{"id":646,"date":"2004-04-20T09:26:29","date_gmt":"2004-04-20T09:26:29","guid":{"rendered":"http:\/\/themes.tielabs.com\/sahifa5\/?p=25"},"modified":"2017-01-29T10:32:01","modified_gmt":"2017-01-29T10:32:01","slug":"planeta-descoberto-atraves-de-microlentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/04\/20\/planeta-descoberto-atraves-de-microlentes\/","title":{"rendered":"Planeta descoberto atrav\u00e9s de microlentes"},"content":{"rendered":"<span class=\"dropcap \">D<\/span>epois de anos de intensos esfor\u00e7os e resultados question\u00e1veis, os astr\u00f3nomos anunciaram a primeira detec\u00e7\u00e3o de um planeta extra-solar atrav\u00e9s de uma t\u00e9cnica completamente nova. Duas grandes equipas trabalhando juntas no Hemisf\u00e9rio Sul anunciaram a descoberta de um planeta com a massa de J\u00fapiter orbitando uma estrela an\u00e3 vermelha a 10,000-15,000 anos-luz de dist\u00e2ncia. Fizeram-no detectando os ligeiros puxos gravitacionais que a estrela e o seu planeta exerciam na luz que vinha de uma estrela de fundo ainda mais distante.<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante quase duas d\u00e9cadas, os astr\u00f3nomos t\u00eam-se intrigado pelo que conseguiriam aprender de tais microlentes gravitacionais &#8212; a distor\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da imagem de uma estrela pela gravidade de um objecto a passar quase \u00e0 sua frente. Para isto acontecer, no entanto, o objecto interveniente ter\u00e1 que passar extremamente perto da nossa linha de vis\u00e3o da estrela, e isto acontece muito raramente. Mas a monitoriza\u00e7\u00e3o computorizada de milh\u00f5es de t\u00e9nues estrelas atingiu o improv\u00e1vel ao encontrar estes raros eventos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma das pesquisas de microlentes com mais sucesso tem o nome OGLE. A sua vers\u00e3o actual, OGLE-III, no observat\u00f3rio Campanas no Chile, est\u00e1 a tirar fotos e a medir 200 milh\u00f5es de estrelas no centro da Via L\u00e1ctea mais ou menos em cada 2 dias. Esta gigantesca quantidade de dados tem sido um tesouro de estrelas vari\u00e1veis para os cientistas e astr\u00f3nomos \u00e0 procura de objectos que diminuem a luz de uma estrela ao passar directamente \u00e0 sua frente. E tal como esperado, o esfor\u00e7o tem relevado muitos casos de microlentes estelares.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desde 1993, pesquisas deste tipo registaram quase 2,000 microlentes de uma estrela por outra na direc\u00e7\u00e3o do centro da Via L\u00e1ctea. Cerca de 50 destes eventos t\u00eam mostrado complexos efeitos de lentes duplas causados por um objecto bin\u00e1rio. Um extraordin\u00e1rio evento bin\u00e1rio, visto nos passados meses de Julho e Agosto, mostraram uma rela\u00e7\u00e3o entre a massa do par de cerca de 250 para 1 &#8212; o que significa que o mais leve dos dois tem que ser um planeta.<\/p>\n<p align=\"justify\">O evento (chamado 02345\/M53) foi detectado independentemente pelo OGLE-III e pelo projecto similar MOA no Observat\u00f3rio Monte John na Nova Zel\u00e2ndia. Os dois n\u00e3o s\u00f3 confirmaram as detec\u00e7\u00f5es um do outro como tamb\u00e9m preencheram os lapsos de dados de cada projecto.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;No passado tem havido v\u00e1rios casos de falsos alarmes&#8221; acerca de planetas de microlentes, disse o membro da equipa Bohdan Paczynsiki (Princeton). Mas desta vez, acrescentou, &#8220;estamos bastante confiantes que desta vez \u00e9 que \u00e9.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrela de fundo cuja luz ficou ampliada era uma comum estrela do tipo G, brilhando com uma t\u00e9nue magnitude 20 no fundo dos enxames do centro da Via L\u00e1ctea. A estrela que actuava como lente entre n\u00f3s e a \u00faltima era provavelmente uma an\u00e3 vermelha do tipo M com cerca de um ter\u00e7o da massa do Sol. Isto daria ao seu companheiro uma massa entre 1 e 1.5 vezes a massa de J\u00fapiter e faria o planeta estar a 2 ou 3 unidades astron\u00f3micas da estrela.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outra possibilidade \u00e9 a estrela ser uma an\u00e3 branca com cerca de 0.6 vezes a massa do Sol. Isto faz com que o planeta tenha 2.5 vezes a massa de J\u00fapiter.<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrela a actuar como lente na realidade n\u00e3o pode ser vista; encontra-se enterrada no brilho da estrela de fundo mais brilhante. Mas os astr\u00f3nomos estimam que dentro de 10 anos, o seu movimento ir\u00e1 afast\u00e1-la o suficiente para os telesc\u00f3pios conseguirem observ\u00e1-la e estud\u00e1-la directamente. O seu planeta, no entanto, est\u00e1 de todo fora de quest\u00e3o ser detectado outra vez &#8212; um distinto passo atr\u00e1s no m\u00e9todo de microlentes para encontrar exo-planetas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O facto de ter sido encontrado um evento deste tipo de entre t\u00e3o vasta pesquisa n\u00e3o significa que estes &#8220;J\u00fapiteres&#8221; sejam raros, disse Paczynski. O alinhamento de todas as pe\u00e7as do puzzle t\u00eam de estar de tal modo bem colocados que encontrar s\u00f3 um evento deste tipo at\u00e9 agora \u00e9 consistente com o facto de estes J\u00fapiteres serem na realidade muito comuns.<\/p>\n<p align=\"justify\">Paczynski e Ian A. Bond (Instituto para a Astronomia, Edimburgo), o autor principal do trabalho do grupo, dizem que est\u00e3o confiantes que estas buscas de microlentes encontrem e caracterizem mais exoplanetas dentro em breve. A chave, no entanto, ser\u00e1 a monitoriza\u00e7\u00e3o intensa quando tal evento promissor come\u00e7ar. Amadores bem equipados, refor\u00e7am, podem providenciar ajuda crucial para este estudo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O aspecto mais excitante deste m\u00e9todo \u00e9 que poder\u00e1 encontrar as primeiras exo-Terras. Diz Bond, &#8220;o \u00fanico ponto forte das microlentes \u00e9 a habilidade de detectar planetas com pequenas massas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de anos de intensos esfor\u00e7os e resultados question\u00e1veis, os astr\u00f3nomos anunciaram a primeira detec\u00e7\u00e3o de um planeta extra-solar atrav\u00e9s de uma t\u00e9cnica completamente nova. 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