{"id":6462,"date":"2023-10-24T06:20:09","date_gmt":"2023-10-24T05:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6462"},"modified":"2023-10-24T06:20:10","modified_gmt":"2023-10-24T05:20:10","slug":"astronomos-detetam-a-explosao-de-radio-rapida-mais-distante-encontrada-ate-a-data","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/24\/astronomos-detetam-a-explosao-de-radio-rapida-mais-distante-encontrada-ate-a-data\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos detetam a explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida mais distante encontrada at\u00e9 \u00e0 data"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso2317a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"648\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dOLP0leF_o-1024x648.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6463\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dOLP0leF_o-1024x648.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dOLP0leF_o-300x190.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dOLP0leF_o-768x486.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dOLP0leF_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica (que n\u00e3o se encontra \u00e0 escala) ilustra o percurso da explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida FRB 20220610A, desde a gal\u00e1xia distante onde teve origem at\u00e9 \u00e0 Terra, num dos bra\u00e7os em espiral da Via L\u00e1ctea. A gal\u00e1xia fonte de FRB 20220610A, localizada gra\u00e7as ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, parece fazer parte de um pequeno grupo de gal\u00e1xias em intera\u00e7\u00e3o. Esta gal\u00e1xia est\u00e1 t\u00e3o longe de n\u00f3s que a sua luz demorou 8 mil milh\u00f5es de anos a chegar \u00e0 Terra, o que faz de FRB 20220610A a explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida mais distante encontrada at\u00e9 \u00e0 data.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos detetou uma explos\u00e3o de ondas r\u00e1dio c\u00f3smicas remota que durou menos de um milissegundo. Esta FRB (Fast Radio Burst, em portugu\u00eas &#8220;explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida&#8221;) \u00e9 a mais distante descoberta at\u00e9 \u00e0 data. A sua fonte foi localizada pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO numa gal\u00e1xia t\u00e3o distante que a sua luz demorou 8 mil milh\u00f5es de anos a chegar at\u00e9 n\u00f3s. Esta explos\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma das mais energ\u00e9ticas alguma vez observada; numa pequena fra\u00e7\u00e3o de segundo foi libertado o equivalente \u00e0 emiss\u00e3o total do nosso Sol em 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta da explos\u00e3o, denominada FRB 20220610A, foi feita em junho do ano passado pelo radiotelesc\u00f3pio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) na Austr\u00e1lia e bateu o anterior recorde de dist\u00e2ncia da equipa em 50%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Usando a rede de antenas parab\u00f3licas do ASKAP, conseguimos determinar com precis\u00e3o de onde veio a explos\u00e3o&#8221;, disse Stuart Ryder, astr\u00f3nomo da Universidade Macquarie, na Austr\u00e1lia, e coautor principal do estudo publicado na revista Science. &#8220;Depois us\u00e1mos [o VLT do ESO], no Chile, para procurar a gal\u00e1xia de origem, descobrindo que esta \u00e9 mais antiga e mais distante do que qualquer outra fonte de FRB encontrada at\u00e9 \u00e0 data e que, provavelmente, faz parte de um pequeno grupo de gal\u00e1xias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta confirma que as FRBs podem ser usadas para medir a mat\u00e9ria &#8220;em falta&#8221; entre as gal\u00e1xias, dando-nos assim uma nova forma de &#8220;pesar&#8221; o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os atuais m\u00e9todos para estimar a massa do Universo est\u00e3o a dar respostas contradit\u00f3rias e a p\u00f4r em causa o modelo padr\u00e3o da cosmologia. &#8220;Se contarmos a quantidade de mat\u00e9ria normal no Universo, ou seja, os \u00e1tomos que nos constituem, verificamos que falta mais de metade do que deveria existir atualmente&#8221;, diz Ryan Shannon, professor da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austr\u00e1lia, que tamb\u00e9m coliderou o estudo. &#8220;Pensa-se que a mat\u00e9ria em falta est\u00e1 escondida no espa\u00e7o entre as gal\u00e1xias, mas pode estar t\u00e3o quente e difusa que se torna imposs\u00edvel v\u00ea-la utilizando t\u00e9cnicas normais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As explos\u00f5es de r\u00e1dio r\u00e1pidas detetam este material ionizado. Mesmo no espa\u00e7o que est\u00e1 praticamente vazio, estes eventos conseguem &#8216;ver&#8217; todos os eletr\u00f5es, o que nos permite medir a quantidade de mat\u00e9ria existente entre as gal\u00e1xias&#8221;, explica Shannon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrar FRBs distantes \u00e9 fundamental para medir com precis\u00e3o a mat\u00e9ria em falta no Universo, como demonstrou o falecido astr\u00f3nomo australiano Jean-Pierre (&#8220;J-P&#8221;) Macquart em 2020. &#8220;J-P mostrou que quanto mais distante se encontrar uma explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida, mais g\u00e1s difuso revelar\u00e1 entre as gal\u00e1xias. Este facto \u00e9 agora conhecido como a rela\u00e7\u00e3o de Macquart. Algumas FRBs recentes parecem quebrar esta rela\u00e7\u00e3o. As nossas medi\u00e7\u00f5es confirmam que a rela\u00e7\u00e3o de Macquart se mant\u00e9m para al\u00e9m de metade do Universo conhecido&#8221;, diz Ryder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora n\u00e3o saibamos ainda o que causa estas enormes explos\u00f5es de energia, este trabalho confirma que as explos\u00f5es de r\u00e1dio r\u00e1pidas s\u00e3o acontecimentos comuns no cosmos e que poderemos us\u00e1-las para detetar mat\u00e9ria entre as gal\u00e1xias e assim compreender melhor a estrutura do Universo&#8221;, afirma Shannon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado representa o limite do que \u00e9 poss\u00edvel obter com os atuais telesc\u00f3pios, no entanto os astr\u00f3nomos em breve dispor\u00e3o de instrumentos para detetar explos\u00f5es ainda mais antigas e distantes, identificar as gal\u00e1xias de origem e medir a mat\u00e9ria em falta no Universo. A organiza\u00e7\u00e3o internacional SKAO (Square Kilometre Array Observatory) est\u00e1 atualmente a construir dois radiotelesc\u00f3pios, na \u00c1frica do Sul e na Austr\u00e1lia, que ser\u00e3o capazes de encontrar milhares de FRBs, incluindo as muito distantes que n\u00e3o conseguimos detetar com as infraestruturas atuais. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, um telesc\u00f3pio de 39 metros que est\u00e1 a ser constru\u00eddo no deserto chileno do Atacama, ser\u00e1 um dos poucos telesc\u00f3pios capazes de estudar as gal\u00e1xias de origem de explos\u00f5es ainda mais distantes do que FRB 20220610A.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2317\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.skao.int\/en\/news\/490\/record-breaking-FRB\" target=\"_blank\">\/\/ SKAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucsc.edu\/2023\/10\/distant-radio-burst.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa Cruz (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/lighthouse.mq.edu.au\/for-media\/record-breaking-fast-radio-burst-offers-path-to-weigh-the-universe\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Macquarie (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.swinburne.edu.au\/news\/2023\/10\/we-traced-a-powerful-radio-signal-to-the-most-distant-source-yet-a-galaxy-billions-of-lightyears-away\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/abs\/10.1126\/science.adf2678\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2210.04680\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-023-03264-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/radio-burst-breaks-distance-record-challenges-theories\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1004649\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/scientists-detect-most-ancient-and-distant-fast-radio-burst-to-date\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/record-breaking-radio-burst-help-find-universe-missing-matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/unusually-bright-radio-burst-from-deep-in-space-cant-be-explained-by-current-theories\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/oldest-fast-radio-burst-8-billion-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2023\/10\/231019151830.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2398539-a-blast-of-radio-waves-hit-earth-after-travelling-for-8-billion-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-10-astronomers-distant-fast-radio-date.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/astronomers-detect-mysterious-space-signal-8-billion-light-years-away-1836082\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2023\/10\/19\/30-years-of-sunshine-in-one-millisecond-most-distant-ever-cosmic-radio-blast-found\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2023\/10\/19\/world\/distant-ancient-fast-radio-burst-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.sky.com\/story\/fast-radio-burst-astronomers-spot-most-distant-cosmic-phenomenon-detected-so-far-in-distant-galaxy-12987810\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky News<\/a><br><a href=\"https:\/\/tek.sapo.pt\/noticias\/ciencia\/artigos\/detetada-explosao-de-radio-rapida-recorde-descoberta-pode-ajudar-a-pesar-o-universo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SAPO<\/a><br><a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/uma-explosao-de-ondas-de-radio-atingiu-a-terra-depois-de-viajar-8-mil-milhoes-de-anos-562992\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZAP.aeiou<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FRB (Fast Radio Burst, em portugu\u00eas &#8220;explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astronomy.swin.edu.au\/pulsar\/frbcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de FRBs (Universidade Swinburne)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.atnf.csiro.au\/projects\/askap\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CSIRO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Australian_Square_Kilometre_Array_Pathfinder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ELT (Extremely Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/e-elt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/eelt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_Extremely_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem art\u00edstica (que n\u00e3o se encontra \u00e0 escala) ilustra o percurso da explos\u00e3o de r\u00e1dio r\u00e1pida FRB 20220610A, desde a gal\u00e1xia distante onde teve origem at\u00e9 \u00e0 Terra, num dos bra\u00e7os em espiral da Via L\u00e1ctea. 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