{"id":6348,"date":"2023-09-08T06:24:07","date_gmt":"2023-09-08T05:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6348"},"modified":"2023-09-08T06:24:07","modified_gmt":"2023-09-08T05:24:07","slug":"a-detecao-mais-distante-do-campo-magnetico-de-uma-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/09\/08\/a-detecao-mais-distante-do-campo-magnetico-de-uma-galaxia\/","title":{"rendered":"A dete\u00e7\u00e3o mais distante do campo magn\u00e9tico de uma gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso2316a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6349\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/O8JEdogc_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a orienta\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico da gal\u00e1xia distante 9io9, observada quando o Universo tinha apenas 20% da sua idade atual \u2014 a dete\u00e7\u00e3o mais distante do campo magn\u00e9tico de uma gal\u00e1xia. As observa\u00e7\u00f5es foram obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), do qual o ESO \u00e9 um parceiro. Os gr\u00e3os de poeira no seio de 9io9 est\u00e3o mais ou menos alinhados com o campo magn\u00e9tico da gal\u00e1xia e, por isso, emitem luz polarizada, o que significa que as ondas de luz oscilam segundo uma dire\u00e7\u00e3o privilegiada, em vez de aleat\u00f3ria. O ALMA detetou esta polariza\u00e7\u00e3o, a partir da qual os astr\u00f3nomos puderam determinar a orienta\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico, que aqui mostramos como linhas curvas sobrepostas \u00e0 imagem ALMA.\nA luz polarizada emitida pela poeira magneticamente alinhada de 9io9 era extremamente fraca, representando apenas 1% do brilho total da gal\u00e1xia, no entanto os astr\u00f3nomos usaram um &#8220;truque&#8221; da natureza para obter este resultado: uma lente gravitacional. Apesar de 9io9 estar muito longe de n\u00f3s, a sua luz aparece-nos distorcida e muito mais brilhante, uma vez que se curva por efeito da gravidade de um objeto muito maior que se encontra entre ela e a Terra.\nCr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/J. Geach et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com o aux\u00edlio do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), os astr\u00f3nomos detetaram o campo magn\u00e9tico de uma gal\u00e1xia t\u00e3o distante que a sua luz demorou mais de 11 mil milh\u00f5es de anos a chegar at\u00e9 n\u00f3s: estamos a observ\u00e1-la quando o Universo tinha apenas 2,5 mil milh\u00f5es de anos de idade. Este resultado forneceu aos astr\u00f3nomos pistas cruciais sobre como \u00e9 que se formaram os campos magn\u00e9ticos de gal\u00e1xias tais como a nossa Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 imensos objetos no Universo que apresentam campos magn\u00e9ticos, sejam eles planetas, estrelas ou gal\u00e1xias. &#8220;As pessoas podem n\u00e3o se aperceber, mas na nossa Gal\u00e1xia e noutras gal\u00e1xias entrela\u00e7am-se campos magn\u00e9ticos com dimens\u00f5es da ordem das dezenas de milhares de anos-luz,&#8221; diz James Geach, professor de astrof\u00edsica na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e autor principal deste estudo publicado na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na realidade, sabemos muito pouco relativamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o destes campos magn\u00e9ticos, apesar de serem fundamentais para compreendermos a evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica,&#8221; acrescenta Enrique Lopez Rodriguez, investigador na Universidade de Stanford, EUA, que tamb\u00e9m participou no estudo. N\u00e3o \u00e9 claro qu\u00e3o cedo na vida do Universo, e qu\u00e3o r\u00e1pido, \u00e9 que os campos magn\u00e9ticos se formaram nas gal\u00e1xias, isto porque, at\u00e9 agora, os astr\u00f3nomos apenas tinham mapeado campos magn\u00e9ticos em gal\u00e1xias pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, e com o aux\u00edlio do ALMA, do qual o ESO \u00e9 um parceiro, Geach e a sua equipa descobriram um campo magn\u00e9tico completamente formado numa gal\u00e1xia distante, semelhante em estrutura \u00e0queles observados em gal\u00e1xias pr\u00f3ximas. O campo \u00e9 cerca de mil vezes mais fraco do que o campo magn\u00e9tico da Terra, mas estende-se ao longo de mais de 16.000 anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta descoberta d\u00e1-nos novas pistas sobre como \u00e9 que os campos magn\u00e9ticos se formam \u00e0 escala gal\u00e1ctica,&#8221; explica Geach. A observa\u00e7\u00e3o de um campo magn\u00e9tico completamente desenvolvido t\u00e3o cedo na hist\u00f3ria do Universo indica que os campos magn\u00e9ticos que englobam gal\u00e1xias inteiras podem formar-se rapidamente na altura em que as gal\u00e1xias jovens ainda se est\u00e3o a desenvolver.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/images\/large\/eso2316b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9a\/eb\/BrrQ1tDV_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem infravermelha mostra a gal\u00e1xia distante 9io9, que aqui vemos como um arco avermelhado que se curva em torno de uma gal\u00e1xia brilhante pr\u00f3xima de n\u00f3s. Esta gal\u00e1xia pr\u00f3xima atua como uma lente gravitacional: a sua massa curva o espa\u00e7o-tempo \u00e0 sua volta, curvando assim os raios de luz que nos chegam de 9io9, que est\u00e1 ao fundo e, por isso, nos aparece com esta forma distorcida.<br>Esta imagem colorida resulta da combina\u00e7\u00e3o de imagens infravermelhas obtidas com o telesc\u00f3pio VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO, no Chile, e com o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), nos EUA.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/J. Geach et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A equipa pensa que a forma\u00e7\u00e3o estelar intensa no Universo primordial poder\u00e1 acelerar o desenvolvimento de campos magn\u00e9ticos. Adicionalmente, estes campos podem, por sua vez, influenciar o modo como se formam as gera\u00e7\u00f5es seguintes de estrelas. Rob Ivison, coautor do trabalho e astr\u00f3nomo do ESO, afirma que esta descoberta abre &#8220;uma nova janela para o funcionamento interno das gal\u00e1xias, uma vez que os campos magn\u00e9ticos est\u00e3o ligados ao material que est\u00e1 a formar novas estrelas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer esta dete\u00e7\u00e3o, a equipa observou a radia\u00e7\u00e3o emitida por gr\u00e3os de poeira de uma gal\u00e1xia distante, 9io9. As gal\u00e1xias est\u00e3o repletas de gr\u00e3os de poeira e quando um campo magn\u00e9tico se encontra presente, estes gr\u00e3os tendem a alinhar-se, fazendo com que a radia\u00e7\u00e3o que emitem seja polarizada. Isto significa que as ondas de luz oscilam segundo uma dire\u00e7\u00e3o privilegiada, em vez de aleat\u00f3ria. Quando o ALMA detetou e mapeou um sinal polarizado emitido pela gal\u00e1xia 9io9, confirmou-se pela primeira vez a presen\u00e7a de um campo magn\u00e9tico numa gal\u00e1xia muito distante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nenhum outro telesc\u00f3pio teria conseguido fazer esta observa\u00e7\u00e3o,&#8221; diz Geach. A esperan\u00e7a \u00e9 que com esta e outras observa\u00e7\u00f5es futuras de campos magn\u00e9ticos distantes, come\u00e7aremos a desvendar o mist\u00e9rio da forma\u00e7\u00e3o destas estruturas gal\u00e1cticas fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The furthest ever galactic magnetic field | ESOcast Light\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TYvZRhjwieo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2316\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/furthest-ever-detection-of-a-galaxys-magnetic-field\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-06346-4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2309.02034\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/ancient-galaxy-magnetic-fields-earliest-detected\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/this-is-the-most-distant-magnetic-field-ever-measured\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Science Alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-09-furthest-galaxy-magnetic-field.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2023\/09\/230906112346.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/alma-telescope-9io9-galactic-magnetic-field-furthest-1850808262\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia 9io9:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=[GMV2015]+ASW0009io9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/9io9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra a orienta\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico da gal\u00e1xia distante 9io9, observada quando o Universo tinha apenas 20% da sua idade atual \u2014 a dete\u00e7\u00e3o mais distante do campo magn\u00e9tico de uma gal\u00e1xia. 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