{"id":6470,"date":"2023-10-27T06:36:06","date_gmt":"2023-10-27T05:36:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6470"},"modified":"2023-10-27T06:36:07","modified_gmt":"2023-10-27T05:36:07","slug":"resolvido-um-misterio-do-nucleo-marciano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/27\/resolvido-um-misterio-do-nucleo-marciano\/","title":{"rendered":"Resolvido um mist\u00e9rio do n\u00facleo marciano"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2023\/10\/mystery-of-the-martian-resolved\/_jcr_content\/articleLeadImage\/image.imageformat.carousel.2021231784.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"510\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o-1024x510.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6471\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o-1024x510.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o-768x383.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/pRScbMgn_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A an\u00e1lise dos dados s\u00edsmicos marcianos registados pela miss\u00e3o InSight revelou que o n\u00facleo de ferro l\u00edquido de Marte est\u00e1 rodeado por uma camada de silicato fundido com 150 km de espessura, o que faz com que o seu n\u00facleo seja mais pequeno e mais denso do que o anteriormente proposto.<br>Cr\u00e9dito: Thibaut Roger, NCCR PlanetS\/ETH Zurique<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00facleo de ferro l\u00edquido de Marte \u00e9 mais pequeno e mais denso do que se pensava. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 mais pequeno, como tamb\u00e9m est\u00e1 rodeado por uma camada de rocha fundida. \u00c9 o que concluem os investigadores da ETH Zurique, com base em dados s\u00edsmicos do m\u00f3dulo InSight.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante quatro anos, o &#8220;lander&#8221; InSight da NASA registou sismos em Marte com o seu sism\u00f3metro. Os investigadores da ETH Zurique recolheram e analisaram os dados transmitidos para a Terra para determinar a estrutura interna do planeta. &#8220;Embora a miss\u00e3o tenha terminado em dezembro de 2022, descobrimos agora algo muito interessante&#8221;, diz Amir Khan, cientista s\u00e9nior do Departamento de Ci\u00eancias da Terra da ETH Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e1lise dos sismos registados, combinada com simula\u00e7\u00f5es em computador, tra\u00e7a uma nova imagem do interior do planeta. Entre o n\u00facleo de ferro l\u00edquido de Marte e o seu manto s\u00f3lido de silicato encontra-se uma camada de silicato l\u00edquido (magma) com cerca de 150 quil\u00f3metros de espessura. &#8220;A Terra n\u00e3o tem uma camada de silicato completamente fundida como esta&#8221;, diz Khan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta, agora publicada na revista cient\u00edfica Nature, juntamente com um estudo liderado por Henri Samuel, do Instituto de F\u00edsica do Globo de Paris, Fran\u00e7a, que chega a uma conclus\u00e3o semelhante usando m\u00e9todos complementares, tamb\u00e9m fornece novas informa\u00e7\u00f5es sobre o tamanho e a composi\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de Marte, resolvendo um mist\u00e9rio que os investigadores n\u00e3o conseguiram explicar at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e1lise dos sismos inicialmente observados mostrou que a densidade m\u00e9dia do n\u00facleo marciano tinha de ser significativamente mais baixa do que a do ferro l\u00edquido puro. O n\u00facleo da Terra, por exemplo, \u00e9 constitu\u00eddo por cerca de 90% de ferro. Elementos leves como o enxofre, o carbono, o oxig\u00e9nio e o hidrog\u00e9nio perfazem um total combinado de cerca de 10%. As estimativas iniciais da densidade do n\u00facleo marciano mostraram que este \u00e9 composto por uma percentagem muito maior de elementos leves &#8211; cerca de 20%. &#8220;Isto representa um complemento muito grande de elementos leves, quase imposs\u00edvel. Desde ent\u00e3o, temos vindo a questionar este resultado&#8221;, afirma Dongyang Huang, investigador p\u00f3s-doutorado no Departamento de Ci\u00eancias da Terra da ETH Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Menos elementos leves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas observa\u00e7\u00f5es mostram que o raio do n\u00facleo marciano diminuiu do intervalo inicialmente determinado de 1800-1850 quil\u00f3metros para algures entre 1650-1700 quil\u00f3metros, o que corresponde a cerca de 50% do raio de Marte. Se o n\u00facleo marciano \u00e9 mais pequeno do que se pensava, mas tem a mesma massa, a sua densidade \u00e9 maior e, por isso, cont\u00e9m menos elementos leves. De acordo com os novos c\u00e1lculos, a propor\u00e7\u00e3o de elementos leves desceu para 9 a 14%. &#8220;Isto significa que a densidade m\u00e9dia do n\u00facleo marciano ainda \u00e9 um pouco baixa, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 inexplic\u00e1vel no contexto de cen\u00e1rios t\u00edpicos de forma\u00e7\u00e3o de planetas&#8221;, diz Paolo Sossi, professor assistente no Departamento de Ci\u00eancias da Terra da ETH Zurique e membro do NCCRs (National Centres of Competence in Research) PlanetS. O facto de o n\u00facleo marciano conter uma quantidade significativa de elementos leves indica que deve ter sido formado muito cedo, possivelmente quando o Sol ainda estava rodeado pelo g\u00e1s da nebulosa solar, a partir do qual os elementos leves se poderiam ter acumulado no n\u00facleo marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os c\u00e1lculos iniciais baseavam-se em sismos que tinham ocorrido nas proximidades do m\u00f3dulo de aterragem InSight. No entanto, em agosto e setembro de 2021, o sism\u00f3metro registou dois tremores no lado oposto de Marte. Um deles foi causado pelo impacto de um meteorito. &#8220;Estes tremores produziram ondas s\u00edsmicas que atravessaram o n\u00facleo&#8221;, explica Cecilia Duran, estudante de doutoramento no Departamento de Ci\u00eancias da Terra da ETH Zurique. &#8220;Isto permitiu-nos iluminar o n\u00facleo&#8221;. No caso dos sismos anteriores, em contraste, as ondas eram refletidas na fronteira entre o n\u00facleo e o manto, n\u00e3o fornecendo qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o interior mais profundo do Planeta Vermelho. Como resultado destas novas observa\u00e7\u00f5es, os investigadores conseguiram agora determinar a densidade e a velocidade das ondas s\u00edsmicas do n\u00facleo l\u00edquido at\u00e9 uma profundidade de cerca de 1000 quil\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Simula\u00e7\u00f5es em supercomputador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para inferir a composi\u00e7\u00e3o do material a partir destes perfis, os investigadores comparam normalmente os dados com os de ligas sint\u00e9ticas de ferro contendo diferentes propor\u00e7\u00f5es de elementos leves (S, C, O e H). No laborat\u00f3rio, estas ligas s\u00e3o expostas a altas temperaturas e press\u00f5es equivalentes \u00e0s encontradas no interior de Marte, permitindo aos investigadores medir diretamente a densidade e a velocidade das ondas s\u00edsmicas. De momento, no entanto, a maioria das experi\u00eancias s\u00e3o realizadas em condi\u00e7\u00f5es prevalentes no interior da Terra e, por isso, n\u00e3o s\u00e3o imediatamente aplic\u00e1veis a Marte. Consequentemente, os investigadores da ETH Zurique recorreram a um m\u00e9todo diferente. Calcularam as propriedades de uma grande variedade de ligas atrav\u00e9s de c\u00e1lculos qu\u00e2ntico-mec\u00e2nicos, efetuados no CSCS (Centro Svizzero di Calcolo Scientifico) em Lugano, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os investigadores compararam os perfis calculados com as suas medi\u00e7\u00f5es baseadas nos dados s\u00edsmicos do InSight, depararam-se com um problema. Verificou-se que nenhuma liga de ferro e elementos leves correspondia simultaneamente aos dados, tanto no topo como no centro do n\u00facleo marciano. No limite entre o n\u00facleo e o manto, por exemplo, a liga de ferro teria de conter muito mais carbono do que no interior do n\u00facleo. &#8220;Demor\u00e1mos algum tempo a perceber que a regi\u00e3o que t\u00ednhamos anteriormente considerado como o n\u00facleo de ferro l\u00edquido exterior n\u00e3o era afinal o n\u00facleo, mas a parte mais profunda do manto&#8221;, explica Huang. Em apoio a isto, os investigadores descobriram tamb\u00e9m que a densidade e a velocidade das ondas s\u00edsmicas medidas e calculadas nos 150 quil\u00f3metros mais exteriores do n\u00facleo eram consistentes com as dos silicatos l\u00edquidos &#8211; o mesmo material, em forma s\u00f3lida, de que \u00e9 composto o manto marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novas an\u00e1lises de sismos anteriores e simula\u00e7\u00f5es computacionais adicionais confirmaram este resultado. S\u00f3 \u00e9 de lamentar que os pain\u00e9is solares empoeirados e a consequente falta de energia tenham impossibilitado o m\u00f3dulo de aterragem InSight de fornecer dados adicionais que poderiam ter lan\u00e7ado mais luz sobre a composi\u00e7\u00e3o e sobre a estrutura do interior de Marte. &#8220;No entanto, o InSight foi uma miss\u00e3o muito bem-sucedida, que nos forneceu muitos dados novos e conhecimentos que ser\u00e3o analisados nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, afirma Khan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2023\/10\/mystery-of-the-martian-resolved.html\" target=\"_blank\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/u-paris.fr\/la-mission-insight-revele-une-couche-fondue-a-la-base-du-manteau-martien\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Paris (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-06586-4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-06601-8\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1005867\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-10-mars-liquid-iron-core-smaller.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/quakes-on-mars-reveal-we-were-wrong-about-its-core\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/technology\/space\/scientists-identify-molten-layer-deep-within-interior-mars-2023-10-25\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reuters<\/a><br><a href=\"https:\/\/arstechnica.com\/science\/2023\/10\/mars-hides-a-core-of-molten-iron-deep-inside\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ars Technica<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.engadget.com\/mars-core-looks-bigger-than-it-is-because-its-wrapped-in-radioactive-magma-211359695.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">engadget<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise dos dados s\u00edsmicos marcianos registados pela miss\u00e3o InSight revelou que o n\u00facleo de ferro l\u00edquido de Marte est\u00e1 rodeado por uma camada de silicato fundido com 150 km de espessura, o que faz com que o seu n\u00facleo seja mais pequeno e mais denso do que o anteriormente proposto.Cr\u00e9dito: Thibaut Roger, NCCR PlanetS\/ETH &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6471,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[344,4],"class_list":["post-6470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-insight","tag-marte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6470"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6472,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6470\/revisions\/6472"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}