{"id":6351,"date":"2023-09-12T06:20:39","date_gmt":"2023-09-12T05:20:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6351"},"modified":"2023-09-12T06:20:39","modified_gmt":"2023-09-12T05:20:39","slug":"prevista-a-possivel-existencia-de-um-planeta-de-tamanho-semelhante-a-terra-nos-confins-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/09\/12\/prevista-a-possivel-existencia-de-um-planeta-de-tamanho-semelhante-a-terra-nos-confins-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Prevista a poss\u00edvel exist\u00eancia de um planeta de tamanho semelhante \u00e0 Terra nos confins do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.kindai.ac.jp\/english\/news\/news-release\/_upload\/Earth-Like%20Planet_1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/04bp7kmW_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6352\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/04bp7kmW_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/04bp7kmW_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/04bp7kmW_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/04bp7kmW_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica de um planeta de tamanho semelhante ao da Terra nos confins do Sistema Solar.\nCr\u00e9dito: Fernando Pe\u00f1a D&#8217;Andrea<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem muitas anomalias por explicar nas \u00f3rbitas e na distribui\u00e7\u00e3o dos objetos transneptunianos, pequenos corpos celestes localizados nos confins do Sistema Solar. Agora, com base em simula\u00e7\u00f5es inform\u00e1ticas detalhadas do in\u00edcio do Sistema Solar exterior, investigadores do Jap\u00e3o preveem a possibilidade de um planeta com um tamanho semelhante ao da Terra, ainda n\u00e3o descoberto, para l\u00e1 de Neptuno, orbitar o Sol. Se esta previs\u00e3o se concretizar, poder\u00e1 revolucionar a nossa compreens\u00e3o da hist\u00f3ria do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das pessoas est\u00e1 familiarizada com os oito planetas conhecidos do Sistema Solar. No entanto, \u00e9 quase certo que, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, o Sistema Solar formou mais planetas do que estes oito. Embora a maior parte deles j\u00e1 tenha desaparecido ou sa\u00eddo do Sistema Solar, ser\u00e1 poss\u00edvel que alguns tenham permanecido e sobrevivido at\u00e9 aos dias de hoje?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta a esta pergunta pode vir dos chamados OTNs (objetos transneptunianos). Como o nome indica, os OTNs s\u00e3o pequenos corpos celestes que orbitam o Sol a uma dist\u00e2ncia m\u00e9dia superior \u00e0 da \u00f3rbita de Neptuno. Em particular, a distante Cintura de Kuiper, a regi\u00e3o localizada a mais de 7,5 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros (ou 50 unidades astron\u00f3micas) do Sol, cont\u00e9m muitos OTNs. Embora estes objetos representem os restos da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria no Sistema Solar exterior, as suas \u00f3rbitas e distribui\u00e7\u00e3o podem muito bem revelar a presen\u00e7a de planetas por descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo recente, publicado na revista The Astronomical Journal no dia 25 de agosto, o professor associado Patryk Sofia Lykawka da Universidade de Kindai no Jap\u00e3o e o professor associado Takashi Ito do CfCA (Center for Computational Astrophysics) do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) resolveram este enigma. Com base na an\u00e1lise te\u00f3rica das observa\u00e7\u00f5es e em simula\u00e7\u00f5es computacionais de ponta, chegaram \u00e0 not\u00e1vel conclus\u00e3o de que um planeta com aproximadamente o tamanho da Terra (1,5-3 vezes mais massivo) pode estar \u00e0 espreita na distante Cintura de Kuiper!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores come\u00e7aram por analisar em pormenor a estrutura orbital da distante Cintura de Kuiper, que exibe v\u00e1rias anomalias por explicar. Por exemplo, existe uma grande popula\u00e7\u00e3o de OTNs isolados cujas \u00f3rbitas est\u00e3o para al\u00e9m da influ\u00eancia gravitacional de Neptuno. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um n\u00famero significativo de OTNs com \u00f3rbitas altamente inclinadas, juntamente com uma popula\u00e7\u00e3o de &#8220;OTNs extremos&#8221; cujas \u00f3rbitas s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de explicar com os modelos atuais para a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar e da Cintura de Kuiper.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nestas an\u00e1lises, os investigadores teorizaram que outro planeta para al\u00e9m dos quatro gigantes (J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno) deve ter influenciado a forma\u00e7\u00e3o da Cintura de Kuiper. Para testar a sua hip\u00f3tese, efetuaram uma s\u00e9rie de simula\u00e7\u00f5es utilizando os computadores instalados no laborat\u00f3rio de Lykawka e o grupo de PCs de uso geral do NAOJ, usando modelos do Sistema Solar primitivo que existia h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos. Aqui, os investigadores consideraram intera\u00e7\u00f5es entre os quatro planetas gigantes, um hipot\u00e9tico planeta da Cintura de Kuiper e um disco de pequenos objetos representando a distante Cintura de Kuiper primordial. Depois de cada simula\u00e7\u00e3o ter sido conclu\u00edda, as popula\u00e7\u00f5es de OTNs resultantes, ap\u00f3s um per\u00edodo de 4,5 mil milh\u00f5es de anos, foram comparadas com as obtidas a partir de observa\u00e7\u00f5es modernas para ver se algum dos modelos explicava as anomalias na distante Cintura de Kuiper.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Notavelmente, os melhores resultados das simula\u00e7\u00f5es sugeriam que deveria existir um planeta por descobrir com uma massa 1,5-3 vezes superior \u00e0 da Terra a orbitar o Sol a dist\u00e2ncias entre cerca de 200 e 500 (ou mesmo ~200-800) unidades astron\u00f3micas. Gra\u00e7as \u00e0 massa palp\u00e1vel e a uma \u00f3rbita inclinada de cerca de 30\u00b0, um tal planeta poderia ter gerado o grande n\u00famero de OTNs isolados, os OTNs altamente inclinados, bem como os OTNs extremos com \u00f3rbitas peculiares, de acordo com as nossas observa\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de um novo planeta de tamanho semelhante ao da Terra no Sistema Solar teria, sem d\u00favida, implica\u00e7\u00f5es profundas, como explica o Dr. Lykawka: &#8220;Primeiro, o Sistema Solar voltaria a ter oficialmente nove planetas. Al\u00e9m disso, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu em 2006 quando Plut\u00e3o foi despromovido da categoria de planeta, ter\u00edamos de aperfei\u00e7oar a defini\u00e7\u00e3o de &#8216;planeta&#8217;, uma vez que um planeta de tamanho semelhante \u00e0 Terra, localizado muito para al\u00e9m de Neptuno, pertenceria provavelmente a uma nova classe de planetas. Finalmente, as nossas teorias sobre a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar e dos planetas tamb\u00e9m precisariam de ser revistas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora que a previs\u00e3o foi feita, \u00e9 altura de procurar este planeta na distante Cintura de Kuiper. De acordo com o Dr. Lykawka, futuros levantamentos astron\u00f3micos japoneses ou internacionais poder\u00e3o ser capazes de detetar este novo planeta em menos de uma d\u00e9cada. Muitos novos OTNs extremos poderiam ser descobertos no processo, fornecendo informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre a regi\u00e3o transneptuniana. &#8220;Um conhecimento mais pormenorizado da estrutura orbital na distante Cintura de Kuiper dar-nos-\u00e1 uma melhor compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar exterior, o que tamb\u00e9m revelar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es em que os planetas se formaram. Mesmo a descoberta de um \u00fanico ou de alguns desses novos OTNs poderia revolucionar as nossas teorias sobre a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.kindai.ac.jp\/english\/news\/news-release\/2023\/09\/039941.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Kindai (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/aceaf0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2308.13765\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planeta Nove:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planet_Nine\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OTNs (objetos transneptunianos):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Trans-Neptunian_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Detached_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Objetos isolados (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extreme_trans-Neptunian_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OTNs extremos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o art\u00edstica de um planeta de tamanho semelhante ao da Terra nos confins do Sistema Solar. 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