\u00e7\u00f5es ou surtos. Estas erup\u00e7\u00f5es ocorrem uma ou duas vezes por dia e a emiss\u00e3o torna-se suficientemente brilhante para que seja poss\u00edvel seguir o movimento do g\u00e1s circundante. A equipa analisou os surtos observados durante 2018, 2021 e 2022, para as quais o GRAVITY forneceu simultaneamente medi\u00e7\u00f5es de posi\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este conjunto combinado de dados permitiu \u00e0 equipa determinar com grande precis\u00e3o que a massa do buraco negro \u00e9 de 4,297 milh\u00f5es de massas solares, uma restri\u00e7\u00e3o forte e independente das medi\u00e7\u00f5es anteriores. Os novos dados mostram tamb\u00e9m que a massa tem de estar encerrada no raio das erup\u00e7\u00f5es, cerca de nove raios gravitacionais, menor do que o raio orbital do planeta V\u00e9nus em torno do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A massa que deriv\u00e1mos agora das erup\u00e7\u00f5es a apenas alguns raios gravitacionais \u00e9 compat\u00edvel com o valor medido a partir das \u00f3rbitas das estrelas a v\u00e1rios milhares de raios gravitacionais&#8221;, sublinha Diogo Ribeiro, respons\u00e1vel pela modela\u00e7\u00e3o te\u00f3rica no Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre. &#8220;Isto refor\u00e7a a hip\u00f3tese de um \u00fanico buraco negro no centro da Via L\u00e1ctea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo do movimento deste g\u00e1s em \u00f3rbita pode tamb\u00e9m lan\u00e7ar luz sobre a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o das estruturas no Centro Gal\u00e1ctico. A orienta\u00e7\u00e3o das \u00f3rbitas dos surtos \u00e9 pr\u00f3xima da de um disco estelar observado a 100.000 raios gravitacionais, sugerindo uma liga\u00e7\u00e3o f\u00edsica. &#8220;\u00c9 \u00f3timo ver o comportamento repetido e semelhante dos surtos&#8221;, salienta Antonia Drescher, que analisou as medi\u00e7\u00f5es polarim\u00e9tricas. &#8220;Todas elas mostram um movimento circular no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio no c\u00e9u; todas t\u00eam um raio semelhante e um per\u00edodo orbital semelhante. Isto \u00e9 realmente bonito de se ver&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ventos fortes das estrelas mais distantes provavelmente alimentam o fluxo gasoso de acre\u00e7\u00e3o, que transporta o momento angular inicial para escalas perto do horizonte de eventos. &#8220;A quantidade de informa\u00e7\u00e3o proveniente da polariza\u00e7\u00e3o foi extremamente frut\u00edfera e aprendemos muito sobre a f\u00edsica na regi\u00e3o do Centro Gal\u00e1ctico a partir do conjunto de dados&#8221;, acrescenta Ribeiro. A din\u00e2mica das explos\u00f5es pode at\u00e9 conter informa\u00e7\u00e3o sobre a rota\u00e7\u00e3o do buraco negro &#8211; uma quest\u00e3o atualmente em aberto.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/7968905\/news20231025\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2023\/09\/aa47416-23\/aa47416-23.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2307.11821\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Centro Gal\u00e1ctico:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_Center\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ccvalg.pt\/astronomia\/galaxias\/via_lactea.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CCVAlg &#8211; Astronomia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/telescopes\/vlti.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">VLTI (ESO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/instruments\/gravity.html#par_title\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GRAVITY (ESO)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra o movimento, no c\u00e9u, dos surtos a partir de um ajuste combinado dos dados astrom\u00e9tricos, tendo em conta as restri\u00e7\u00f5es dos dados de polarimetria. 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