{"id":6447,"date":"2023-10-17T06:23:01","date_gmt":"2023-10-17T05:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6447"},"modified":"2023-10-17T06:23:01","modified_gmt":"2023-10-17T05:23:01","slug":"jwst-desvenda-as-estrelas-mais-pequenas-da-nossa-galaxia-e-ajuda-a-resolver-misterio-dos-enxames","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/17\/jwst-desvenda-as-estrelas-mais-pequenas-da-nossa-galaxia-e-ajuda-a-resolver-misterio-dos-enxames\/","title":{"rendered":"JWST desvenda as estrelas mais pequenas da nossa Gal\u00e1xia e ajuda a resolver mist\u00e9rio dos enxames"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01GQQ7RNRVTEKNP3YDXGTASRSJ.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"447\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/RUSkcyBN_o-1024x447.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6448\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/RUSkcyBN_o-1024x447.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/RUSkcyBN_o-300x131.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/RUSkcyBN_o-768x335.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/RUSkcyBN_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do enxame globular Messier 92 (M92) captada pelo instrumento NIRCam do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb. A faixa preta no centro \u00e9 o resultado da separa\u00e7\u00e3o entre os dois detetores de longo comprimento de onda do NIRCam.Cobre o centro denso do enxame, que \u00e9 demasiado brilhante para ser captado ao mesmo tempo que os arredores mais fracos e menos densos do enxame. A imagem abrange cerca de 5 minutos de arco (39 anos-luz).<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Alyssa Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Utilizando observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST), uma equipa internacional de astr\u00f3nomos liderada por Tuila Ziliotto, estudante de doutoramento na Universidade de P\u00e1dua, analisou as estrelas mais pequenas do antigo enxame globular M92.<\/p>\n\n\n\n<p>Como blocos de constru\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, os enxames de estrelas desempenham um papel fundamental na sua forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, mas muito sobre a sua origem permanece envolto em mist\u00e9rio. Uma descoberta intrigante foi a exist\u00eancia de diferentes grupos de estrelas com diferentes composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas dentro do mesmo enxame. A origem deste fen\u00f3meno representa um dos maiores problemas em aberto na astrof\u00edsica estelar, e as estrelas de massa muito baixa s\u00e3o uma das chaves para resolver este enigma.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, os astr\u00f3nomos pensavam que todos os enxames estelares eram compostos apenas por uma popula\u00e7\u00e3o estelar simples: todas as estrelas dos enxames eram formadas simultaneamente a partir da mesma nuvem molecular, com a mesma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Atualmente, sabemos que o quadro geral \u00e9 muito mais complexo: quase todos os enxames apresentam varia\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos desenvolveram v\u00e1rias hip\u00f3teses para tentar explicar este fen\u00f3meno intrigante, que podem ser categorizadas em dois grupos concorrentes. O primeiro, conhecido como o cen\u00e1rio multigeracional, sugere que os enxames sofreram explos\u00f5es sucessivas de forma\u00e7\u00e3o estelar. As primeiras estrelas formadas no interior do enxame libertariam material para o g\u00e1s circundante. Este g\u00e1s enriquecido entraria em colapso, formando novas gera\u00e7\u00f5es de estrelas, que apresentariam as varia\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o que observamos atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cen\u00e1rio prop\u00f5e uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o de estrelas no interior do enxame, atribuindo as varia\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas observadas \u00e0 acre\u00e7\u00e3o de material ejetado por estrelas mais massivas sobre as estrelas do enxame. De acordo com esta hip\u00f3tese, a quantidade de material acretado \u00e9 proporcional \u00e0 massa da estrela, com as estrelas de maior massa a acrescentarem mais material do que as suas cong\u00e9neres de menor massa devido \u00e0 influ\u00eancia da gravidade. Consequentemente, as varia\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que observamos atualmente entre as estrelas apresentariam padr\u00f5es distintos entre as estrelas de baixa e alta massa, de acordo com este cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que, antes do JWST, devido a limita\u00e7\u00f5es instrumentais, a maioria dos estudos de enxames de estrelas centrava-se nas estrelas mais massivas. Agora, com o JWST, estamos a conseguir estudar com grande precis\u00e3o as estrelas menos massivas da nossa Gal\u00e1xia, at\u00e9 ao limite da queima de hidrog\u00e9nio, que marca a fronteira entre as estrelas e as an\u00e3s castanhas&#8221;, diz Tuila Ziliotto, que liderou o estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. &#8220;Desta forma, podemos medir as varia\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas das estrelas de baixa massa e compar\u00e1-las com as das estrelas de alta massa para determinar qual o cen\u00e1rio correto&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de astr\u00f3nomos utilizou observa\u00e7\u00f5es feitas com filtros fotom\u00e9tricos do instrumento NIRCam (Near Infrared Camera) do JWST para medir as varia\u00e7\u00f5es de oxig\u00e9nio e h\u00e9lio entre as estrelas de baixa massa de M92. &#8220;Estas estrelas muito pequenas t\u00eam superf\u00edcies suficientemente frias para albergarem vapor de \u00e1gua nas suas atmosferas. Nestas estrelas, a maior parte do oxig\u00e9nio est\u00e1 presente nas mol\u00e9culas de \u00e1gua. \u00c9 por isso que utilizamos os filtros infravermelhos do JWST, que s\u00e3o muito sens\u00edveis \u00e0s mol\u00e9culas de \u00e1gua, para inferir o conte\u00fado de oxig\u00e9nio destas estrelas&#8221;, explica Anjana Mohandasan, estudante de doutoramento em P\u00e1dua, coautora do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As varia\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas entre as estrelas de massa muito baixa de M92 alinham-se com as encontradas nas estrelas gigantes&#8221;, conclui Ziliotto. Esta descoberta representa um desafio significativo para os cen\u00e1rios de acre\u00e7\u00e3o e apoia as hip\u00f3teses que defendem m\u00faltiplos epis\u00f3dios de forma\u00e7\u00e3o estelar no interior do enxame, marcando um passo em frente na nossa compreens\u00e3o dos intrincados processos de forma\u00e7\u00e3o dos enxames estelares.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/progetti.dfa.unipd.it\/GALFOR\/pressreleaseM92.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de P\u00e1dua (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/acde76\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2304.06026\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Messier 92 (M92):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m092.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_92\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-ers-programs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programas DD-ERS do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/general-observers\/cycle-2-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 2 GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem do enxame globular Messier 92 (M92) captada pelo instrumento NIRCam do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb. 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