{"id":640,"date":"2004-03-17T09:25:59","date_gmt":"2004-03-17T09:25:59","guid":{"rendered":"http:\/\/themes.tielabs.com\/sahifa5\/?p=23"},"modified":"2017-01-25T16:36:22","modified_gmt":"2017-01-25T16:36:22","slug":"sedna-levanta-possibilidades-outro-planeta-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/03\/17\/sedna-levanta-possibilidades-outro-planeta-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Sedna levanta possibilidades de outro planeta com o tamanho da Terra no nosso Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<span class=\"dropcap \">O<\/span> nosso canto da gal\u00e1xia ficou um pouco mais estranho esta semana com a descoberta de Sedna, o objecto mais distante do Sistema Solar conhecido. Agora os astr\u00f3nomos est\u00e3o a perguntar-se como l\u00e1 chegou.<\/p>\n<p align=\"justify\">A ideia mais intrigante \u00e9 que possa haver outro mundo t\u00e3o grande como a Terra, uma disputa gravitacional \u00e0 espreita no canto inexplorado do sistema solar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Eis o problema: os cientistas n\u00e3o conseguem perceber como Sedna, que tem cerca de tr\u00eas quartos do tamanho de Plut\u00e3o, veio a ter uma t\u00e3o estranha \u00f3rbita \u00e0 volta do Sol. O percurso de Sedna \u00e9 altamente el\u00edptico. Varia entre 76 UA (UA &#8211; unidade astron\u00f3mica: dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre a Terra e o Sol, \u00e0 volta de 150 milh\u00f5es de quil\u00f3metros) quando est\u00e1 mais perto do Sol e 1,000 UA quando est\u00e1 no af\u00e9lio (ponto mais afastado do Sol). Os cientistas sugerem que outro objecto com o tamanho da Terra possa ter algo a ver com o facto de Sedna ter esta \u00f3rbita t\u00e3o estranha.<\/p>\n<p align=\"justify\">Michael Brown, o astr\u00f3nomo do <em>California Institute of Technology<\/em> que levou \u00e0 descoberta de Sedna, disse que o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel envolve o Sol ter nascido num enxame estelar, e as estrelas que estavam na altura mais pr\u00f3ximas do sistema solar &#8212; mesmo assim a mais de 10,000 UA de dist\u00e2ncia &#8212; foram respons\u00e1veis pela ejec\u00e7\u00e3o de objectos como Sedna.<\/p>\n<p align=\"justify\">Alguns astr\u00f3nomos n\u00e3o envolvidos na descoberta apoiam a ideia que Sedna foi atra\u00eddo para fora por uma estrela. Mas outros n\u00e3o acreditam na explica\u00e7\u00e3o. Brian Marsden, director do<em> Minor Planet Center<\/em> em Cambridge (onde novos objectos do sistema solar s\u00e3o catalogados), Massachussets, acredita que tenha sido um &#8220;objecto planet\u00e1rio&#8221;, talvez entre 400 e 1,000 UA.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Talvez haja mais que um planeta por a\u00ed&#8221;, disse Marsden. &#8220;Quem sabe? Mas supondo que seja algo com a massa da Terra, talvez at\u00e9 mais. Uma aproxima\u00e7\u00e3o poderia atirar este objecto (Sedna) de uma \u00f3rbita mais ou menos circular para uma outra mais exc\u00eantrica.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Marsden diz que tal cen\u00e1rio deixa em aberto a quest\u00e3o de como um planeta com o tamanho da Terra se possa ter formado t\u00e3o longe do Sol, onde a mat\u00e9ria bruta deveria ser escassa, de acordo com a corrente teoria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Brown disse que um planeta com o tamanho da Terra \u00e9 uma possibilidade. Mas os c\u00e1lculos da equipa p\u00f5em-no a 70 UA. &#8220;N\u00f3s pensamos ser improv\u00e1vel, porque o ter\u00edamos j\u00e1 encontrado&#8221;, comenta Brown.<\/p>\n<p align=\"justify\">Alan Boss, um te\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o de planetas do <em>Carnegie Institute<\/em> em Washington, DC, concorda que a passagem de uma estrela ou de uma densa nuvem de g\u00e1s sejam a causa mais prov\u00e1vel para a \u00f3rbita de Sedna. Boss disse que seria &#8220;dif\u00edcil de imaginar&#8221; a forma\u00e7\u00e3o de um objecto com o tamanho da Terra num s\u00edtio onde essa interac\u00e7\u00e3o possa ter acontecido.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas Brown disse que h\u00e1 ainda uma regi\u00e3o do espa\u00e7o n\u00e3o explorada, que constitui cerca de 20% do c\u00e9u, ainda n\u00e3o pesquisada por objectos com o tamanho da Terra que orbitariam a 70 UA e presumivelmente no plano principal do sistema solar. \u00c9 a regi\u00e3o em direc\u00e7\u00e3o ao brilhante centro gal\u00e1ctico, que \u00e9 mais dif\u00edcil de procurar. Brown tamb\u00e9m concluiu que a sua equipa est\u00e1 a considerar fazer essa busca.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se a ideia de Marsden estiver correcta, e houver um planeta com o tamanho da Terra a algumas centenas de unidades astron\u00f3micas de dist\u00e2ncia, teria facilmente escapado \u00e0 detec\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9todos actuais. De qualquer maneira, isto n\u00e3o envolveria uma &#8220;Terra&#8221; vulgar. Qualquer objecto para l\u00e1 de Plut\u00e3o seria gelado e n\u00e3o suportaria vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como nota, os astr\u00f3nomos t\u00eam opini\u00f5es divergentes quanto ao classificar Sedna como um planeta. Muitos argumentam que Plut\u00e3o nunca deveria ter sido catalogado como planeta, porque \u00e9 mais como Sedna e outros objectos para l\u00e1 de Neptuno &#8212; pequenos e com \u00f3rbitas invulgares. No entanto, a verdade \u00e9 que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o astron\u00f3mica para o termo &#8220;planeta&#8221;. Mas a Uni\u00e3o Astron\u00f3mica Internacional deixou bem claro em anos recentes que Plut\u00e3o, embora muitos astr\u00f3nomos agora o suportem, n\u00e3o lhe ser\u00e1 retirado o t\u00edtulo de planeta. N\u00e3o \u00e9 conhecido o que chamar a objectos do tamanho da Terra encontrados para l\u00e1 de Neptuno numa \u00f3rbita circular, mas n\u00e3o seria dif\u00edcil de consider\u00e1-los como planetas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Alan Stern do <em>Southwest Research Institute<\/em> acrescenta outra pe\u00e7a ao puzzle. Stern pensa que poder\u00e3o haver objectos do tamanho da Terra na nuvem de Oort, a regi\u00e3o mais distante do sistema solar. A equipa de Brown disse que acredita que Sedna seja apontado como o primeiro objecto da anteriormente te\u00f3rica Nuvem de Oort. O reservat\u00f3rio distante de pequenos objectos gelados pensa-se que exista, com base nas \u00f3rbitas de alguns cometas que aparecem no sistema solar interior de vez em quando, e depois desaparecem para o espa\u00e7o profundo. No entanto, ningu\u00e9m sabe o que existe na Nuvem de Oort.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Eu acredito que seja prov\u00e1vel&#8221;, disse Stern em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis objectos com o tamanho da Terra na Nuvem de Oort. Nos primeiros anos do sistema solar, explicou, objectos t\u00e3o massivos como a Terra pensa-se que ter\u00e3o colidido com Urano e Neptuno. As simula\u00e7\u00f5es por computador mostram que a maioria dos hipot\u00e9ticos objectos do tamanho da Terra &#8220;seriam ejectados da regi\u00e3o dos planetas exteriores, n\u00e3o acumulados em Urano e Neptuno, e por isso um dia poder\u00edamos encontrar estas rel\u00edquias geladas na Nuvem de Oort.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Encontrar mundos t\u00e3o distantes seriam um desafio monumental. A Nuvem de Oort diz-se que se estenda at\u00e9 metade da dist\u00e2ncia da pr\u00f3xima estrela conhecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nosso canto da gal\u00e1xia ficou um pouco mais estranho esta semana com a descoberta de Sedna, o objecto mais distante do Sistema Solar conhecido. Agora os astr\u00f3nomos est\u00e3o a perguntar-se como l\u00e1 chegou. 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