{"id":638,"date":"2004-03-12T09:25:02","date_gmt":"2004-03-12T09:25:02","guid":{"rendered":"http:\/\/themes.tielabs.com\/sahifa5\/?p=19"},"modified":"2017-01-29T10:14:18","modified_gmt":"2017-01-29T10:14:18","slug":"guerra-das-galaxias-hst-vs-vlt-hubble-contra-ataca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/03\/12\/guerra-das-galaxias-hst-vs-vlt-hubble-contra-ataca\/","title":{"rendered":"Guerra das gal\u00e1xias (HST vs. VLT) &#8211; O Hubble contra-ataca"},"content":{"rendered":"<span class=\"dropcap \">D<\/span>ias depois do VLT (Very Large Telescope) ter feito a imagem da gal\u00e1xia mais antiga jamais observada que teria um redshift z \u02dc 10, eis que o telesc\u00f3pio espacial Hubble surge agora com as imagens mais long\u00ednquas de c\u00e9u profundo jamais alcan\u00e7adas pela esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Chamada Hubble Ultra Deep Field (HUDF), a imagem foi obtida a partir de uma exposi\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de segundos (mais de 11 dias e meio) e revela as primeiras gal\u00e1xias que emergem da chamada <em>Idade Escura<\/em>, o per\u00edodo ap\u00f3s o Big Bang em que finalmente se come\u00e7am a formar as primeiras estrelas e gal\u00e1xias. A imagem oferecer\u00e1 na sua an\u00e1lise dados sem precedentes que permitir\u00e3o conhecer melhor que tipos de objectos foram os primeiros a ser reaquecidos nesse universo long\u00ednquo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta imagem hist\u00f3rica \u00e9 na verdade um comp\u00f3sito de duas imagens separadas tiradas com a Hubble&#8217;s Advanced Camera for Surveys (ACS) e a Near Infrared Camera and Multi-object Spectrometer (NICMOS). Ambas as imagens revelam algumas gal\u00e1xias que s\u00e3o demasiado fracas para serem vistas com qualquer telesc\u00f3pio constru\u00eddo no solo terrestre ou mesmo pelos anteriores olhares em profundidade do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Estes olhares em profundidade chamados Hubble Deep Fields (HDF) tirados em 1995 e 1998 eram imagens contendo gal\u00e1xias at\u00e9 redshifts de cerca de z=6.4 e foram os olhares mais profundos sobre o universo realizados at\u00e9 muito recentemente. No entanto nos \u00faltimos dois meses a dist\u00e2ncia da gal\u00e1xia mais long\u00ednqua tem vindo a ser pulverizada semana ap\u00f3s semana numa competi\u00e7\u00e3o que envolve as equipas de observa\u00e7\u00e3o do VLT e do HST.<\/p>\n<p align=\"justify\">De facto, na nossa newsletter de 19 de Fevereiro (edi\u00e7\u00e3o antiga) notici\u00e1vamos que o HST simultaneamente com os telesc\u00f3pios do KECK, no Hawaii,\u00a0 havia fotografado uma gal\u00e1xia a redshift z=6.5 usando como lente gravitacional o enxame de gal\u00e1xias Abell 2218, e na edi\u00e7\u00e3o de dia 5 de Mar\u00e7o notici\u00e1vamos que o VLT tinha pulverizado essa marca com uma imagem que cont\u00e9m gal\u00e1xias com um redshift de z=10.<\/p>\n<p align=\"justify\">A imagem agora obtida (HUDF) cont\u00e9m cerca de 10 000 gal\u00e1xias numa pequena regi\u00e3o do c\u00e9u de cerca de um d\u00e9cimo do di\u00e2metro da Lua. Para al\u00e9m da excelente amostra de gal\u00e1xias espirais e el\u00edpticas, existe\u00a0 uma verdadeira pan\u00f3plia de gal\u00e1xias estranhas que preenchem o campo visual. Algumas parecem palitos, outras como elementos de uma pulseira; algumas parecem estar a interagir. No entanto, as suas formas estranhas s\u00e3o um esbo\u00e7o das majestosas espirais e el\u00edpticas que &#8220;actualmente&#8221; existem. Estas estranhas bolas em igni\u00e7\u00e3o constituem a hist\u00f3ria de um per\u00edodo em que o Universo era mais ca\u00f3tico. Come\u00e7ava agora a surgir alguma ordem e estrutura.<\/p>\n<p align=\"justify\">A combina\u00e7\u00e3o das imagens da ACS e da NICMOS ser\u00e1 agora usada para procurar gal\u00e1xias que existiram entre 400 e 800 milh\u00f5es de anos depois do Big Bang, o que em termos cosmol\u00f3gicos corresponde a um redshift entre <em>z<\/em>=7 e <em>z<\/em>=12. Astr\u00f3nomos de todo o mundo poder\u00e3o agora inferir se o Universo era ou n\u00e3o semelhante \u00e0quele que se observa quando teria entre mil milh\u00f5es e dois mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A imagem do ACS permite aos astr\u00f3nomos observar gal\u00e1xias com um quarto do brilho das mais t\u00e9nues que o HST j\u00e1 havia permitido observar, podendo observar-se gal\u00e1xias com um redshift de <em>z<\/em>=7 (cerca de 800 milh\u00f5es de anos depois do Big Bang). A c\u00e2mara NICMOS, dado ser uma c\u00e2mara de infravermelho, dever\u00e1 ter ido ainda mais profundo com gal\u00e1xias de redshift <em>z <\/em>=12.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa do HST est\u00e1 agora segura que esta ser\u00e1 a imagem mais profunda at\u00e9 ao lan\u00e7amento do JWST, pois o VLT mesmo trabalhando como interfer\u00f3metro com a m\u00e1xima abertura e usando todos os espelhos, n\u00e3o poder\u00e1 ir t\u00e3o profundo pois os tempos de integra\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios s\u00e3o demasiado longos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Recorde-se que o HST esteve 11 dias e meio ininterruptamente a obter fot\u00f5es desta regi\u00e3o do espa\u00e7o para construir esta imagem. Para os telesc\u00f3pios no solo \u00e0 excep\u00e7\u00e3o dos localizados na Ant\u00e1rtida \u00e9 imposs\u00edvel fotografar 24 horas seguidas, pois algumas horas ap\u00f3s o por-do-sol, este volta a nascer, o que obriga a terminar a imagem. No entanto, embora o VLT esteja fisicamente impossibilitado de observar gal\u00e1xias t\u00e3o long\u00ednquas directamente, veremos o que conseguir\u00e1 fazer usando lentes gravitacionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias depois do VLT (Very Large Telescope) ter feito a imagem da gal\u00e1xia mais antiga jamais observada que teria um redshift z \u02dc 10, eis que o telesc\u00f3pio espacial Hubble surge agora com as imagens mais long\u00ednquas de c\u00e9u profundo jamais alcan\u00e7adas pela esp\u00e9cie humana. Chamada Hubble Ultra Deep Field (HUDF), a imagem foi obtida &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,1],"tags":[150,118,107],"class_list":["post-638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-galaxias","category-telescopios-profissionais","tag-hubble","tag-hudf","tag-vlt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=638"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":719,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/638\/revisions\/719"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}