{"id":6406,"date":"2023-10-03T06:18:09","date_gmt":"2023-10-03T05:18:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6406"},"modified":"2023-10-03T06:18:10","modified_gmt":"2023-10-03T05:18:10","slug":"estudo-lanca-nova-luz-sobre-os-estranhos-mundos-de-lava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/10\/03\/estudo-lanca-nova-luz-sobre-os-estranhos-mundos-de-lava\/","title":{"rendered":"Estudo lan\u00e7a nova luz sobre os estranhos mundos de lava"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/content.presspage.com\/uploads\/2170\/36dcdf15-9881-45e0-8d5b-e88e10713c7d\/1920_gettyimages-13017531731.jpg?10000\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/p32iEJ9c_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6407\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/p32iEJ9c_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/p32iEJ9c_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/p32iEJ9c_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/p32iEJ9c_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c9 prov\u00e1vel que os mundos de lava ainda estejam na fase inicial da sua evolu\u00e7\u00e3o, uma vez que algumas teorias sugerem que a Terra tamb\u00e9m j\u00e1 esteve totalmente fundida.<br>Cr\u00e9dito: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os mundos de lava, exoplanetas massivos que albergam c\u00e9us cintilantes e mares vulc\u00e2nicos agitados chamados oceanos de magma, s\u00e3o muito diferentes dos planetas do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 \u00e0 data, quase 50% de todos os exoplanetas rochosos j\u00e1 descobertos s\u00e3o capazes de manter magma \u00e0s suas superf\u00edcies, provavelmente porque estes planetas est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos das suas estrelas hospedeiras que completam uma \u00f3rbita em menos de 10 dias. Esta proximidade faz com que os planetas sejam bombardeados por condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas adversas e for\u00e7a temperaturas extremas \u00e0 superf\u00edcie, tornando-os completamente in\u00f3spitos \u00e0 vida tal como a conhecemos atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, num novo estudo, os cientistas demonstraram que estes vastos oceanos fundidos t\u00eam uma grande influ\u00eancia nas propriedades observadas das Super-Terras rochosas e quentes, tais como no seu tamanho e no seu percurso evolutivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua investiga\u00e7\u00e3o, publicada recentemente na revista The Astrophysical Journal, descobriu que, devido \u00e0 natureza extremamente compress\u00edvel da lava, os oceanos de magma podem fazer com que os planetas ricos em lava sem atmosfera sejam modestamente mais densos do que os planetas s\u00f3lidos de tamanho semelhante, bem como afetar a estrutura dos seus mantos, a espessa camada interior que rodeia o n\u00facleo de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, uma vez que estes objetos s\u00e3o notoriamente pouco estudados, caracterizar o funcionamento fundamental dos planetas de lava pode ser uma tarefa dif\u00edcil, disse Kiersten Boley, autora principal do estudo e estudante de astronomia na Universidade Estatal do Ohio, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os mundos de lava s\u00e3o muito estranhos, muito interessantes e, devido \u00e0 forma como detetamos os exoplanetas, estamos mais inclinados a encontr\u00e1-los&#8221;, disse Boley, cuja investiga\u00e7\u00e3o gira em torno da compreens\u00e3o dos ingredientes essenciais que tornam os exoplanetas \u00fanicos e da forma como a altera\u00e7\u00e3o desses elementos, ou, no caso dos mundos de lava, das suas temperaturas, os pode mudar completamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos mais conhecidos destes misteriosos mundos escaldantes \u00e9 55 Cancri e, um exoplaneta situado a cerca de 41 anos-luz de dist\u00e2ncia, que os cientistas descrevem como tendo c\u00e9us cintilantes e mares de lava agitados.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora existam objetos no nosso Sistema Solar, como a lua Io de J\u00fapiter, que s\u00e3o extremamente ativos do ponto de vista vulc\u00e2nico, n\u00e3o existem verdadeiros planetas de lava na nossa parte do cosmos que os cientistas possam estudar de perto. No entanto, investigar a forma como a composi\u00e7\u00e3o dos oceanos de magma contribui para a evolu\u00e7\u00e3o de outros planetas, por exemplo, durante quanto tempo permanecem fundidos e por que raz\u00f5es acabam por arrefecer, pode fornecer pistas acerca da hist\u00f3ria incandescente da Terra, disse Boley.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando os planetas se formam inicialmente, em particular os planetas terrestres rochosos, passam por uma fase de oceano de magma enquanto arrefecem&#8221;, disse Boley. &#8220;Por isso, os mundos de lava podem dar-nos uma ideia do que pode ter acontecido na evolu\u00e7\u00e3o de quase todos os planetas terrestres.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando o software de modela\u00e7\u00e3o do interior de exoplanetas Exoplex e dados recolhidos em estudos anteriores para construir um m\u00f3dulo que inclu\u00eda informa\u00e7\u00f5es sobre v\u00e1rios tipos de composi\u00e7\u00f5es magm\u00e1ticas, os investigadores simularam v\u00e1rios cen\u00e1rios evolutivos de um planeta semelhante \u00e0 Terra com temperaturas \u00e0 superf\u00edcie entre 1420 e 2120 graus Celsius &#8211; o ponto de fus\u00e3o em que o manto s\u00f3lido do planeta se transformaria em l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos modelos que criaram, a equipa foi capaz de discernir que os mantos dos planetas com oceano de magma podem assumir uma de tr\u00eas formas: a primeira em que todo o manto est\u00e1 completamente derretido, a segunda em que um oceano de magma se encontra \u00e0 superf\u00edcie e um terceiro modelo tipo sandu\u00edche que consiste num oceano de magma \u00e0 superf\u00edcie, uma camada de rocha s\u00f3lida no meio e outra camada de magma derretido que se encontra mais pr\u00f3xima do n\u00facleo do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados sugerem que a segunda e a terceira formas s\u00e3o ligeiramente mais comuns do que os planetas completamente fundidos. Dependendo da composi\u00e7\u00e3o dos oceanos de magma, alguns exoplanetas sem atmosfera s\u00e3o melhores do que outros para reter elementos vol\u00e1teis &#8211; compostos como o oxig\u00e9nio e o carbono necess\u00e1rios para a forma\u00e7\u00e3o das primeiras atmosferas &#8211; durante milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, o estudo refere que um planeta da classe de magma basal que seja 4 vezes mais massivo do que a Terra pode aprisionar mais de 130 vezes a massa de \u00e1gua dos oceanos da Terra, e cerca de 1000 vezes a quantidade de carbono atualmente presente na superf\u00edcie e na crosta do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando estamos a falar da evolu\u00e7\u00e3o de um planeta e do seu potencial para ter diferentes elementos necess\u00e1rios para suportar a vida, o facto de ser capaz de aprisionar muitos elementos vol\u00e1teis nos seus mantos pode ter grandes implica\u00e7\u00f5es para a habitabilidade&#8221;, explicou Boley.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planetas de lava est\u00e3o muito longe de se tornarem suficientemente habit\u00e1veis para suportar vida, mas \u00e9 importante compreender os processos que ajudam estes mundos a chegar l\u00e1. No entanto, este estudo torna claro que medir a sua densidade n\u00e3o \u00e9 exatamente a melhor forma de caracterizar estes mundos quando os comparamos com exoplanetas s\u00f3lidos, uma vez que um oceano de magma n\u00e3o aumenta nem diminui significativamente a densidade do seu planeta, disse Boley.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, a sua investiga\u00e7\u00e3o revela que os cientistas devem concentrar-se noutros par\u00e2metros terrestres, como as flutua\u00e7\u00f5es da gravidade \u00e0 superf\u00edcie de um planeta, para testar as suas teorias sobre o funcionamento dos mundos de lava, especialmente se os futuros investigadores planearem utilizar os seus dados para ajudar em estudos planet\u00e1rios de maior dimens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este trabalho, que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias da terra e astronomia, abre basicamente novas e excitantes quest\u00f5es sobre os mundos de lava&#8221;, concluiu Boley.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi apoiado pela NSF (National Science Foundation). Os outros coautores s\u00e3o Wendy Panero, Joseph Schulze, Romy Martinez e Ji Wang, todos da Universidade Estatal de Ohio, bem como Cayman Unterborn do SwRI (Southwest Research Institute).<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.osu.edu\/study-sheds-new-light-on-strange-lava-worlds\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/acea85\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2307.13726\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>55 Cancri e:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/55_cnc_e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/55_Cancri_e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 prov\u00e1vel que os mundos de lava ainda estejam na fase inicial da sua evolu\u00e7\u00e3o, uma vez que algumas teorias sugerem que a Terra tamb\u00e9m j\u00e1 esteve totalmente fundida.Cr\u00e9dito: Getty Images Os mundos de lava, exoplanetas massivos que albergam c\u00e9us cintilantes e mares vulc\u00e2nicos agitados chamados oceanos de magma, s\u00e3o muito diferentes dos planetas do &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6407,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[753,147],"class_list":["post-6406","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-exoplanetas","tag-55-cancri-e","tag-exoplaneta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6406"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6408,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6406\/revisions\/6408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}