{"id":6357,"date":"2023-09-12T06:24:25","date_gmt":"2023-09-12T05:24:25","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6357"},"modified":"2023-09-12T06:24:25","modified_gmt":"2023-09-12T05:24:25","slug":"swift-aprende-um-novo-truque-avista-um-buraco-negro-petiscador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/09\/12\/swift-aprende-um-novo-truque-avista-um-buraco-negro-petiscador\/","title":{"rendered":"Swift aprende um novo truque, avista um buraco negro &#8220;petiscador&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/nustarl_swj0230_galaxy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"663\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jfbqgD5A_o-1024x663.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6358\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jfbqgD5A_o-1024x663.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jfbqgD5A_o-300x194.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jfbqgD5A_o-768x497.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jfbqgD5A_o.jpg 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Swift J0230 ocorreu a mais de 500 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, numa gal\u00e1xia chamada 2MASX J02301709+2836050, captada aqui pelo telesc\u00f3pio Pan-STARRS no Hawaii.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Neils Bohr\/Daniele Malesani<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift da NASA, lan\u00e7ado em 2004, os cientistas descobriram um buraco negro numa gal\u00e1xia distante a &#8220;petiscar&#8221; repetidamente uma estrela semelhante ao Sol. O objeto anuncia uma nova era de ci\u00eancia com o Swift, poss\u00edvel gra\u00e7as a um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise dos dados do instrumento XRT (X-ray Telescope) do sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O hardware e o software do Swift e as compet\u00eancias da sua equipa internacional permitiram-lhe adaptar-se a novas \u00e1reas da astrof\u00edsica ao longo da sua vida&#8221;, disse Phil Evans, astrof\u00edsico da Universidade de Leicester, no Reino Unido, e membro de longa data da equipa do Swift. &#8220;Neil Gehrels, o hom\u00f3nimo da miss\u00e3o, supervisionou e encorajou muitas dessas transi\u00e7\u00f5es. Agora, com esta nova capacidade, est\u00e1 a fazer ci\u00eancia ainda mais interessante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evans liderou um estudo sobre a estrela azarada e o seu buraco negro esfomeado, coletivamente designados por Swift J023017.0+283603 (ou Swift J0230, para abreviar), que foi publicado a 7 de setembro na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma estrela se aproxima demasiado de um buraco negro monstruoso, as for\u00e7as gravitacionais criam mar\u00e9s intensas que a dilaceram numa corrente de g\u00e1s. A extremidade dianteira gira em torno do buraco negro e a extremidade traseira escapa do sistema. Estes epis\u00f3dios destrutivos s\u00e3o chamados eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s. Os astr\u00f3nomos v\u00eaem-nos como surtos de luz em v\u00e1rios comprimentos de onda criados quando os detritos colidem com um disco de material que j\u00e1 orbita o buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam investigado recentemente varia\u00e7\u00f5es deste fen\u00f3meno, a que chamam perturba\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s parciais ou repetidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante estes eventos, sempre que uma estrela em \u00f3rbita passa perto de um buraco negro, a estrela incha para fora e perde material, mas sobrevive. O processo repete-se at\u00e9 que a estrela perde demasiado g\u00e1s e acaba por ser destru\u00edda. As caracter\u00edsticas de cada estrela individual e do sistema de buraco negro determinam o tipo de emiss\u00e3o que os cientistas observam, criando uma grande variedade de comportamentos a categorizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplos anteriores incluem uma explos\u00e3o que ocorreu a cada 114 dias, potencialmente causada por uma estrela gigante que orbitava um buraco negro com 78 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol. Outra ocorreu a cada nove horas em torno de um buraco negro com 400.000 vezes a massa do Sol, provavelmente causada por uma &#8220;cinza&#8221; estelar em \u00f3rbita de nome an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 22 de junho de 2022, o XRT captou Swift J0230 pela primeira vez. &#8220;Acendeu-se&#8221; numa gal\u00e1xia a cerca de 500 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio norte de Tri\u00e2ngulo. O XRT do Swift observou nove explos\u00f5es adicionais a partir do mesmo local, aproximadamente a cada poucas semanas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/5f\/cd\/wANWxIqD_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/5f\/cd\/wANWxIqD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Agora n\u00e3o se v\u00ea, agora v\u00ea-se! Imagens de raios X do mesmo local no c\u00e9u antes (esquerda) e depois (direita) da erup\u00e7\u00e3o de Swift J0230. Estas imagens foram obtidas com o instrumento XRT a bordo do sat\u00e9lite Swift.<br>Cr\u00e9dito: Phil Evans (Universidade de Leicester)\/Swift da NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evans e a sua equipa prop\u00f5em que Swift J0230 \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o repetida de uma estrela semelhante ao Sol que orbita um buraco negro com mais de 200.000 vezes a massa do Sol. Estimam que a estrela perde cerca de tr\u00eas massas terrestres de material em cada passagem. Este sistema constitui uma ponte entre outros tipos de perturba\u00e7\u00f5es repetitivas suspeitas e permitiu aos cientistas modelar a forma como as intera\u00e7\u00f5es entre diferentes tipos de estrelas e tamanhos de buracos negros afetam o que observamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Procur\u00e1mos e procur\u00e1mos o evento de aumento de brilho nos dados recolhidos pelo UVOT (Ultraviolet\/Optical Telescope) do Swift&#8221;, disse Alice Breeveld, investigadora do MSSL (Mullard Space Science Laboratory) do Col\u00e9gio Universit\u00e1rio de Londres, que trabalhou no instrumento desde antes do lan\u00e7amento do sat\u00e9lite. &#8220;Mas n\u00e3o havia qualquer sinal dele. A variabilidade da gal\u00e1xia estava inteiramente nos raios X. Isso ajudou a excluir outras causas potenciais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de Swift J0230 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma nova pesquisa automatizada de observa\u00e7\u00f5es obtidas pelo XRT, desenvolvida por Evans, chamada &#8220;Swift X-ray Transient Detector&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do instrumento observar uma parte do c\u00e9u, os dados s\u00e3o transmitidos para o solo e o programa compara-os com imagens anteriores do mesmo local pelo XRT. Se essa parte do c\u00e9u, em raios X, tiver mudado, os cientistas recebem um alerta. No caso de Swift J0230, Evans e os seus colegas conseguiram coordenar rapidamente observa\u00e7\u00f5es adicionais da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Swift foi originalmente concebido para estudar as explos\u00f5es de raios gama, as explos\u00f5es mais poderosas do cosmos. No entanto, desde que o sat\u00e9lite foi lan\u00e7ado, os cientistas reconheceram a sua capacidade para estudar uma s\u00e9rie de objetos celestes, como perturba\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s e cometas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Swift J0230 foi descoberto apenas cerca de dois meses depois de Phil ter lan\u00e7ado o seu programa&#8221;, disse S. Bradley Cenko, investigador principal da miss\u00e3o no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;\u00c9 um bom press\u00e1gio para a capacidade do detetor em identificar outros eventos transit\u00f3rios e para o futuro do Swift na explora\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os cient\u00edficos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Hole Snack Attack\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_4B5xZcTbf0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2023\/nasa-s-swift-learns-a-new-trick-spots-a-snacking-black-hole\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/le.ac.uk\/news\/2023\/september\/black-hole\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Leicester (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-023-02073-y\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2309.02500\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1000665\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-feasts-on-star-once-month-tidal-disruption\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/163086\/a-black-hole-nibbles-on-a-star-every-22-days-slowly-consuming-it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/black-hole-discovery-swiftj0230\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-09-ravenous-black-hole-consumes-earths-worth.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/x-ray-telescope-black-hole-slowly-devouring-star-1850818441\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/swift\/main\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Swift J0230 ocorreu a mais de 500 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, numa gal\u00e1xia chamada 2MASX J02301709+2836050, captada aqui pelo telesc\u00f3pio Pan-STARRS no Hawaii.Cr\u00e9dito: Instituto Neils Bohr\/Daniele Malesani Usando o Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift da NASA, lan\u00e7ado em 2004, os cientistas descobriram um buraco negro numa gal\u00e1xia distante a &#8220;petiscar&#8221; 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